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O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a receber o Gripen F, a versão de dois lugares do caça da Saab, apresentada na Suécia com participação direta de engenheiros brasileiros, num marco do programa que prevê 36 aeronaves para modernizar a Força Aérea Brasileira até 2032

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/06/2026 às 17:07
Atualizado em 04/06/2026 às 17:11
Assista o vídeoO Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.
O Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.
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A entrega oficial ainda virá depois de uma fase de testes, mas a apresentação já coloca o país na dianteira da nova variante. O detalhe que mais importa para o Brasil não é o segundo assento em si, e sim a transferência de tecnologia que treinou centenas de engenheiros brasileiros e leva parte da produção para São Paulo.

O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a ter um Gripen F, a versão de dois lugares do caça da fabricante sueca Saab. A aeronave foi apresentada em 2 de junho de 2026 numa cerimônia em Linköping, na Suécia, com participação direta de engenheiros brasileiros em seu desenvolvimento, num marco do programa que prevê a entrega de 36 caças para modernizar a Força Aérea Brasileira ao longo dos próximos anos.

É preciso, no entanto, ser preciso quanto à etapa: o evento de 2 de junho foi a apresentação oficial do primeiro Gripen F, conhecido no Brasil como F-39F, e não a entrega final. Antes de chegar ao país, a aeronave ainda passará por uma campanha de testes de voo no centro da Saab, na Suécia. Vale também esclarecer que esta reportagem trata do tema de forma informativa, sem caráter publicitário, e que parte das qualidades operacionais descritas a seguir parte da própria fabricante, devendo ser entendida nesse contexto.

O que é o Gripen F

O Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.
A nova variante tem uma diferença visível, mas vai além dela. 

O Gripen F é a versão biposto, ou seja, de dois assentos, do caça Gripen E, mantendo os mesmos sensores, sistemas de missão, motor e capacidade de armamento da versão de um lugar, mas acrescentando uma segunda cabine totalmente independente, o que muda a forma como a aeronave pode ser usada em treinamento e em operações.

Segundo informações técnicas divulgadas, o F-39F é cerca de 70 centímetros mais longo que o modelo de um assento e não traz o canhão interno de 27 milímetros presente no Gripen E, por causa das mudanças estruturais necessárias para acomodar o segundo posto de pilotagem.

A proposta da Saab é que ele sirva tanto como plataforma de treinamento avançado quanto como caça plenamente operacional, capaz de cumprir missões reais, e não apenas como um avião-escola.

Por que a versão de dois lugares importa

O Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.
O segundo assento tem uma função estratégica no preparo dos pilotos. 

De acordo com a Saab, a segunda cabine permite que um instrutor acompanhe missões a bordo de um caça plenamente operacional, possibilitando que pilotos em formação treinem em condições reais de combate, o que, segundo a empresa, reduziria o tempo e o custo de preparação em comparação com o caminho tradicional de treinamento.

Historicamente, tornar-se piloto de caça exige passar por várias aeronaves diferentes, do treinador básico aos jatos intermediários, até chegar ao caça de linha de frente.

A fabricante argumenta que o Gripen F encurta esse percurso ao permitir que o piloto treine no mesmo modelo que usará em operações.

Em ambientes de maior risco, a empresa afirma ainda que dois tripulantes podem dividir tarefas, com apoio de inteligência artificial, embora esse tipo de vantagem operacional seja apresentado pela própria Saab e dependa de avaliação prática.

O contrato e o programa de modernização

A chegada do Gripen F se insere em um acordo de longo prazo. 

O programa nasce de um contrato assinado em 2014 entre a Saab e o governo brasileiro, que prevê 36 caças no total, sendo 28 da versão de um assento, o Gripen E, e oito da versão de dois assentos, o Gripen F, com valor estimado em torno de 5,4 bilhões de dólares, voltado à modernização da frota da Força Aérea Brasileira.

As entregas tiveram início em 2020 e, até o momento, 11 das 36 aeronaves já foram repassadas ao Brasil, segundo a Saab.

A apresentação do primeiro Gripen F inicia a próxima fase desse cronograma.

No Brasil, a aeronave recebe a designação F-39, substituindo gradualmente caças mais antigos e representando um dos maiores programas de reaparelhamento militar do país nas últimas décadas, conduzido ao longo de vários anos.

A participação brasileira e a transferência de tecnologia

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Este é, possivelmente, o ponto mais relevante para o país. 

Mais do que comprar caças prontos, o Brasil participou ativamente do desenvolvimento do Gripen F como cliente lançador, e o contrato inclui um amplo programa de transferência de tecnologia que treinou centenas de engenheiros e técnicos brasileiros na Suécia, com o objetivo de capacitar o país a manter, modificar e até produzir sistemas derivados do caça internamente.

A Embraer, principal parceira local da Saab, monta aeronaves Gripen em sua fábrica de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e em março de 2026 apresentou o primeiro Gripen E montado em solo brasileiro.

A lógica do programa é evitar uma dependência permanente do apoio sueco e fortalecer a indústria aeroespacial nacional, deixando no país conhecimento e capacidade técnica de longo prazo, algo considerado estratégico para a soberania na área de defesa.

Como o caça surgiu e quem mais o adota

Curiosamente, a própria existência do Gripen F tem origem nas necessidades brasileiras. 

A Suécia não planejava inicialmente desenvolver uma versão de dois assentos do Gripen E, pretendendo usar os antigos Gripen D para o treinamento, mas os requisitos da Força Aérea Brasileira foram determinantes para que a variante biposto fosse criada, o que reforça o papel do Brasil no projeto.

Desde então, o modelo passou a despertar interesse de outros países.

Segundo a Saab, além do Brasil, que é o cliente lançador, o Gripen F também já foi encomendado pela Tailândia e pela Colômbia, ampliando a base de operadores da aeronave.

Ainda assim, é o programa brasileiro, pela escala e pela profundidade da parceria industrial, que aparece como o carro-chefe dessa nova fase do caça sueco.

A apresentação do primeiro Gripen F marca um momento importante para a Força Aérea Brasileira e para a indústria de defesa do país, que deixa de ser apenas compradora para se tornar parte ativa do desenvolvimento de um caça de última geração.

Com a entrega final ainda dependente de uma fase de testes, o que se destaca não é apenas a aeronave em si, mas o conhecimento transferido a engenheiros brasileiros e o fortalecimento da produção nacional.

Mais do que um avião de combate, o programa é acompanhado de perto por quem se interessa por tecnologia, defesa e pela autonomia do Brasil em um setor estratégico.

E você, o que acha do programa que trouxe o Gripen F para o Brasil e da participação da indústria nacional no projeto? Considera importante o país investir em tecnologia de defesa e na formação de engenheiros? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião com respeito às diferentes visões e ajude a divulgar a matéria para quem acompanha aviação, tecnologia e defesa.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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