Gigante da engenharia chega discretamente ao Brasil após travessia internacional e se prepara para escavar quilômetros de túneis subterrâneos na expansão da Linha 2‑Verde do metrô paulista, uma das maiores obras de mobilidade urbana em andamento na capital e na região metropolitana.
O novo tatuzão da expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo chegou ao Brasil em 6 de março, após desembarcar no Porto de São Sebastião, no litoral norte paulista.
Trazida desmontada desde o porto de Taicang, na China, a tuneladora será usada na escavação de cerca de 7 quilômetros de túneis entre a futura estação Penha e a estação Dutra, na divisa com Guarulhos.
Gigante subterrâneo chega ao Brasil para obra do metrô
O porte do equipamento ajuda a dimensionar a operação.
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Segundo o governo paulista, a máquina tem 133 metros de comprimento, 11,67 metros de diâmetro na roda de corte e peso aproximado de 2.600 toneladas.
Com essas medidas, passou a ser apresentada como a maior tuneladora já utilizada em obras metroviárias no Brasil e na América Latina.
A chegada ocorreu sem o tipo de exposição pública comum em grandes empreendimentos de infraestrutura.

Em vez de cerimônia de lançamento ou espetáculo visual, o desembarque foi tratado como uma etapa logística de alta complexidade.
O equipamento veio em partes, armazenado para os trâmites aduaneiros e, depois disso, seguirá por via terrestre até o canteiro da futura estação Penha, onde será montado ao longo dos próximos meses.
Como será o trajeto da expansão da Linha 2‑Verde
Essa movimentação discreta contrasta com a relevância da máquina para a obra.
O novo tatuzão será responsável pelo trecho que levará a Linha 2-Verde além da capital, em direção a Guarulhos.
No trajeto previsto, a tuneladora deve passar pelas futuras estações Penha de França, Gabriela Mistral, Fernão Dias e Ponte Grande antes de chegar à região da Dutra.
Tecnologia e funcionamento da tuneladora
O equipamento foi fabricado pela empresa chinesa China Railway Engineering Equipment Group, a CREG, e é do tipo Dual Mode.
Na prática, isso significa que pode operar tanto no sistema de pressão balanceada de terra, indicado para terrenos mais instáveis, quanto em modo aberto, usado em trechos rochosos.
Essa versatilidade é considerada estratégica em uma obra subterrânea longa, executada sob áreas densamente urbanizadas e com diferentes condições geológicas.
A capacidade operacional também chama atenção.
De acordo com as informações oficiais divulgadas pelo Estado, a produção média pode chegar a 15 metros por dia em solo e a cerca de 10 metros por dia em rocha.
Além da roda de corte, a estrutura inclui sistemas de transporte do material escavado, ventilação, câmara hiperbárica e mecanismos para instalação das aduelas de concreto que formam o revestimento dos túneis.

Outra tuneladora já atua na obra do metrô
O avanço da obra, porém, não depende apenas desse novo gigante.
A expansão da Linha 2-Verde já conta com a atuação da tuneladora Cora Coralina, que concluiu em 30 de maio de 2025 a primeira etapa de escavações entre o poço Falchi Gianini e o trecho que atende as futuras estações Orfanato, Santa Clara, Anália Franco e Vila Formosa.
Nessa fase, o Metrô informou ter construído 3,7 quilômetros de túneis, retirado 394 mil metros cúbicos de terra e instalado 2.456 anéis de concreto.
Depois dessa etapa, a Cora Coralina começou a ser desmontada para ser transferida ao canteiro da futura estação Penha, onde dará sequência à segunda fase da expansão até a própria Penha.
O Metrô informa que essa tuneladora tem 100 metros de comprimento, 2.500 toneladas e roda de corte de 11,66 metros de diâmetro, o que evidencia o salto de escala representado pelo novo equipamento recém-chegado ao país.
Duas máquinas escavando ao mesmo tempo
A presença de duas tuneladoras no conjunto da expansão muda o ritmo esperado da obra.
Enquanto a Cora Coralina segue associada ao trecho entre Vila Prudente e Penha, o novo tatuzão ficará concentrado na frente que avança em direção à Dutra.
Com isso, o governo estadual projeta acelerar a abertura de túneis em frentes distintas, reduzindo o risco de concentrar todo o cronograma em um único equipamento.
No caso do novo tatuzão, a previsão oficial é que as escavações comecem no segundo semestre, após a conclusão do transporte terrestre, da montagem e dos procedimentos técnicos necessários para a entrada em operação.
O Estado estima que cerca de 150 profissionais atuem diretamente no funcionamento da máquina, em regime de três turnos diários.
Impacto da expansão da Linha 2‑Verde na mobilidade
A expansão da Linha 2-Verde se tornou uma das principais apostas do governo paulista para redistribuir a demanda da rede sobre trilhos e ampliar a oferta de transporte na zona leste.
Na etapa em andamento entre Vila Prudente e Penha, o Metrô prevê 8,3 quilômetros de vias e oito novas estações.
Segundo a companhia, essa ampliação deve beneficiar cerca de 1,2 milhão de pessoas por dia, além de reforçar conexões com a Linha 3-Vermelha, a Linha 11-Coral e, futuramente, a Linha 16-Violeta.
Esse contexto ajuda a explicar por que a chegada da tuneladora, embora pouco visível para a maior parte da população, é tratada como um marco operacional.
Em obras desse porte, a máquina não representa apenas força bruta.
Ela concentra tecnologia de escavação, controle de pressão, transporte interno de material e montagem do revestimento do túnel em sequência contínua, reduzindo interferências na superfície e elevando o padrão de segurança do processo.
Também por isso o desembarque em São Sebastião teve peso logístico.
O porto recebeu uma carga fora do padrão, com milhares de toneladas distribuídas em componentes que exigem planejamento específico de movimentação e armazenagem.
A operação foi classificada pelo governo paulista como estratégica tanto para a obra metroviária quanto para demonstrar a capacidade do terminal de receber cargas de grande porte destinadas a projetos de infraestrutura.
Ao chegar ao canteiro da Penha, o equipamento será remontado peça por peça até recuperar sua configuração completa.
Só então começará o trabalho subterrâneo que deve abrir o caminho físico para a expansão até a Dutra.
Quando entrar em operação, o tatuzão vai avançar sob bairros densamente ocupados, instalando as estruturas do túnel à medida que perfura o solo, em um processo contínuo que costuma passar despercebido por quem circula na superfície.
A obra já alterou o mapa da Linha 2-Verde dentro da capital e agora entra em uma etapa que prepara a chegada do metrô a Guarulhos.
Nesse cenário, a máquina que cruzou o oceano desmontada e sem alarde passa a ocupar posição central em uma das maiores frentes de expansão do sistema paulista sobre trilhos.


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