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Navios armados, sem pessoas e operando em locais perigosos: como é a frota de navios fantasmas dos EUA que transforma embarcações comerciais em máquinas autônomas de até 2.000 toneladas para missões perigosas sem colocar tripulações na linha de frente

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 08/05/2026 às 07:22 Atualizado em 08/05/2026 às 07:25
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Programa da Marinha dos EUA transforma navios comerciais em plataformas autônomas de até 2.000 toneladas, com navegação avançada, ciberproteção e supervisão humana para missões navais de alto risco

O Ghost Fleet Overlord converte navios comerciais em grandes embarcações não tripuladas, os chamados navios fantasmas da Marinha dos Estados Unidos, com até cerca de 2.000 toneladas, para ampliar autonomia, reduzir custos e diminuir riscos humanos em missões perigosas.

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Programa aposta em conversão de navios comerciais

O Ghost Fleet Overlord é um programa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e da Marinha voltado à criação de grandes navios fantasmas de superfície não tripulados, chamados LUSVs.

A iniciativa transforma cascos comerciais em plataformas navais autônomas, em vez de desenvolver embarcações inteiramente novas desde o início.

A proposta reduz custos, acelera cronogramas e concentra esforços em sistemas operacionais.

O programa é conduzido pelo Strategic Capabilities Office, estrutura voltada a soluções de rápida aplicação operacional. As embarcações usadas vêm do mercado civil, especialmente navios de apoio rápido.

Com essa base, o desenvolvimento se concentra em autonomia, comunicações seguras, integração de combate e ciberproteção. A lógica é criar meios capazes de atuar em missões de alto perigo com menor exposição humana.

Ranger e Nomad abriram a fase inicial

A primeira fase do Ghost Fleet Overlord envolveu a conversão de dois navios comerciais: Ranger, identificado como OUSV 1, e Nomad, identificado como OUSV 2.

As equipes integraram sistemas de navegação autônoma, fizeram atualizações em cascos, máquinas e sistemas elétricos e validaram requisitos de segurannça e prevenção de colisões.

Na segunda fase, o programa ampliou a duração das missões e a interoperabilidade com meios tripulados. Ranger e Nomad realizaram travessias de milhares de milhas.

Essas viagens incluíram passagem pelo Canal do Panamá em modo majoritariamente autônomo. O controle humano ficou restrito aos trechos críticos, mantendo supervisão em pontos sensíveis da operação.

Como funciona a autonomia dos navios fantasmas

Os LUSVs do Ghost Fleet Overlord operam em modelo semi-autônomo. Os operadores humanos permanecem sempre “no circuito”, especialmente em decisões ligadas ao uso de força.

A navegação e a gestão de cargas úteis são automatizadas. Ainda assim, a supervisão humana segue obrigatória, preservando a palavra final dos operadores nas ações mais sensíveis.

O ciclo operacional começa pela percepção. Radares e câmeras identificam alvos, obstáculos e condições do mar em tempo real, fornecendo dados para a condução da missão.

Na etapa de autonmia, algoritmos de inteligência artificial propõem manobras evasivas e rotas otimizadas. O objetivo é cumprir a missão com apoio de processamento local.

A supervisão ocorre por controle remoto, com operadores acompanhando o sistema à distância. A resiliência depende de comunicações criptografadas e virtualização de combate, como o Aegis.

Navios têm até 90 metros e módulos variados

Os LUSVs têm entre 60 e 90 metros e até cerca de 2.000 toneladas de deslocamento. Também contam com grande capacidade de combustível e longa permanência no mar.

As plataformas são relativamente baratas e pensadas para receber diferentes “payloads” modulares. Esses módulos incluem sensores de vigilância, sistemas de comando e controle e armamentos.

Alguns modelos podem empregar lançadores verticais com 16 a 32 células. Essa configuração permite o uso de mísseis antinavio, ataque terrestre e apoio de fogo a grupos-tarefa navais.

Mariner e Vanguard ampliam testes do programa

Entre os quatro navios, o Mariner, identificado como OUSV 4, se destaca pela integração de navegação autônoma avançada e versão virtualizada do sistema de combate Aegis.

Essa combinação permite testar o LUSV como nó de defesa aérea e de superfície em redes navais já existentes. O avanço amplia o papel experimental do programa.

Ranger, Nomad, Vanguard e Mariner recebem apoio de empresas como Austal USA, L3Harris, Leidos e Lockheed Martin. As primeiras unidades foram transferidas à Marinha em 2022.

Novos testes até 2026 devem orientar futuras gerações de navios de superfície não tripulados, mantendo o Ghost Fleet Overlord como base de avaliação para autonomia naval.

Com informações de O Antagonista.

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Romário Pereira de Carvalho

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