Ricardo Faria, o Rei do Ovo, transformou a Granja Faria de Lauro Müller em uma multinacional que opera no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. A compra da americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão criou uma plataforma global com receita estimada em mais de US$ 2 bilhões e posicionou o catarinense entre os maiores produtores de ovos do planeta.
O empresário que o mercado conhece como Rei do Ovo percorreu um caminho que desafia qualquer manual de negócios. Ricardo Castellar Faria fundou a Granja Faria em 2006, construiu a maior produtora de ovos comerciais, férteis e pintos do Brasil, e agora comanda uma operação que se estende por três continentes. A empresa com sede em Lauro Müller produz cerca de 16 milhões de ovos por dia, emprega 2,7 mil pessoas em 34 unidades distribuídas por dez estados e exporta para 17 países. Mas foi a decisão de comprar a Hillandale Farms, maior produtora de ovos dos Estados Unidos, por US$ 1,1 bilhão, que colocou Faria em outro patamar de competição global.
A aquisição americana não foi um lance isolado. Em novembro de 2024, a Global Eggs, holding internacional criada por Faria com sede em Luxemburgo, já havia comprado o Grupo Hevo, um dos maiores produtores de ovos da Espanha, por 120 milhões de euros. Com operações consolidadas no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, o Rei do Ovo montou em menos de dois anos uma plataforma multinacional que rivaliza com os maiores players do setor de proteína animal do mundo.
De vendedor de picolé em Criciúma a bilionário da Forbes
A trajetória de Ricardo Faria começa longe do universo dos ovos. Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, ele se mudou para Criciúma, em Santa Catarina, ainda criança, depois que o pai médico recebeu uma proposta de trabalho na região. Aos 8 anos, vendia picolé na praia durante as férias escolares. Aos 15, fez intercâmbio na Califórnia, onde ficou impressionado com o setor agrícola americano e decidiu trocar a medicina pela agronomia. Formou-se engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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Antes de se tornar o Rei do Ovo, Faria fundou a Lavebras, uma lavanderia industrial que chegou a operar mais de 70 unidades no Brasil. Em 2017, vendeu a empresa para o grupo francês Elis por R$ 1,3 bilhão. Com o capital e a experiência acumulados, direcionou seus esforços para a Granja Faria, que já operava desde 2006 a partir de Nova Mutum, no Mato Grosso. Em 2013, a empresa chegou a Lauro Müller após a aquisição da Avícola Catarinense, consolidando a sede no Sul de Santa Catarina.
Como a Granja Faria se tornou a maior produtora de ovos do Brasil
O crescimento da Granja Faria seguiu uma lógica de escala e integração vertical que poucos concorrentes conseguiram replicar. Enquanto muitos produtores tratavam ovos como simples commodity, Faria investiu na integração de produção, distribuição e inovação, transformando cada etapa da cadeia em vantagem competitiva. A empresa alcançou a marca de 16 milhões de ovos por dia e conquistou cerca de 10% do mercado nacional, com presença em estados como Goiás, Mato Grosso, Paraná e São Paulo.
A exportação para 17 países, incluindo Alemanha, África do Sul e Arábia Saudita, mostrou que a operação brasileira tinha capacidade de competir internacionalmente. A diversificação também fez parte da estratégia: Faria fundou a Insolo, voltada à gestão agrícola de grãos e fibras, e a Fertifar, de fertilizantes, consolidando um ecossistema empresarial robusto sob a holding RCF Capital. Em 2024, o empresário entrou na lista de bilionários da Forbes com patrimônio estimado em R$ 17,45 bilhões, ocupando a 21ª posição nacional.
A jogada de US$ 1,1 bilhão que levou o Rei do Ovo aos Estados Unidos

Segundo informações divulgadas pelo portal da NSC, a compra da Hillandale Farms representou a maior transação da história da Granja Faria e a entrada direta do Rei do Ovo no mercado americano. A operação foi estruturada pela Global Eggs, holding internacional que concentra todos os ativos de Faria fora do Brasil, e contou com a participação de bancos como BTG Pactual, JP Morgan, Morgan Stanley, Bank of America, Itaú BBA e Santander na estruturação do financiamento.
A Hillandale Farms é uma das maiores produtoras de ovos dos Estados Unidos, e sua incorporação à Global Eggs criou uma plataforma com receita combinada estimada em mais de US$ 2 bilhões entre as operações no Brasil, na Europa e na América do Norte. O plano original era manter a produção brasileira exportando para os EUA enquanto a Hillandale atendia a demanda local, mas as tarifas de 50% impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros forçaram uma readequação: as exportações de ovos para os Estados Unidos foram suspensas, e a produção local passou a compensar esse volume.
O que vem pela frente para o império do Rei do Ovo
A Global Eggs opera hoje como uma multinacional de fato, com presença em três continentes e ambição de abrir capital nos Estados Unidos. A estratégia de longo prazo de Faria é posicionar a empresa como líder global no setor de ovos, um mercado que movimenta centenas de bilhões de dólares por ano e que, diferentemente de outras proteínas animais, apresenta crescimento consistente impulsionado por demanda em países emergentes e pela busca por fontes de proteína acessíveis.
Os desafios, no entanto, são proporcionais à ambição. As tarifas americanas sobre importações brasileiras já obrigaram a Global Eggs a redirecionar volumes e acelerar a expansão de aviários nos Estados Unidos e na Europa. A competição com gigantes do setor, a volatilidade cambial e as exigências sanitárias de cada mercado exigem uma gestão que vai muito além da eficiência produtiva que fez a Granja Faria crescer no Brasil. Para o Rei do Ovo de Lauro Müller, a próxima etapa é provar que um empresário catarinense que começou vendendo picolé pode competir de igual para igual com os maiores produtores de alimentos do planeta.
Você conhecia a história do Rei do Ovo ou é a primeira vez que ouve falar de um catarinense que comanda uma multinacional de ovos em três continentes? Conte nos comentários o que pensa sobre a trajetória de Ricardo Faria e se acredita que o Brasil pode se tornar referência global nesse mercado.
