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No Brasil, agricultores escavam barraginhas, captam água da chuva diretamente no solo, criam reservatórios locais e conseguem irrigar lavouras no Semiárido sem depender de rios ou aquíferos mesmo em anos de seca

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 09/02/2026 às 22:30
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No Brasil, agricultores escavam barraginhas, captam água da chuva diretamente no solo, criam reservatórios locais e conseguem irrigar lavouras no Semiárido sem depender de rios ou aquíferos mesmo em anos de seca
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No Semiárido brasileiro, agricultores constroem barraginhas para captar água da chuva, garantir irrigação local e reduzir dependência de rios e aquíferos em anos de seca.

No Brasil, especialmente na região do Semiárido nordestino, agricultores familiares vêm utilizando há décadas uma solução simples, de baixo custo e comprovadamente eficaz para enfrentar a escassez de água: as barraginhas, pequenos reservatórios escavados no solo com o objetivo de captar e armazenar a água da chuva. A técnica passou a ser difundida de forma estruturada a partir dos anos 1990, com forte apoio da Embrapa Milho e Sorgo, sediada em Sete Lagoas (MG), e posteriormente incorporada por programas públicos conduzidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e por organizações da sociedade civil como a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

A adoção das barraginhas ganhou ainda mais relevância após as secas severas registradas entre 2012 e 2017, consideradas uma das mais prolongadas da história recente do Semiárido. Nesse período, milhares de comunidades rurais passaram a depender de tecnologias de captação pluvial para manter a produção agrícola e reduzir a dependência de rios intermitentes e aquíferos cada vez mais pressionados.

O que são barraginhas e como funcionam na prática

Barraginhas são pequenos reservatórios escavados no solo, geralmente com formato circular ou semicircular, construídos em pontos estratégicos da paisagem rural, especialmente em áreas onde ocorre o escoamento superficial da água da chuva. Diferentemente de açudes tradicionais, elas não têm como principal função armazenar grandes volumes de água na superfície por longos períodos, mas sim reter temporariamente a enxurrada, permitindo que a água infiltre lentamente no solo.

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Segundo publicações técnicas da Embrapa Milho e Sorgo, o funcionamento das barraginhas baseia-se em princípios simples de hidrologia e conservação do solo. Ao interceptar a água da chuva que normalmente escorreria rapidamente, o reservatório reduz a velocidade do fluxo, evita erosão e favorece a recarga do lençol freático raso, aumentando a disponibilidade de umidade no entorno por semanas ou até meses após os eventos de chuva.

Onde essa tecnologia é aplicada no Semiárido brasileiro

As barraginhas são amplamente utilizadas em estados como Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, tanto em propriedades familiares quanto em áreas de produção agropecuária de maior escala.

Projetos coordenados pela ASA documentam a adoção da técnica em centenas de municípios do Semiárido, muitas vezes integrada a outras soluções de convivência com o clima seco, como cisternas de consumo humano e sistemas de irrigação de pequeno porte.

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Em Minas Gerais, especialmente nas regiões do Norte do estado e do Vale do Jequitinhonha, a Embrapa desenvolveu projetos-piloto desde o final dos anos 1990, demonstrando que a simples escavação de barraginhas era capaz de recuperar nascentes temporárias, melhorar a umidade do solo e aumentar a produtividade de culturas de subsistência.

Por que as barraginhas reduzem a dependência de rios e aquíferos

No Semiárido brasileiro, a maioria dos rios é intermitente, correndo apenas durante parte do ano. Aquíferos, por sua vez, são frequentemente profundos, salinizados ou de difícil acesso para agricultores familiares. Nesse contexto, as barraginhas oferecem uma alternativa descentralizada e local, que não depende de grandes obras hidráulicas.

Ao favorecer a infiltração da água da chuva no próprio terreno, a técnica permite que a umidade fique disponível próxima às áreas cultivadas, reduzindo a necessidade de bombear água de fontes distantes.

Relatórios técnicos do Ministério do Desenvolvimento Agrário indicam que propriedades que adotam barraginhas de forma adequada conseguem manter lavouras de milho, feijão, mandioca e hortaliças mesmo em anos de chuvas irregulares.

Resultados observados em anos de seca prolongada

Durante a seca que afetou o Nordeste entre 2012 e 2017, diversos levantamentos conduzidos pela ASA e por universidades federais da região apontaram que comunidades que haviam implantado barraginhas apresentaram maior resiliência produtiva.

Mesmo com precipitações abaixo da média, o solo nessas áreas manteve níveis de umidade superiores aos de propriedades vizinhas sem a tecnologia.

Esses resultados não significam que as barraginhas eliminem os impactos da seca, mas indicam que elas reduzem significativamente a vulnerabilidade hídrica, permitindo ao agricultor atravessar períodos críticos sem perda total da produção.

Integração com irrigação de pequena escala

Embora as barraginhas não sejam sistemas de irrigação no sentido clássico, elas funcionam como base hídrica para irrigação complementar. Em muitas propriedades, a água infiltrada eleva o nível de umidade do solo ao ponto de permitir o uso de técnicas simples, como irrigação por mangueiras, baldes ou sistemas de gotejamento de baixa pressão.

Segundo a Embrapa, quando associadas a práticas de manejo do solo, como cobertura vegetal e plantio em curvas de nível, as barraginhas ampliam ainda mais sua eficiência, criando microambientes agrícolas mais estáveis mesmo sob condições climáticas adversas.

Custos, simplicidade e escalabilidade da técnica

Um dos fatores que explicam a ampla difusão das barraginhas no Brasil é o baixo custo de implantação. Em muitos casos, a escavação pode ser feita com máquinas simples ou até manualmente, dependendo do tamanho do reservatório.

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Programas públicos e comunitários frequentemente utilizam retroescavadeiras compartilhadas para construir dezenas de barraginhas em um único município.

De acordo com dados compilados pela Embrapa Milho e Sorgo, o custo por unidade é significativamente inferior ao de açudes convencionais ou sistemas de irrigação pressurizados, o que torna a técnica acessível a agricultores familiares com poucos recursos financeiros.

Barraginhas como política pública de convivência com o Semiárido

A técnica passou a integrar oficialmente políticas públicas voltadas à convivência com o Semiárido, conceito amplamente defendido pela Articulação Semiárido Brasileiro desde os anos 2000. Em vez de tentar “combater” a seca com grandes obras centralizadas, a estratégia aposta em soluções locais, adaptadas às condições climáticas da região.

Ministério do Desenvolvimento Agrário, em diferentes governos, apoiou projetos de capacitação e disseminação das barraginhas como parte de programas de fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo seu papel na segurança hídrica e alimentar.

Limitações e cuidados técnicos necessários

Apesar dos benefícios, especialistas da Embrapa alertam que a construção de barraginhas exige planejamento. A escolha inadequada do local pode resultar em assoreamento rápido ou baixa infiltração. Além disso, a técnica não substitui completamente outras fontes de água em regiões extremamente áridas, funcionando melhor quando integrada a um conjunto de práticas de manejo sustentável.

No Brasil, as barraginhas se consolidaram como uma das tecnologias mais eficazes e acessíveis para ampliar a segurança hídrica no Semiárido. Ao captar a água da chuva diretamente no solo, agricultores conseguem reduzir a dependência de rios e aquíferos, manter lavouras produtivas em anos de seca e fortalecer a resiliência das comunidades rurais.

A experiência acumulada por instituições como a Embrapa, a ASA e o MDA mostra que, diante das mudanças climáticas e da irregularidade crescente das chuvas, soluções locais e baseadas no território tendem a desempenhar um papel cada vez mais estratégico na agricultura brasileira.

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Marcio coelho
Marcio coelho
14/02/2026 05:58

Eu sou fã da Embrapa. O Brasil deve muito a iniciativa do governo militar de criar esse órgão de fomento a agricultura no Brasil. Como resultado somos a maior potência agrícola do mundo produzindo em solos aparentemente improdutivos como o cerrado brasileiro.
Mesmo o solo da reportagem arenoso tem finalidade na produção.
BRASIL.

Maria do Carmo Oliveira
Maria do Carmo Oliveira
12/02/2026 19:05

O projeto das barraginhas é fantástico, eu gostaria de saber quanto custa cada uma?

Jesus
Jesus
12/02/2026 09:00

Es imprescindible crearlos si el estado no hace presas/embalses..
Felicitaciones a estas iniciativas.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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