A AEL Sistemas é responsável pelos aviônicos do caça F-39E Gripen, a aeronave de defesa mais avançada já produzida no Brasil. A empresa gaúcha desenvolveu a tela panorâmica, o visor de capacete e o sistema de comunicação criptografada que compõem o cérebro tecnológico do caça.
A apresentação do primeiro caça F-39E Gripen produzido no Brasil trouxe à tona um dado que ainda surpreende muita gente: o núcleo digital da aeronave militar mais avançada do país foi desenvolvido por uma empresa gaúcha. A AEL Sistemas, com sede no Rio Grande do Sul, é a responsável por projetar e produzir os principais sistemas aviônicos que equipam o caça, incluindo a tela panorâmica de alta resolução, o visor de capacete e o sistema de comunicação tática criptografada.
O protagonismo da AEL no programa Gripen representa um marco na indústria de defesa brasileira. Em vez de simplesmente importar tecnologia pronta, o Brasil desenvolveu internamente componentes críticos que definem a capacidade operacional do caça sistemas que determinam como o piloto enxerga o campo de batalha, processa informações e se comunica de forma segura com outros aviões e centros de comando.
A tela panorâmica que muda a forma como o piloto opera o caça
Entre os componentes desenvolvidos pela AEL Sistemas, o de maior destaque é o Wide Area Display (WAD) uma tela panorâmica de alta resolução que consolida em uma única interface todas as informações essenciais para a operação do caça.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
-
Aos 15 anos, uma americana construiu um gerador oceânico com cano de PVC e hélice de impressora 3D por R$ 61, ganhou um prêmio nacional, apresentou o projeto na Casa Branca e entrou na lista Forbes 30 Under 30
Dados de radar, sensores eletro-ópticos, navegação, guerra eletrônica e sistemas de missão aparecem organizados em uma tela configurável e sensível ao toque, permitindo que o piloto tenha uma visão tática completa sem precisar alternar entre múltiplos painéis.
Na prática, essa tecnologia reduz o que especialistas chamam de carga cognitiva a quantidade de informações que o cérebro do piloto precisa processar simultaneamente durante o voo. Em um cenário de combate, onde decisões precisam ser tomadas em frações de segundo, a diferença entre uma interface bem projetada e uma desorganizada pode determinar o resultado de uma missão.
O fato de essa tela ter sido desenvolvida e produzida inteiramente no Brasil, pela AEL, é significativo porque coloca o país em um grupo restrito de nações com domínio sobre esse tipo de tecnologia aviônica para aeronaves de caça.
Visor de capacete e HUD ampliam a percepção do piloto do caça
Além da tela panorâmica, a AEL Sistemas desenvolveu outros dois sistemas que complementam a arquitetura aviônica do caça F-39E Gripen.
O primeiro é o Head-Up Display (HUD), que projeta dados essenciais de voo como altitude, velocidade e direção diretamente no campo de visão do piloto, sem que ele precise baixar os olhos para consultar os instrumentos do painel.
O segundo é o Helmet Mounted Display (HMD), um visor integrado ao capacete do piloto que representa um salto tecnológico na operação de aeronaves de caça.
O HMD projeta informações de combate diretamente na viseira do capacete, o que significa que o piloto pode acompanhar dados táticos simplesmente olhando ao redor da cabine, sem precisar manter os olhos fixos em uma direção específica.
Isso amplia a percepção espacial e a capacidade de resposta em situações complexas, como combates aéreos em que múltiplas ameaças se movem simultaneamente.
O sistema de comunicação criptografada que protege as operações do caça
Outro componente estratégico desenvolvido pela AEL é o Link-BR2, um sistema de comunicação tática criptografada que permite a troca segura de dados entre aeronaves e centros de comando em tempo real.
Em operações militares modernas, a capacidade de compartilhar informações de forma rápida e protegida é tão importante quanto o armamento do caça, porque possibilita coordenação entre múltiplas aeronaves, controle coordenado de missões e resposta integrada a ameaças.
O Link-BR2 foi projetado para funcionar em um ambiente cada vez mais digitalizado, onde a segurança da informação é crítica. Sistemas de comunicação não criptografados ou vulneráveis podem comprometer operações inteiras, expondo posições, rotas e estratégias a adversários.
O fato de o Brasil ter desenvolvido internamente esse sistema, em vez de depender de tecnologia estrangeira, fortalece a soberania tecnológica do país no setor de defesa e garante que o caça F-39E Gripen opere com um canal de comunicação cujo código é controlado nacionalmente.
Por que o Gripen tem cérebro digital brasileiro
A participação da AEL Sistemas no programa do caça F-39E Gripen não é acidental. Faz parte de um acordo de transferência de tecnologia entre o Brasil e a Suécia, firmado quando o governo brasileiro escolheu o Gripen como o novo caça da Força Aérea Brasileira.
O acordo previa que empresas brasileiras participariam ativamente do desenvolvimento e da produção de componentes da aeronave, e não apenas da montagem final.
A AEL, que já tinha experiência em sistemas eletrônicos para defesa, foi selecionada para assumir os aviônicos o conjunto de sistemas eletrônicos que forma o cérebro operacional do caça.
Isso inclui não apenas os displays e o sistema de comunicação, mas toda a arquitetura integrada de hardware e software que garante a interoperabilidade entre os diferentes sensores e sistemas de missão da aeronave.
O resultado é que o Gripen produzido no Brasil não é uma simples montagem de peças importadas, mas um caça com componentes tecnológicos críticos genuinamente desenvolvidos em território nacional.
O que o protagonismo gaúcho significa para a indústria de defesa
A atuação da AEL Sistemas no programa Gripen evidencia um avanço concreto da indústria brasileira de defesa.
Desenvolver aviônicos para um caça de última geração exige domínio de engenharia de sistemas, processamento de sinais, interfaces homem-máquina e criptografia de nível militar competências que, uma vez adquiridas, podem ser aplicadas em outros projetos de defesa e até em setores civis como aviação comercial e sistemas de monitoramento.
Para o Rio Grande do Sul, o protagonismo da AEL reforça a presença do estado em um segmento de altíssimo valor agregado.
O fato de o cérebro digital do caça mais avançado do Brasil ter sido desenvolvido por uma empresa gaúcha mostra que a base industrial do país vai além dos polos tradicionais e que investimentos em tecnologia de ponta podem gerar resultados estratégicos a partir de qualquer região.
Com informações do portal Aeroin.
O que você achou de saber que os aviônicos do Gripen são desenvolvidos no Rio Grande do Sul? Acredita que o Brasil deveria investir mais na indústria de defesa nacional? Deixe sua opinião nos comentários.

Ficou muito feliz de ler um artigo com informações positivas sobre nossa capacidade de agregar valor de alta performance tecnológica. O Rio Grande do Sul, tem uma boa base de indústria nacional de tecnologia que pode contribuir permanentemente com nossa indústria de defesa.