Satélite NOAA-20 registrou em 2025 espirais perfeitas de nuvens no Atlântico Sul formadas por ilhas vulcânicas que perturbam o fluxo do vento.
Em fevereiro de 2025, o satélite NOAA-20, equipado com o sensor VIIRS, registrou um dos padrões atmosféricos mais impressionantes vistos do espaço: uma sequência quase perfeita de espirais de nuvens se formando atrás de Visokoi, Candlemas Island e Saunders, no remoto arquipélago das Ilhas Sandwich do Sul. A cena foi publicada pela NASA Earth Observatory, que identificou o fenômeno como um exemplo clássico das chamadas ruas de vórtices de von Kármán, estruturas que surgem quando ventos persistentes contornam obstáculos altos e isolados.
Localizadas no sul do Atlântico, dentro da região da Scotia Sea, essas ilhas vulcânicas remotas transformaram o fluxo invisível do ar em um desenho de simetria rara, visível em escala orbital. Segundo a explicação da própria NASA, os redemoinhos se formaram quando ventos de oeste passaram pelas encostas íngremes das ilhas em condições atmosféricas estáveis, criando fileiras alternadas de turbilhões que parecem geradas por computador, mas são resultado direto da interação entre relevo, nuvens marinhas e dinâmica da atmosfera.
Fenômeno atmosférico raro intitulado “rua de vórtices de von Kármán” forma espirais de nuvens com simetria quase perfeita
O que o satélite capturou não é apenas uma curiosidade visual. Trata-se de um fenômeno físico descrito pela dinâmica dos fluidos conhecido como rua de vórtices de von Kármán, um padrão repetitivo de redemoinhos alternados que se forma quando um fluxo contínuo, como o ar, encontra um obstáculo.
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Segundo a NASA, quando nuvens transportadas pelo vento atingem ilhas ou montanhas isoladas, o fluxo de ar é forçado a se dividir e contornar essas estruturas. Nesse processo, o ar se separa de forma instável e começa a gerar redemoinhos alternados em lados opostos, criando uma sequência organizada de espirais que podem se estender por centenas de quilômetros.
Essas estruturas são chamadas de “ruas” porque formam uma espécie de trilha contínua de vórtices, semelhante à esteira deixada por um barco na água. No caso das Ilhas Sandwich do Sul, o fenômeno ganha destaque por sua regularidade e clareza visual, algo relativamente raro mesmo em escala global.
Ilhas vulcânicas isoladas funcionam como gatilhos para o fenômeno de vórtices de von Kármán
O fator determinante para a formação dessas estruturas está na combinação entre geografia e condições atmosféricas.
As ilhas Visokoi, Candlemas e Saunders possuem características específicas que favorecem o fenômeno: são relativamente altas, com picos vulcânicos bem definidos, e estão cercadas por uma vasta área oceânica sem outras interferências. Isso cria um cenário ideal para que o vento flua de forma estável antes de encontrar o obstáculo.

Quando esse fluxo constante atinge as ilhas, ele é forçado a subir e contornar os picos. Nesse ponto, ocorre a chamada separação de fluxo, um processo em que o ar deixa de acompanhar a superfície e começa a formar zonas de turbulência atrás do obstáculo. É nesse momento que surgem os vórtices alternados.
Além disso, a presença de uma camada de nuvens na altitude certa é essencial para que o fenômeno se torne visível. Sem nuvens, os redemoinhos continuam existindo, mas permanecem invisíveis ao olho humano e aos sensores ópticos dos satélites.
Satélite NOAA-20 registra padrões que podem se estender por centenas de quilômetros
O registro feito em 24 de fevereiro de 2025 foi captado pelo instrumento VIIRS (Visible Infrared Imaging Radiometer Suite) a bordo do NOAA-20, um sensor capaz de mapear a superfície da Terra e a atmosfera com alta resolução.
Esse tipo de equipamento permite observar fenômenos que não podem ser percebidos a partir do solo. No caso das ruas de vórtices de von Kármán, os satélites são fundamentais, já que os padrões se desenvolvem em grande escala e só se tornam plenamente visíveis do espaço.
De acordo com dados da NOAA, esses sistemas de vórtices podem se estender por dezenas a centenas de quilômetros, dependendo da intensidade do vento e do tamanho do obstáculo.
No caso das Ilhas Sandwich do Sul, a imagem capturada mostra uma sequência longa e bem definida de redemoinhos, o que indica condições atmosféricas extremamente estáveis e uniformes no momento do registro.
Nome do fenômeno vem de um dos maiores nomes da engenharia aeronáutica
O fenômeno recebeu o nome de Theodore von Kármán, engenheiro e físico húngaro-americano considerado um dos pioneiros da aerodinâmica moderna.
Foi ele quem descreveu matematicamente esse tipo de comportamento em fluxos de fluidos no início do século XX, demonstrando como a alternância de vórtices surge de forma natural quando um fluxo encontra um obstáculo de geometria relativamente simples.
Hoje, o conceito é amplamente aplicado em engenharia, meteorologia e até em projetos industriais, já que a formação desses vórtices pode influenciar desde a estabilidade de pontes até o comportamento de aeronaves.
Fenômeno ocorre em outros lugares do planeta, mas raramente com tanta perfeição
As ruas de vórtices de von Kármán não são exclusivas das Ilhas Sandwich do Sul. Elas já foram observadas em diversas regiões do planeta, como:
Cabo Verde, nas ilhas Canárias, no arquipélago de Guadalupe, na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, e até em áreas próximas ao Ártico.

No entanto, nem todos os locais produzem padrões tão limpos e simétricos quanto os registrados no Atlântico Sul. Isso ocorre porque a formação depende de uma combinação específica de fatores:
vento constante e uniforme, ausência de interferências próximas, topografia bem definida e presença de nuvens na altitude adequada.
As Ilhas Sandwich do Sul se destacam justamente por reunir todas essas condições de forma simultânea, o que explica por que as imagens captadas ali frequentemente aparecem entre as mais impressionantes já registradas desse fenômeno.
Estruturas invisíveis moldam o comportamento da atmosfera global
Embora o fenômeno chame atenção pelo aspecto visual, ele também tem importância científica. As ruas de vórtices são um exemplo clássico de como a atmosfera responde a obstáculos e perturbações. Elas ajudam cientistas a entender melhor processos como:
transferência de energia no ar, formação de nuvens, dispersão de partículas e comportamento de sistemas meteorológicos em diferentes escalas.
Além disso, o estudo desses padrões contribui para o desenvolvimento de modelos matemáticos usados em previsão do tempo, simulações climáticas e até engenharia de estruturas expostas ao vento.
Um fenômeno que transforma vento invisível em padrões visíveis do espaço
O registro feito pelo NOAA-20 em 2025 reforça uma ideia central da ciência atmosférica: mesmo fenômenos invisíveis, como o fluxo de ar, podem produzir estruturas altamente organizadas quando interagem com o ambiente certo.
No caso das Ilhas Sandwich do Sul, o que existe é uma combinação rara de fatores que transforma um processo físico complexo em algo visualmente simples e impressionante. As espirais que aparecem nas imagens de satélite não são apenas bonitas. Elas são a manifestação direta de leis fundamentais da física atuando em escala planetária.
Esse tipo de formação levanta uma questão interessante: quantos outros processos invisíveis estão acontecendo ao nosso redor neste exato momento sem que possamos perceber?
As ruas de vórtices de von Kármán mostram que o planeta está constantemente produzindo padrões complexos e organizados, mesmo em lugares remotos e praticamente inacessíveis.
Você já conhecia esse fenômeno ou imaginava que ilhas isoladas poderiam literalmente “desenhar” o vento no céu?


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