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O café que já foi reaproveitado em biocombustível, concreto e obras de estradas agora ganha uma nova função inesperada: virar um isolante sustentável com capacidade seis vezes maior e potencial real para substituir espumas derivadas do petróleo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 13/04/2026 às 11:34
Atualizado em 13/04/2026 às 16:07
Pesquisa mostra que borra de café pode virar isolante sustentável com capacidade seis vezes maior e uso semelhante ao isopor.
Pesquisa mostra que borra de café pode virar isolante sustentável com capacidade seis vezes maior e uso semelhante ao isopor.
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A borra de café, que já vinha sendo reaproveitada em biocombustível, concreto e até material para estradas, agora também entra no campo do isolamento térmico após pesquisa na China mostrar um composto sustentável com capacidade até seis vezes maior e desempenho próximo ao de espumas derivadas do petróleo

O café consumido em escala global todos os dias vem gerando um volume massivo de resíduos, e uma nova pesquisa aponta uma saída para parte desse problema: transformar a borra descartada em material isolante com potencial para substituir produtos derivados do petróleo.

A proposta foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Agrícola de Shenyang, na China, e busca dar uso funcional a um resíduo que hoje costuma terminar em aterros.

Em todo o mundo, mais de dois bilhões de xícaras são consumidas diariamente, o que resulta em uma grande quantidade de borra de café descartada. Embora parte desse material ainda seja reaproveitada em jardins ou compostagem, a maior parte é descartada sem aproveitamento.

As estimativas sobre o volume anual desse resíduo variam de 8 milhões a 60 milhões de toneladas. Nos aterros, a borra de café pode favorecer a liberação de metano e dióxido de carbono, além de contribuir para episódios de combustão espontânea.

Café descartado vira matéria-prima

A busca por novas aplicações para esse resíduo tem avançado à medida que o consumo de café continua produzindo matéria-prima em larga escala. Entre os usos já explorados estão a conversão em biocombustível, o reaproveitamento em estradas, o uso para reforçar concreto e a transformação em material para impressão 3D.

Também existem pesquisas que investigam o emprego de resíduos de café em pontos quânticos de carbono com potencial de proteção contra mecanismos microbiológicos ligados a doenças neurodegenerativas. Agora, o foco da equipe chinesa se voltou ao isolamento térmico, área em que tentativas anteriores encontraram limitações técnicas.

O principal obstáculo era a baixa porosidade da borra de café, de cerca de 40%. Como a retenção de ar é central para o desempenho de um isolante, esse nível não era suficiente para competir com materiais convencionais.

Processo aumenta porosidade e preserva estrutura

Para contornar o problema, os pesquisadores converteram a borra em biochar, uma substância semelhante ao carvão vegetal produzida a partir de materiais orgânicos. O processo começou com a secagem da borra em estufa a 80 °C por uma semana, seguida de aquecimento a 700 °C por uma hora.

Essa etapa transformou o resíduo em biochar e elevou a porosidade de 40% para 71%. A partir daí, a equipe passou a trabalhar em uma forma de manter essa estrutura porosa durante a produção de um compósito utilizável.

A estratégia adotada foi chamada de “restauração de poros”. O biochar foi pré-misturado com propilenoglicol para preencher os poros, e depois recebeu pó de etilcelulose, que formou uma matriz capaz de dar sustentação ao material.

Na sequência, a mistura foi comprimida em um molde aquecido a 150 °C por 10 minutos. Depois, permaneceu em estufa a vácuo a 80 °C por uma hora, etapa usada para remover o propilenoglicol sem eliminar os poros mantidos no interior da estrutura.

Desempenho se aproxima de material comercial

O resultado foi um material com desempenho térmico significativamente superior ao da etilcelulose pura. A condutividade térmica do composto caiu de 0,24 por metro por Kelvin para 0,04 quando combinada ao biochar, o que representou um ganho de seis vezes na capacidade de isolamento.

Com esse nível de desempenho, o material se tornou comparável ao poliestireno expandido comercial. Nos testes realizados em painéis solares, o compósito conseguiu limitar de forma eficaz a transferência de calor dos painéis para o ambiente.

Para os autores, a proposta reúne melhora técnica e reaproveitamento de resíduos em uma mesma solução. O coautor Seong Yun Kim afirmou que a abordagem contribui para a economia circular ao transformar descarte em produto funcional, reduzindo impactos ambientais e abrindo novas possibilidades para materiais sustentáveis.

O estudo foi publicado na revista Biochar e apresenta uma nova rota para o aproveitamento da borra de café em aplicações térmicas. Ao avançar sobre um resíduo abundante e recorrente, a pesquisa amplia o campo de uso do café para além do consumo e o insere também na produção de materiais.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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