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Novo aço inoxidável “inexplicável” criado em Hong Kong pode baratear hidrogênio verde, resistir à água do mar e desafiar materiais caros usados hoje nos eletrolisadores

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 10/05/2026 às 15:24 Atualizado em 10/05/2026 às 17:47
Aço inoxidável criado em Hong Kong resiste à água do mar e pode baratear eletrolisadores de hidrogênio verde.
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Novo aço inoxidável desenvolvido pela Universidade de Hong Kong resiste à corrosão em água do mar, cria uma segunda camada protetora com manganês e pode reduzir custos de eletrolisadores usados na produção de hidrogênio verde em larga escala.

A inovação em aço inoxidável da Universidade de Hong Kong, a HKU, mira um ponto crítico do hidrogênio verde: criar eletrolisadores capazes de resistir à água do mar sem materiais estruturais caros. A equipe criou o SS-H₂, material resistente à corrosão em ambientes agressivos.

A descoberta foi relatada na revista Materials Today, “Uma estratégia sequencial de dupla passivação para o desenvolvimento de aço inoxidável usado acima da oxidação em água”. Também deriva do projeto “Super Aço”, que produziu aço inoxidável anti-COVID-19 em 2021 e versões ultrarresistentes em 2017 e 2020.

Aço inoxidável pode reduzir custos

O hidrogênio verde é obtido com eletricidade para separar a água em hidrogênio e oxigênio. A água do mar é abundante, mas sal, íons cloreto, reações secundárias e corrosão podem danificar componentes do eletrolisador.

Em água salgada, a equipe verificou desempenho comparável ao de materiais à base de titânio usados para hidrogênio a partir de água dessalinizada ou ácido. A diferença está no custo, já que peças de titânio revestidas com ouro ou platina são caras.

Para um sistema PEM de 10 megawatts, o custo total foi estimado em HK$ 17,8 milhões. Os componentes estruturais representavam até 53% dessa despesa, e a substituição por SS-H₂ poderia reduzir esse custo em cerca de 40 vezes.

Por que o aço comum falha

O aço inoxidável é usado há mais de um século em ambientes corrosivos por causa da autoproteção gerada pelo cromo. Quando o cromo oxida, forma uma película passiva fina, capaz de proteger o aço contra danos.

Essa proteção tem limite intrínseco. No aço inoxidável convencional, a camada de óxido de cromo pode se romper em altos potenciais, com o Cr₂O₃ oxidado em espécies solúveis de Cr(VI), provocando corrosão transpassiva em torno de 1000 mV, abaixo dos 1600 mV necessários para a oxidação da água.

Mesmo o 254SMO, liga de cromo de referência pela resistência à corrosão por pites em água do mar, alcança esse limite de alta tensão. Ele funciona em ambientes marítimos comuns, mas a produção de hidrogênio cria ambiente eletroquímico extremo.

Segundo escudo surpreendeu pesquisadores

A solução da HKU foi chamada de passivação dupla sequencial. Em vez de depender apenas da barreira de Cr₂O₃, o SS-H₂ forma uma segunda camada protetora.

Primeiro aparece a película passiva à base de Cr₂O₃. Depois, por volta de 720 mV, uma camada à base de manganês se forma sobre a camada de cromo, protegendo o aço em ambientes com cloretos até 1700 mV.

A descoberta surpreendeu porque o manganês não era visto como aliado da resistência à corrosão. O Dr. Kaiping Yu, primeiro autor, afirmou que a equipe não acreditou nos resultados, pois a visão predominante era que o Mn prejudicava o aço inoxidável.

Yu afirmou que a passivação à base de Mn é contraintuitiva e não pode ser explicada pelo conhecimento atual em ciência da corrosão. A equipe foi convencida após resultados atômicos e passou a buscar o mecanismo.

Seis anos até a aplicação industrial

O avanço exigiu quase seis anos entre a observação inicial, a explicação científica, a publicação e o uso industrial potencial. Huang afirmou que a estratégia superou a limitação fundamental do aço inoxidável convencional e estabeleceu novo paradigma para ligas aplicáveis a altos potenciais.

As conquistas foram submetidas a pedidos de patente em diversos países, e duas patentes já haviam sido concedidas no anúncio da HKU. A equipe informou que toneladas de fio à base de SS-H₂ foram produzidas com uma fábrica da China continental.

Huang reconheceu que transformar materiais experimentais em produtos reais, como telas e espumas, ainda exige tarefas desafiadoras. Mesmo assim, afirmou que a produção do fio representa um grande passo rumo à industrialização e à aplicação do SS-H₂ na produção de hidrogênio renovável.

Avanço ainda depende de engenharia

Embora o estudo tenha sido publicado em 2023, o problema segue relevante. Pesquisas recentes continuam voltadas a materiais resistentes à corrosão, eletrodos duráveis, supressão de cloro e sistemas capazes de operar com água do mar real.

O SS-H₂ ainda não é uma solução pronta para a economia do hidrogênio. Seu potencial está em substituir componentes caros à base de titânio por aço inoxidável resistente à alta voltagem em água do mar, abrindo caminho para produção mais barata e escalável.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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