Investimentos da Noruega no Brasil somam US$ 14 bilhões, com destaque em energias renováveis, tecnologia verde e geração de empregos. Entenda os impactos na transição energética e na competitividade global.
A presença da Noruega no Brasil alcançou um novo patamar estratégico em 2024. Segundo o relatório “Noruega no Brasil: Investimentos e Comércio 2025”, elaborado pela Menon Economics a pedido do Consulado Geral da Noruega no Rio de Janeiro, os investimentos noruegueses no país somaram US$ 14 bilhões entre 2015 e 2024 — o maior volume da série histórica iniciada em 2015.
Segundo publicação feita pelo site Além da Energia, da Engie, no dia 23 de fevereiro, desse total, cerca de US$ 1,8 bilhão foram destinados, desde 2023, a projetos ligados à transição energética, com foco em energias solar, eólica, bioenergia, hidrogênio e soluções industriais de baixo carbono. O movimento consolida o Brasil como um dos principais destinos globais do capital da Noruega, atrás apenas da Europa e dos Estados Unidos.
Além do impacto financeiro, a presença de aproximadamente 300 empresas norueguesas no Brasil já responde por cerca de 120 mil empregos e por uma contribuição estimada de US$ 5,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB). O avanço reforça o papel das energias renováveis, da tecnologia verde e da cooperação internacional como vetores de competitividade.
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Noruega e energias renováveis consolidam ciclo histórico de US$ 14 bilhões em investimentos
O volume de US$ 14 bilhões investidos pela Noruega entre 2015 e 2024 evidencia a consolidação de uma relação econômica de longo prazo. O Brasil ocupa hoje a 12ª posição entre os principais destinos do investimento estrangeiro norueguês, registrando crescimento de 200% no fluxo de capital na última década.
A transição energética ganhou protagonismo recente. Desde 2023, aproximadamente US$ 1,8 bilhão foram direcionados a projetos ligados às energias renováveis. O foco inclui geração solar e eólica, produção de bioenergia, hidrogênio e desenvolvimento de soluções industriais com menor intensidade de carbono.
Entre os projetos emblemáticos está o complexo eólico Ventos de Santa Eugênia, desenvolvido pela Statkraft e inaugurado em 2024 na Bahia. Trata-se do maior projeto da empresa fora da Europa, consolidando o Brasil como mercado prioritário para a expansão internacional da companhia.
Outro destaque é a atuação da Hydro Rein, que opera usinas solares e eólicas conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Já a Yara, em Cubatão (SP), iniciou a produção de amônia renovável com redução de até 75% nas emissões por tonelada, utilizando biometano como insumo energético. Esses investimentos demonstram como as energias renováveis se tornaram eixo estruturante da cooperação bilateral entre Brasil e Noruega.
Tecnologia verde fortalece cadeias produtivas e amplia competitividade internacional
A transferência de tecnologia verde é um dos aspectos mais relevantes dessa parceria. A Noruega possui tradição em inovação aplicada à sustentabilidade, especialmente em energia limpa, eficiência industrial e soluções marítimas de baixo carbono.
No Brasil, esse conhecimento contribui para modernizar a infraestrutura energética e industrial. Projetos voltados às energias renováveis incorporam sistemas mais eficientes, digitalização de processos e padrões ambientais alinhados às exigências de mercados internacionais.
A adoção de tecnologia verde amplia a competitividade das empresas instaladas no país. Produtos e serviços com menor pegada de carbono encontram maior aceitação em economias que adotam políticas rígidas de descarbonização, especialmente na Europa.
Além disso, a integração de soluções sustentáveis fortalece cadeias produtivas locais. Fornecedores brasileiros passam a operar com padrões técnicos mais elevados, aumentando sua inserção em mercados globais e elevando o valor agregado da produção nacional.
Geração de empregos qualificados impulsionada por energias renováveis e setor offshore
A presença de cerca de 300 empresas da Noruega no Brasil, atuando por meio de subsidiárias, escritórios comerciais ou representantes locais, sustenta aproximadamente 120 mil empregos diretos. Esses postos de trabalho abrangem setores como energia, indústria, transporte marítimo, logística e atividades offshore.
No setor marítimo e de fornecimento offshore, os números também são expressivos. Em 2024, os investimentos alcançaram US$ 642 milhões no segmento marítimo e US$ 287 milhões na área de fornecimento offshore. Pelo menos 80 empresas norueguesas ligadas ao setor offshore e cerca de 60 companhias da área marítima operam atualmente no país.
A expansão das energias renováveis tende a ampliar ainda mais a geração de empregos qualificados. Projetos solares, eólicos e industriais de baixo carbono exigem profissionais especializados em engenharia, operação de sistemas, manutenção e inovação tecnológica.
Esse cenário cria oportunidades para trabalhadores brasileiros e fortalece a formação de mão de obra técnica. A conexão entre tecnologia verde e geração de empregos consolida um modelo de crescimento econômico com menor impacto ambiental.
Comércio bilateral e expansão estratégica da Noruega no mercado brasileiro
O comércio entre Brasil e Noruega também registrou resultados relevantes. Em 2024, as exportações norueguesas para o Brasil somaram US$ 2,1 bilhões. Entre os principais produtos estão equipamentos industriais, soluções marítimas e pescados.
O setor de pescados, liderado pelo bacalhau, movimentou US$ 102 milhões no período. Esses números refletem a diversificação da relação comercial, que vai além da energia e inclui segmentos industriais e alimentícios.
A expansão do investimento em energias renováveis contribui para fortalecer esse intercâmbio. Empresas que operam no Brasil com tecnologia verde e soluções sustentáveis ampliam as possibilidades de integração comercial com mercados exigentes.
A contribuição estimada de US$ 5,1 bilhões ao PIB brasileiro reforça o impacto estrutural da presença norueguesa. O fluxo de capital estrangeiro não apenas estimula setores estratégicos, mas também gera efeitos multiplicadores na economia local.
Transição energética como eixo central da cooperação Brasil–Noruega
Desde 2023, a transição energética se consolidou como um dos pilares fundamentais da cooperação entre Brasil e Noruega. A diplomacia econômica reforça que o Brasil se tornou destino estratégico para empresas norueguesas, ficando atrás apenas da Europa e dos Estados Unidos.
O potencial brasileiro em energias renováveis é um dos fatores determinantes dessa escolha. O país possui matriz elétrica majoritariamente renovável e ampla disponibilidade de recursos naturais para expansão solar e eólica.
A combinação entre capital estrangeiro, tecnologia verde e recursos naturais cria um ambiente favorável à inovação sustentável. Projetos voltados ao hidrogênio de baixo carbono e à descarbonização industrial apontam para novas frentes de crescimento. Esse movimento posiciona o Brasil como protagonista na transição energética global, ao mesmo tempo em que fortalece a estratégia internacional da Noruega.
Perspectivas para o futuro da parceria em energias renováveis e tecnologia verde
O avanço dos investimentos noruegueses indica que a cooperação deve se aprofundar nos próximos anos. O histórico de crescimento de 200% no volume investido na última década demonstra tendência consistente de expansão.
Com US$ 14 bilhões aplicados entre 2015 e 2024 e US$ 1,8 bilhão direcionado recentemente à transição energética, a Noruega consolida sua atuação em energias renováveis no Brasil. A geração de 120 mil empregos e a contribuição de US$ 5,1 bilhões ao PIB evidenciam impactos econômicos concretos.
A integração entre setor offshore, indústria marítima e tecnologia verde cria novas oportunidades para inovação sustentável. A expectativa é que projetos de baixo carbono continuem atraindo investimentos, fortalecendo a competitividade brasileira no cenário internacional.
Para empresas e profissionais, o cenário é promissor. A expansão das energias renováveis, o aumento da demanda por tecnologia verde e a geração de empregos qualificados indicam que a parceria entre Brasil e Noruega seguirá como referência em cooperação econômica sustentável e estratégica.


Excelente artigo, muito esclarecedor.
Ótima matéria
Eu trabalho com energia renovável em Hidroelétrica e cada vez mais o planeta volta par geração ee energia com esse caminho