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Núcleo da Terra pode estar vazando ouro há bilhões de anos, e rochas vulcânicas do Havaí revelaram a pista rara que surpreendeu cientistas

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 11/05/2026 às 22:37 Atualizado em 11/05/2026 às 22:39
Ilustração realista mostra vulcão em ilha oceânica, camadas internas da Terra, núcleo incandescente e metais preciosos ligados ao estudo sobre ouro no núcleo terrestre.
Imagem ilustrativa mostra uma ilha vulcânica semelhante ao Havaí, com camadas internas da Terra, plumas de magma e metais preciosos associados ao núcleo terrestre.
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Pesquisadores da Universidade de Göttingen analisaram rochas vulcânicas do Havaí e identificaram sinais raros de rutênio, elemento associado ao núcleo terrestre, reforçando a hipótese de que ouro e metais preciosos podem estar escapando lentamente das profundezas da Terra há bilhões de anos por meio de plumas superaquecidas que atravessam o manto e alcançam regiões próximas da superfície

Uma descoberta científica de grande impacto foi apresentada em 21 de maio de 2025 e chamou atenção de geólogos no mundo inteiro.

Pesquisadores identificaram sinais de que o núcleo da Terra pode estar liberando pequenas quantidades de ouro, rutênio e outros metais preciosos para camadas superiores do planeta.

O estudo, publicado na revista Nature, analisou rochas vulcânicas do Havaí e trouxe uma nova perspectiva sobre a dinâmica interna da Terra.

Esse resultado reforça uma hipótese discutida há cerca de 40 anos: o núcleo terrestre não seria completamente isolado do manto.

Investigação em rochas havaianas revela pista rara

A descoberta foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Göttingen, na Alemanha, com participação do geoquímico Nils Messling.

Conforme o estudo, a equipe analisou rochas basálticas escuras do Havaí, formadas por plumas de magma que subiram das profundezas do planeta. Essas amostras revelaram a presença de rutênio, um dos elementos mais raros da Terra.

No entanto, o detalhe mais importante estava no tipo de rutênio encontrado. Segundo os pesquisadores, a composição isotópica desse elemento não combinava com meteoritos conhecidos nem com materiais comuns do manto.

Por isso, a equipe concluiu que o material pode ter vindo de uma região muito mais profunda: a fronteira entre o núcleo e o manto.

Lava vulcânica no Havaí ajuda cientistas a investigar como metais preciosos podem estar saindo lentamente das profundezas do núcleo terrestre. Imagem: ©Shutterstock

Como o ouro ficou preso no centro da Terra

Durante a formação do planeta, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a Terra estava praticamente derretida. Nesse período, elementos pesados, como ouro, platina e rutênio, afundaram em direção ao centro.

Por esse motivo, mais de 99,95% dos metais preciosos do planeta ficaram presos no núcleo terrestre. Depois, a crosta esfriou e se solidificou.

Também nesse período, meteoritos ricos em metais preciosos atingiram a Terra há bilhões de anos e contribuíram para a presença desses materiais na crosta e no manto.

Mesmo assim, os cientistas precisavam diferenciar a origem desses elementos. A análise do rutênio foi essencial para indicar que parte do material encontrado nas rochas havaianas não veio apenas da superfície ou de meteoritos antigos.

Ilustração do interior da Terra destaca o núcleo incandescente, região onde estaria concentrada a maior parte do ouro e dos metais preciosos do planeta. Imagem: ©Shutterstock

Plumas profundas podem carregar metais preciosos

O núcleo da Terra possui uma parte interna sólida, formada principalmente por ferro e níquel, com cerca de 1.221 quilômetros de raio. Já o núcleo externo é líquido e fica envolvido pelo manto, que se estende por milhares de quilômetros abaixo da crosta.

Na fronteira entre o núcleo e o manto, o calor intenso pode gerar plumas gigantes de rocha superaquecida. Essas plumas sobem lentamente e podem transportar traços de metais pesados até regiões vulcânicas.

Segundo o coautor Matthias Willbold, esse processo ajuda a explicar a formação de ilhas oceânicas como o Havaí. Assim, as rochas vulcânicas analisadas funcionam como uma espécie de arquivo natural do interior profundo da Terra.

Descoberta não significa ouro fácil de explorar

Apesar do impacto da pesquisa, esse possível vazamento não representa uma nova fonte acessível de mineração. A quantidade de ouro relacionada ao núcleo é extremamente pequena nas rochas estudadas.

O núcleo terrestre fica muito além da capacidade atual de perfuração humana. O ponto mais profundo já perfurado, o Poço Superprofundo de Kola, na Rússia, ainda está muito distante dessa região interna.

Portanto, a descoberta tem valor principalmente científico. Ela ajuda os pesquisadores a entender como o interior da Terra evolui e como materiais profundos podem circular ao longo de milhões de anos.

Um mistério que ainda desafia os geólogos

Embora o estudo traga evidências fortes, os cientistas ainda não sabem exatamente como núcleo e manto conseguem interagir.

Segundo Messling, as densidades dessas camadas são muito diferentes, quase como óleo e água. Mesmo assim, os sinais encontrados nas rochas havaianas sugerem que algum tipo de troca acontece.

Esse processo pode levar entre 500 milhões e 1 bilhão de anos para se completar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acreditam que ele pode estar acontecendo desde os primeiros períodos da história da Terra.

A descoberta muda a visão sobre o planeta

Especialistas como Helen Williams, da Universidade de Cambridge, e Jesse Reimink, da Pennsylvania State University, destacaram a relevância do estudo.

Para eles, os resultados reforçam a possibilidade de que o núcleo contribua com algum material para o manto. Desse modo, a pesquisa abre uma nova janela para compreender a evolução interna do planeta.

Ainda não se sabe quanto ouro pode chegar à superfície nem quanto tempo esse transporte leva. No entanto, a descoberta mostra que a Terra continua muito mais dinâmica do que parecia.

Se pequenas quantidades de metais preciosos podem escapar do núcleo ao longo de bilhões de anos, quantos outros segredos ainda estão escondidos nas profundezas do planeta?

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Caio Aviz

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