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Enquanto comunidades pequenas lutam para manter renda local, Zigurats aposta em criptomoeda própria e transforma água, argila e cosméticos em ativos digitais

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 16/06/2026 às 11:16
Atualizado em 16/06/2026 às 11:18
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Comunidade de Zigurats, em Mato Grosso do Sul, cria criptomoeda própria para movimentar produtos locais e serviços em rede regional
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Comunidade em Mato Grosso do Sul criou um ecossistema digital próprio para movimentar produtos locais, serviços e parceiros em até 200 quilômetros

Em uma região afastada de Mato Grosso do Sul, a comunidade de Zigurats, em Corguinho, passou a chamar atenção por uma proposta incomum, usar criptomoeda própria, blockchain e tokenização para movimentar produtos fabricados no próprio território. A ideia é conectar itens físicos, como água mineral, argila, cosméticos naturais e suplementos, a ativos digitais usados dentro de uma rede de parceiros.

Segundo informações do Primeira Página, a moeda digital criada pela comunidade equivale atualmente a cerca de R$ 13 e pode ser utilizada em estabelecimentos e serviços parceiros em um raio de até 200 quilômetros, incluindo Campo Grande. O modelo não se limita a pagamentos internos, já que também busca transformar produtos locais em representações digitais negociáveis.

A proposta coloca Zigurats em uma discussão que cresce no Brasil: como a tecnologia blockchain pode ser usada fora do universo das grandes corretoras e das criptomoedas mais conhecidas. Nesse caso, o ponto central não é apenas especulação financeira, mas a tentativa de criar uma economia regional própria, baseada em produção, pesquisa e circulação local de riqueza.

O projeto, no entanto, também exige cautela. Especialistas e órgãos reguladores têm reforçado que ativos digitais podem assumir diferentes formatos e, dependendo da estrutura, podem entrar em áreas reguladas do mercado financeiro e de capitais.

Criptomoeda própria tenta resolver um problema antigo de comunidades isoladas

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A criação de uma moeda digital em Zigurats parte de um desafio comum a muitas comunidades afastadas dos grandes centros: manter renda circulando localmente. Quando moradores, produtores e prestadores de serviço dependem apenas de dinheiro tradicional e de mercados externos, parte importante da riqueza costuma sair da região rapidamente.

Criptomoeda própria tenta resolver um problema antigo de comunidades isoladas
Criptomoeda própria tenta resolver um problema antigo de comunidades isoladas (Foto: Divulgação/vídeo/Youtube/Mega Fatos)

No caso da comunidade sul-mato-grossense, a estratégia foi criar um ecossistema em que produtos e serviços possam ser pagos e registrados digitalmente. Isso permite que a moeda seja usada em uma rede de parceiros que inclui áreas como saúde, turismo, hospedagem, comércio, vestuário e combustíveis.

A lógica é parecida com a de moedas sociais ou arranjos econômicos locais, mas com uma diferença importante: a base tecnológica usada é a blockchain, a mesma infraestrutura que registra transações de diferentes criptoativos. Em termos simples, esse tipo de sistema funciona como um livro de registros digital compartilhado, no qual cada operação fica gravada e pode ser verificada.

Essa característica ajuda a explicar por que o projeto chama atenção. Em vez de depender apenas de controles internos tradicionais, a comunidade afirma usar tecnologia para registrar circulação de valores, ampliar a confiança entre participantes e organizar a relação entre produtos físicos e ativos digitais.

Produtos locais viram ativos digitais em modelo baseado em tokenização

Um dos pontos mais relevantes da iniciativa é a tokenização. Na prática, tokenizar significa transformar um bem, direito ou produto em uma representação digital registrada em uma rede blockchain. Assim, um item físico continua existindo no mundo real, mas passa a ter uma versão digital associada a ele.

De acordo com material técnico da Anbima sobre tokenização de ativos, esse processo permite representar digitalmente valor econômico e direitos ligados a ativos reais. A associação também aponta que a tecnologia pode ampliar a eficiência de operações e abrir caminho para novos modelos de negócio em mercados financeiros e de capitais.

Produtos locais viram ativos digitais em modelo baseado em tokenização
Produtos locais viram ativos digitais em modelo baseado em tokenização (Foto: Divulgação/vídeo/Youtube/Mega Fatos)

Em Zigurats, a proposta envolve produtos como argila medicinal, água mineral, cosméticos naturais, óleos essenciais e suplementos alimentares. Esses itens são apresentados pela comunidade como resultado de pesquisas locais e de uma estratégia de autossustentabilidade.

A tokenização, nesse contexto, pode servir para registrar a origem dos produtos, organizar transações e criar uma ponte entre produção física e negociação digital. Para pequenos ecossistemas econômicos, esse tipo de estrutura pode funcionar como uma vitrine tecnológica, especialmente quando há uma rede de parceiros disposta a aceitar os ativos.

Mas é justamente nesse ponto que a atenção regulatória se torna importante. Quando um token passa a ser oferecido como investimento, promessa de retorno ou participação em ganhos futuros, ele pode deixar de ser apenas uma ferramenta de uso interno e entrar em uma zona mais sensível do ponto de vista legal.

Blockchain ajuda a registrar transações, mas não elimina riscos

A blockchain é frequentemente apresentada como uma tecnologia de segurança porque dificulta alterações posteriores no histórico das transações. Cada registro é organizado em blocos e validado conforme as regras da rede, criando uma trilha digital verificável.

Isso não significa, porém, que todo projeto baseado em blockchain seja automaticamente seguro ou livre de riscos. A tecnologia registra operações, mas não garante sozinha a qualidade do produto, a viabilidade do negócio ou a liquidez de um token.

No caso de Zigurats, a força do projeto depende de fatores concretos: existência dos produtos, capacidade de produção, aceitação por parceiros, clareza nas regras de uso da moeda e transparência para quem compra ou utiliza os ativos digitais. Sem esses elementos, qualquer ecossistema desse tipo pode enfrentar dificuldade para crescer além do grupo inicial de participantes.

Outro ponto importante é a diferença entre uma criptomoeda usada como meio de troca em uma rede fechada e um ativo oferecido amplamente como investimento. Para o consumidor, essa distinção precisa estar clara. Usar um token para comprar um produto não é a mesma coisa que investir esperando valorização.

Zigurats mistura autossustentabilidade, pesquisa e imagem futurista

Zigurats não é uma comunidade comum. Localizada em Corguinho, na região centro-norte de Mato Grosso do Sul, ela ficou conhecida nacionalmente por suas construções de arquitetura incomum, pelo vínculo com o grupo Dákila Pesquisas e por narrativas que misturam tecnologia, sustentabilidade e mistério.

De acordo com o Poder Executivo de Corguinho, a cidade foi planejada com proposta de autossustentabilidade, incluindo abastecimento de água próprio, produção de alimentos, sistema financeiro e tecnologias desenvolvidas por pesquisadores ligados ao projeto. A comunidade também se destaca por estruturas cilíndricas, cúpulas e uma organização urbana fora do padrão tradicional.

A própria história de Zigurats ajuda a explicar o interesse do público. O local ganhou projeção após a suposta aparição do ET Bilu, em 2010, episódio que marcou sua imagem na internet e na cultura popular. Agora, o foco divulgado pela comunidade busca ir além da curiosidade e se concentrar em tecnologia, produtos naturais e ativos digitais.

Essa mudança de narrativa é importante. Para a comunidade, a criptomoeda própria e a tokenização funcionam como uma tentativa de mostrar que o projeto não se resume ao imaginário popular, mas envolve uma proposta econômica estruturada.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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