Cerca metálica deixa de ser só limite físico quando recebe tiras solares flexíveis, alcança até 18,8 kWp em 100 metros e transforma um fechamento comum em infraestrutura energética com impacto que mexe com o setor
Uma cerca comum pode virar fonte de energia. Essa é a proposta da Sunbooster VERTICAL+, solução criada para aproveitar estruturas metálicas já instaladas e convertê las em geração fotovoltaica sem ocupar telhado ou abrir nova área no terreno.
O apelo está no formato. Em vez de placas rígidas de vidro, o sistema usa tiras solares flexíveis que passam pela malha da cerca e criam uma instalação mais leve, com visual integrado e promessa de produção em horários que pesam mais na conta de luz.
Sistema usa 6 tiras por módulo e chega a 468 Wp em painéis de 2,5 metros
A proposta foi pensada para cercas metálicas de painel duplo, muito usadas em áreas residenciais, rurais e comerciais. O produto trabalha com duas larguras, 2,0 metros e 2,5 metros, acompanhando formatos já comuns nesse tipo de fechamento.
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Cada faixa mede 186 mm de altura e tem 1,8 mm de espessura. O peso também chama atenção, com cerca de 1,0 kg na versão de 2,0 metros e 1,2 kg na de 2,5 metros, bem abaixo do que se vê em módulos rígidos tradicionais.
A potência muda conforme o tamanho. A empresa informa 62 Wp por faixa na versão de 2,0 metros e 79 Wp por faixa na de 2,5 metros. Como cada conjunto usa 6 tiras, o sistema alcança 372 Wp ou 468 Wp por módulo completo.

Instalação aposta em estrutura leve e evita a lógica do painel rígido
O diferencial do projeto está na forma de montagem. As tiras são entrelaçadas na própria cerca, ocupando o espaço que em muitos casos já receberia faixas de privacidade. Isso reduz a necessidade de suportes extras e evita uma aparência pesada no fechamento.
Esse desenho também ajuda na parte estrutural. Em vez de colocar placas grandes e pesadas sobre a grade, a proposta distribui o peso em elementos menores e flexíveis, o que diminui a carga sobre a cerca e reduz uma preocupação importante com vento e esforço mecânico.
A marca apresenta versões para instalação com conexão direta à rede residencial, além de modelos mais amplos para projetos maiores. Nos kits voltados ao uso residencial, entram as tiras, cabos, fixações, inversor e cabo de energia para ligação do sistema.
Orientação vertical tenta puxar geração para manhã e fim da tarde
O sistema trabalha com células bifaciais, capazes de captar luz dos dois lados. Na prática, isso abre espaço para aproveitar também a luminosidade refletida pelo chão e por superfícies próximas, algo especialmente relevante em estruturas verticais.
A aposta da empresa é clara. Em vez de concentrar quase tudo no pico do meio do dia, a instalação vertical busca reforçar a produção no começo da manhã e no fim da tarde, períodos em que muitas casas ainda consomem bastante energia. O impacto prometido é mais autoconsumo e menor desperdício da geração.
Segundo pv magazine, portal internacional especializado em energia solar, a empresa apresentou o produto ao mercado com versões que vão de 372 W até 1,872 kW, reforçando a ideia de uma solução modular voltada tanto para residências quanto para usos maiores.

Sombra da própria grade é desafio técnico e empresa diz ter reduzido esse efeito
Uma das dúvidas mais importantes nesse tipo de projeto está na sombra criada pela própria cerca. As barras metálicas podem cortar parte da luz que chega às células e isso costuma afetar o rendimento de sistemas solares instalados em estruturas vazadas.
A empresa afirma ter ajustado o desenho elétrico das células para reduzir essa perda. Em um dado divulgado pela própria marca, um conjunto de 2,5 metros teria alcançado 385 W em 4 de março de 2025, o equivalente a mais de 82 por cento da potência máxima do módulo.
Esse ponto é central para entender o produto. A ideia faz sentido no papel e ataca uma limitação conhecida, mas o desempenho prático ainda depende de posição da cerca, incidência de sombra, sujeira, reflexo do solo e rotina de consumo de cada imóvel.
Projeto prevê expansão para áreas rurais, comércios e cercas de 100 metros
O produto não foi apresentado apenas para pequenas residências. A empresa também fala em uso em áreas agrícolas, cercamentos industriais e terrenos comerciais, onde a extensão da cerca pode ampliar bastante a capacidade total instalada.
Nos números divulgados pela marca, uma cerca com 10 metros poderia chegar perto de 1,8 kWp e gerar por volta de 2,2 MWh por ano. Já um fechamento com 100 metros teria potencial para alcançar cerca de 18,8 kWp e produção anual próxima de 22 MWh.
Esse alcance muda a leitura do projeto. O que parece uma solução de nicho para quintais pode ganhar escala em propriedades maiores e transformar a cerca em ativo energético, não apenas em limite físico do terreno.
Preço parte de 619,90 euros e garantia informada é de 20 anos
O valor varia conforme o tamanho e a configuração. Na vitrine da empresa, a versão individual de 2000 mm apareceu por 619,90 euros, enquanto as opções maiores e com mais módulos avançam para faixas superiores.
A marca também informa 20 anos de garantia para os módulos e diz que usa encapsulamento com material da DuPont. O produto aparece ainda como pedido de patente em andamento, sinal de que a empresa tenta proteger a solução enquanto amplia a presença comercial.
A combinação de preço, formato leve e instalação integrada ajuda a explicar o interesse em torno da proposta. Ao mesmo tempo, a decisão de compra tende a depender de conta simples: quanto essa cerca consegue gerar de verdade ao longo do ano e em quanto tempo devolve o investimento.
A Sunbooster VERTICAL+ surge como uma tentativa de mudar o lugar da energia solar no imóvel. Em vez de olhar apenas para o telhado, ela empurra a geração para uma estrutura que quase sempre passa despercebida e abre uma nova frente para o autoconsumo.
Se a promessa de rendimento se confirmar em uso real, a cerca deixa de ser só limite e passa a funcionar como infraestrutura energética. Isso amplia o valor do espaço, pressiona soluções tradicionais e muda a leitura estratégica.


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