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O Japão pediu e o Cerrado Mineiro entregou: 8,4 toneladas de café especial descafeinado com nota 84 partem de Santos rumo a Tóquio, um volume que supera em mais de 900% tudo o que o Brasil exportou desse produto em 2025 inteiro

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 07/05/2026 às 11:27 Atualizado em 07/05/2026 às 11:30
Café especial descafeinado do Cerrado Mineiro parte para o Japão. Lote de 8,4 t supera em 900% tudo que o Brasil exportou de descafeinado em 2025.
Café especial descafeinado do Cerrado Mineiro parte para o Japão. Lote de 8,4 t supera em 900% tudo que o Brasil exportou de descafeinado em 2025.
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A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) envia pela primeira vez ao Japão um lote de café especial descafeinado: são 8,4 toneladas (140 sacas de 60 kg) de grão bourbon amarelo com pontuação 84 pela SCA (Specialty Coffee Association), produzidas na Fazenda Dona Neném em Presidente Olegário (MG). Segundo o CNN Brasil, o volume supera em mais de 900% tudo o que o Brasil exportou de café descafeinado não torrado em 2025, quando o país inteiro embarcou apenas 832 kg. A torrefadora e cafeteria Cerrad Coffee & Company, de Tóquio, é a destinatária.

O Japão pediu um café que quase ninguém faz, e o Cerrado Mineiro entregou. A Expocacer está enviando do Porto de Santos rumo a Tóquio o primeiro lote de café especial descafeinado já comercializado pelo Brasil nessa categoria, e o volume de 8,4 toneladas é tão expressivo comparado ao histórico do país que a própria cooperativa fez a conta: é mais de 900% superior a tudo o que o Brasil exportou de café descafeinado não torrado ao longo de 2025 inteiro, quando o total nacional foi de apenas 832 kg, segundo dados do Comex Stat.

O grão que cruza o oceano é um bourbon amarelo com nota 84 pela SCA, produzido em uma única fazenda no Cerrado Mineiro. A pontuação de 84 pontos na escala de 0 a 100 da Specialty Coffee Association classifica o produto como café especial, avaliado por protocolos que medem aroma, sabor, corpo, acidez e equilíbrio. Sandra Moraes, gerente comercial de cafés especiais da Expocacer, descreveu o embarque como “feito histórico para o Brasil, que já exporta uma pequena quantia de cafés descafeinados do tipo commodity, mas agora envia um café especial sem cafeína”.

A fazenda, o produtor e o grão que conquistou os japoneses

O café que vai para o Japão vem dos talhões da Fazenda Dona Neném, em Presidente Olegário (MG), propriedade de Eduardo Pinheiro Campos com 1.400 hectares destinados ao cultivo de cafés de alta qualidade e à preservação ambiental. O grão é um arábica da variedade bourbon amarelo, descrito pelo próprio produtor como tendo sabor floral, melaço, mel, tangerina, laranja e cereja, acidez cítrica, corpo aveludado e aftertaste refrescante e prolongado.

A Fazenda Dona Neném é referência no Cerrado Mineiro e funciona como laboratório de pesquisas em parceria com Embrapa e Rehagro. A propriedade foi pioneira na produção de cafés especiais na região e detém certificações internacionais como Rainforest Alliance, Nespresso e Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro, selos que atestam práticas sustentáveis e rastreabilidade que o mercado japonês exige como pré-requisito.

Como se tira a cafeína de um café especial sem estragar o sabor

A descafeinação do grão especial da Expocacer foi realizada em Sooretama (ES) pela DM Descafeinadores do Brasil, joint venture entre a Eisa Interagrícola (braço da suíça ECOM Agroindustrial) e a mexicana Descamex. O método utilizado foi o Mountain Water, considerado premium por dispensar solventes químicos: a técnica usa apenas água e sólidos solúveis extraídos do próprio café para retirar a cafeína sem comprometer aroma e sabor.

Na prática, o processo começa com pré-limpeza e hidratação dos grãos. A cafeína é extraída sob condições controladas de fluxo, temperatura, pressão e vácuo, por meio de solução saturada com compostos do próprio café, etapa que preserva as características originais do produto. O procedimento é finalizado com tripla secagem, polimento e embalagem, e leva cerca de 15 dias até que os grãos retornem à cooperativa para separação e embarque. É esse cuidado que permite manter a pontuação de 84 mesmo após a remoção da cafeína.

Os números que mostram o tamanho do feito

O volume de 8,4 toneladas enviado ao Japão precisa ser lido contra o histórico do Brasil para dimensionar o que a Expocacer está fazendo. Em 2025, o país inteiro exportou 832 kg de café descafeinado não torrado. Em 2024, foram 698 kg. O lote da Expocacer é, respectivamente, 910% e 1.100% superior ao total embarcado pelo Brasil nesses dois anos, segundo cálculos da própria cooperativa com base em dados do Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento (MDIC).

A disparidade revela que o Brasil, apesar de ser o maior produtor e exportador de café do mundo, praticamente não participava do mercado de descafeinado especial. A demanda existia, mas faltava quem combinasse grão de alta qualidade, processo de descafeinação premium e capacidade logística de exportação. A Expocacer reuniu as três pontas — produtor certificado, planta de descafeinação industrial e canal de venda no Japão — e abriu um nicho que até então era dominado por países como Colômbia e México.

Por que o Japão é cliente vip do café brasileiro

O Japão não é comprador qualquer de café brasileiro: é um dos mais exigentes e dos que mais crescem. Em 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os japoneses adquiriram 2,647 milhões de sacas de 60 kg, alta de 19,4% sobre 2024, volume que colocou o país no quarto lugar do ranking de maiores importadores de café brasileiro no ano. Os padrões de qualidade vão desde as formas de cultivo até o cuidado com colheita e pós-colheita.

A Cerrad Coffee & Company, torrefadora e cafeteria com sede em Tóquio que receberá o lote, trabalha exclusivamente com grãos brasileiros para compor seus blends. Carlos Akio Yamaguchi, responsável pelo controle de qualidade de importações da empresa, explicou que a demanda por café especial descafeinado é novidade no mercado japonês e que o bourbon amarelo do Cerrado Mineiro atende exatamente o perfil que a casa buscava: café de origem única, com rastreabilidade completa e processo de descafeinação que preserva os atributos sensoriais.

O mercado de café descafeinado que cresce até 7% ao ano

O descafeinado não é mais nicho marginal: é categoria estratégica em expansão. O segmento cresce entre 6% e 7% ao ano globalmente, impulsionado por consumidores que buscam reduzir a ingestão de cafeína sem abrir mão do hábito de saborear café. A tendência é especialmente forte no Japão, na Coreia do Sul, na Europa e nos Estados Unidos, mercados onde saúde e bem-estar ditam cada vez mais as escolhas de consumo.

Ítalo Henrique, diretor comercial da Expocacer, explicou que “a exportação de café especial decaf ao Japão é mais voltada à construção de mercado do que focada em escala imediata”, descrevendo o embarque como validação comercial que pode abrir demanda recorrente. A Expocacer reúne 760 cooperados em 55 municípios do Cerrado Mineiro, base produtiva que permite escalar o volume se a resposta do mercado japonês confirmar o que os primeiros pedidos indicam.

Você pagaria mais caro por um café especial descafeinado com nota 84, ou acha que café sem cafeína perde o sentido? Conte nos comentários se já experimentou café descafeinado de qualidade e o que pensa sobre o Japão valorizar o grão brasileiro mais do que o próprio Brasil.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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