Estudo revela que o recuo das geleiras pode expor uma área do tamanho da Pensilvânia e liberar o acesso a depósitos de ouro e platina, forçando países a discutirem quem manda no continente gelado.
O fenômeno do aquecimento global poderá expor uma área de terra livre de gelo equivalente ao tamanho da Pensilvânia na Antártida até o ano 2300, alterando profundamente a geografia e a geopolítica do continente.
Um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change indica que o derretimento do gelo, a elevação do nível do mar e a recuperação da terra vão transformar drasticamente a disponibilidade de recursos na região. A análise é pioneira ao incorporar o ajuste isostático glacial, que explica como o solo sob espessas camadas de gelo se eleva após o recuo da cobertura congelada.
O processo de emersão de novas terras
A paisagem sob a camada de gelo antártica é composta por montanhas, vales, cânions e vulcões que começam a ser revelados conforme o clima aquece. As projeções anteriores sobre a emersão de terra livre de gelo focavam apenas no deslocamento das margens e na extensão espacial da cobertura.
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O novo modelo desenvolvido pela geofísica Erica Lucas, da Universidade da Califórnia, incluiu variáveis como a espessura da litosfera e o efeito da ausência da atração gravitacional do gelo na elevação do solo.
Sob diferentes cenários de derretimento provocados pelo aquecimento global, as estimativas de terra emersa até o ano 2300 variam consideravelmente.
Em condições de baixo derretimento, a projeção é de 149 quilômetros quadrados, enquanto um cenário médio aponta para 36.381 quilômetros quadrados. Já em um contexto de alto derretimento de gelo, a área descoberta pode alcançar 120.610 quilômetros quadrados de nova superfície terrestre.
Recursos minerais sob o gelo em recuo
A emersão de novas áreas desperta o interesse de países devido ao potencial de recursos minerais valiosos localizados nessas zonas. Nas regiões que devem ficar livres de gelo até 2300, existem depósitos conhecidos ou suspeitos de ouro, prata, cobre, ferro e platina. Estes elementos são considerados metais valiosos e minerais essenciais para a atividade industrial global.
A maior parte da emersão de terra deve ocorrer em territórios reivindicados por Argentina, Chile e Reino Unido. Essas áreas específicas contêm uma variedade de depósitos minerais, o que pode intensificar o foco sobre o potencial econômico do continente.
Atualmente, o Tratado da Antártica restringe a exploração desses recursos exclusivamente para fins de pesquisa científica, proibindo a extração comercial.
Impactos na governança e nos tratados internacionais
As transformações territoriais causadas pelo aquecimento global podem pressionar o arcabouço legal que rege a região antártica.
Caso a extração de minerais se torne mais acessível devido ao recuo do gelo, os países com reivindicações territoriais teriam incentivos para renegociar os termos vigentes. A primeira oportunidade para a revisão do protocolo ambiental do Tratado da Antártica está prevista para ocorrer em 2048.
Embora o surgimento de terras livres de gelo crie novas possibilidades, especialistas em direito internacional alertam que o continente permanecerá um ambiente desafiador para a mineração.
A transformação do ambiente antártico pelo aquecimento global também pode gerar um efeito oposto, estimulando maior cooperação internacional. O foco das discussões futuras pode se voltar para o fortalecimento dos objetivos de proteção ambiental previstos nos acordos internacionais.
Com informações: zmescience
