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No caos constante e sob risco: por que esse país, apontado como um dos mais perigosos, atrai mais de 100 mil turistas por ano

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 24/04/2025 às 14:28
Líbia, Turismo, Turistas, conflitos
Créditos: Hamza Turkia/Xinhua
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Instável desde a queda de Gaddafi, a Líbia enfrenta conflitos armados, milícias e terrorismo, mas ainda atrai visitantes fascinados por sua herança histórica e paisagens únicas

A Líbia é hoje um dos destinos mais perigosos do planeta para turistas. Desde a queda de Muammar Gaddafi, em 2011, o país não conseguiu retomar a estabilidade. O que era para ser uma transição democrática acabou mergulhando a nação em uma crise política e social que dura até hoje.

Conflitos sem fim

Gaddafi foi derrubado com apoio da OTAN. Desde então, facções rivais disputam o poder, de leste a oeste. A ausência de um controle centralizado fez surgir milícias armadas, grupos extremistas e até o avanço do ISIS em algumas regiões.

A situação é tão crítica que diversos países classificam a Líbia como um destino inseguro. O Departamento de Estado dos EUA emitiu alerta de Nível 4, o mais alto, desaconselhando qualquer tipo de visita.

As razões são claras: ameaças de terrorismo, crimes, sequestros, minas terrestres e distúrbios civis. O Reino Unido também alerta para o risco de a segurança “se agravar sem aviso”.

O atual primeiro-ministro, Abdul Hamid al-Dabaib, tenta governar em meio ao caos. Mas a instabilidade continua. Não há uma solução política clara no horizonte. A violência ainda domina várias regiões. E para quem viaja até lá, o risco de estar em meio a um confronto é real.

Turismo no caos

Mesmo com todos esses perigos, cerca de 100 mil turistas visitam a Líbia todos os anos. É o chamado “turismo de perigo”. Pessoas que buscam experiências extremas em locais onde poucos se atrevem a pisar.

A principal motivação: a herança histórica do país. A Líbia guarda algumas das mais impressionantes ruínas do Império Romano fora da Europa.

Ruínas que resistem

Leptis Magna é um exemplo. Fundada no século VII a.C., tornou-se uma das cidades mais ricas do Império, especialmente sob o governo do imperador Septímio Severo. Hoje, as ruínas conservam o teatro com capacidade para mais de 5 mil pessoas, o Arco de Septímio e o grande fórum.

Sabratha, outra joia do passado, está à beira do Mediterrâneo. Fundada por fenícios e depois dominada por romanos, foi um ponto vital do comércio africano. Lá, o Teatro de Sabratha e o Templo de Juno Caelestis atraem visitantes por sua beleza e importância histórica.

A cidade também guarda mosaicos e monumentos que mostram a mistura das culturas púnica, africana e romana.

Oásis e deserto

A Líbia também impressiona com suas paisagens naturais. O deserto do Saara ocupa grande parte do território e oferece atrações como dunas e oásis. Em Germa, por exemplo, os turistas podem ver vestígios dos antigos Reinos de Fezzan, que prosperaram naquela região árida.

Os oásis de Ghadames e Kufra são outro destaque. Eles contam a história de civilizações que habitaram o deserto há milênios e deixaram marcas que ainda encantam quem se aventura por lá.

Passado grandioso, presente incerto

Mesmo em meio ao caos, a Líbia guarda riquezas arqueológicas e culturais inestimáveis. O desafio é que essas joias convivem com uma realidade perigosa e instável. O turismo sobrevive, mas sempre à sombra de alertas e riscos extremos. A história continua viva, mas o futuro segue incerto.

Com informações de Aventuras na História.

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Romário Pereira de Carvalho

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