O Brasil não merece ser retardado em seu crescimento e desenvolvimento, por medidas que interferem na gestão de uma empresa como a Petrobras

Flavia Marinho
por
-
23-07-2021 15:16:42
em Petróleo, Óleo e Gás
petrobras - empregos - brasil - óelo e gás - investimentos Petroleiros com a bandeira do Brasil em plataforma offshore da Petrobras / Imagem Google

Proteger alguns empregos em atividades sem atratividade ou desenvolver o país? Indaga, o pesquisador do INOG – Instituto Nacional de Óleo e Gás/CNPq, Cleveland M. Jones


Como mídia respeitável, nós do Click Petróleo e Gás, defendemos a democracia e damos espaço a diversos pontos de vista. Com base nessa premissa, decidimos publicar o parecer do pesquisador do INOG – Instituto Nacional de Óleo e Gás/CNPq, Cleveland M. Jones, como resposta a matéria publicada por nós na última quarta-feira (21/07) Oferta milionária faz Petrobras, a maior petroleira do Brasil, abrir mão do campo de petróleo Papa-Terra e reduzir ainda mais sua presença na Bacia de Campos.

Leia também

Empregos: precisamos entender o que está em jogo

De acordo com o parecer do Dr. Cleveland M. Jones, “sempre que ouvimos críticas aos desinvestimentos da Petrobras, porque resultarão na redução de empregos, precisamos entender o que está em jogo. Ou queremos que a Petrobras continue como cabide de empregos, tanto de indicados políticos como de empregados em atividades com relativamente pouca atratividade comercial, ou queremos que ela continue no caminho de uma das maiores empresas do setor, em nível global, gerando cada vez mais produção, lucros, riqueza e benefícios, além de orgulho, para o Brasil e os brasileiros”, afirma o executivo.

Se o critério para a avaliação de suas atividades for apenas a geração de empregos, bastaria a ANP ou algum outro órgão do governo obrigar a contratação de empregados para estar ao lado de cada funcionário, mesmo que para fazer nada. Foi assim que muitas ferrovias dos EUA eram operadas até a racionalização trazida pela busca da eficiência e pela quebra de regras trabalhistas sem sentido e que prejudicavam a competitividade da economia.

A busca pelo lucro nada mais é do que a busca pela eficiência. Cabe ao governo fiscalizar e assegurar o cumprimento das leis, não exigir a continuidade da operação de ativos que não têm atratividade para a empresa. Se o governo não tem competência para administrar os interesses estratégicos do país, e somente consegue isso através da Petrobras, que busque ser mais eficaz nas sua atuação estratégica. Cabe exclusivamente ao governo, não ao setor privado, estimular a preservação de empregos através de investimentos com retorno econômico abaixo do que a iniciativa privada exige.

Deixem a Petrobras trabalhar

Deixem a Petrobras trabalhar! Os ganhos dela, repartidos através do government take, serão muito maiores do que os supostos ganhos ilusórios e fugazes da manutenção de alguns empregos em atividades que não interessam à empresa. Com uma interferência indevida nos negócios da Petrobras conseguiremos apenas afugentar os investimentos que o Brasil tanto precisa para produzir sua imensa riqueza petrolífera já conhecida, mas que dificilmente poderá ser monetizada se o Brasil não aumentar sua produção drasticamente, no mais curto prazo possível.

Ou tenhamos a coragem de ser assumir um intervencionismo explícito, exigindo que o foco da empresa sejam os campos maduros, que demandam uso intensivo de recursos humanos, e que deixe de lado o pré-sal e outros plays mais produtivos, mas que empregam proporcionalmente menos funcionários.

Aí, precisaríamos também de coragem para nacionalizar totalmente a Petrobras, algo não impensável, mas que pode ser feito com transparência e dentro de regras do mercado. Infelizmente, o Brasil não tem cacife para indenizar justamente os minoritários, nem aguentaria muito tempo até que seu setor de O&G, totalmente nas mãos de gestores inaptos e descomprometidos, se desfizesse em mais uma bagunça.

O Brasil não merece ser retardado em seu crescimento e desenvolvimento, por medidas que interferem na gestão de uma empresa como a Petrobras, de reconhecida competência em seu ramo, e com gestão profissional e mais transparente, especialmente agora, quando começa a colher os resultados de uma nova época, sem as amarras impostas pela corrupção e intervenção política sofrida no passado.

por – Cleveland M. Jones

Sobre Cleveland M. Jones

Prof. Cleveland M. Jones, DSc
Diretor Técnico e Sócio – Fronteira Energia Ltda. (Fronteira Brasil)
Consultor Associado – CEGeo
Pesquisador do INOG – Instituto Nacional de Óleo e Gás/CNPq
Membro, Geosciences Advisory Board – NXT Energy Solutions
Presidente, Academia Brasileira Ambientalista de Letras – ABAL
Membro, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Prêmio Chico Mendes, Câmara Municipal de Petrópolis, 2019

Tags:
Flavia Marinho
Engenheira de Produção pós graduada em Engenharia Elétrica e Automação. Experiente na indústria de construção naval onshore e offshore. Entre em contato para sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.
fwefwefwefwefwe