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Navio que saiu da Argentina e chegou ao Brasil descarregou 50 mil toneladas de cevada no Porto de Paranaguá, bateu recorde histórico no Paraná e reforçou engrenagem que abastece cervejarias, maltarias e indústrias do Sul do Brasil

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 08/05/2026 às 12:37 Atualizado em 09/05/2026 às 19:13
Navio vindo da Argentina descarregou 50 mil toneladas de cevada no Porto de Paranaguá, bate recorde histórico no Paraná e reforça engrenagem que abastece cervejarias, maltarias e indústrias do Sul do Brasil
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
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Navio vindo da Argentina descarrega 50 mil toneladas de cevada em Paranaguá e estabelece novo recorde logístico no Paraná.

No dia 20 de março de 2026, a Portos do Paraná confirmou a maior operação de descarga de cevadaa já realizada em um único navio no estado. O graneleiro Mercury Island, vindo da Argentina, descarregou cerca de 50 mil toneladas do cereal no berço 202 do Porto de Paranaguá, estabelecendo um novo recorde histórico para o terminal paranaense. Segundo a administração portuária, a operação foi concluída em 18 de março e superou a marca anterior de 49.448 toneladas registrada pelo navio Akra em janeiro de 2026.

A chegada da embarcação chamou atenção pela dimensão logística da carga e pelo impacto direto sobre a cadeia cervejeira e agroindustrial do Sul do Brasil. A cevada desembarcada seguirá para o interior do Paraná para abastecer maltarias, cervejarias e setores ligados à alimentação humana e ração animal.

A operação também reforçou a transformação do Porto de Paranaguá em um dos principais hubs brasileiros para movimentação de granéis sólidos e cargas industriais de grande escala.

Porto de Paranaguá registra maior operação de cevada da história do Paraná

O recorde registrado pelo navio Mercury Island foi possível graças ao aumento gradual da capacidade operacional do Porto de Paranaguá nos últimos anos. Segundo a Portos do Paraná, investimentos contínuos em dragagem e aprofundamento do canal permitiram elevar o calado operacional do terminal, aumentando a capacidade de carga das embarcações que chegam ao estado.

Em dezembro de 2024, o calado operacional passou de 12,8 metros para 13,1 metros. Já em setembro de 2025, uma nova autorização elevou o limite para 13,3 metros. Esses 50 centímetros adicionais permitiram que navios passassem a transportar aproximadamente 3,7 mil toneladas extras por viagem, reduzindo custos logísticos e aumentando eficiência operacional do porto.

O resultado direto apareceu justamente na operação do Mercury Island, que conseguiu descarregar 50 mil toneladas de cevada em uma única viagem, algo considerado inviável poucos anos atrás dentro das limitações anteriores de profundidade e capacidade portuária do Paraná.

Cevada argentina abastece cadeia cervejeira e industrial do Sul do Brasil

Embora o Paraná seja o maior produtor de cevada do Brasil, a demanda interna continua elevada devido à expansão do setor cervejeiro e maltador no Sul do país. Segundo a própria Portos do Paraná, o estado permanece entre os principais destinos nacionais da cevada importada, principalmente da Argentina.

Navio vindo da Argentina descarregou 50 mil toneladas de cevada no Porto de Paranaguá, bate recorde histórico no Paraná e reforça engrenagem que abastece cervejarias, maltarias e indústrias do Sul do Brasil
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

A cevada descarregada pelo Mercury Island será destinada principalmente à produção de malte, matéria-prima essencial para fabricação de cerveja. O cereal também possui aplicações na alimentação humana e na produção de ração animal.

A integração logística entre produtores argentinos e indústrias brasileiras criou um fluxo constante de navios graneleiros atravessando o Atlântico Sul para abastecer fábricas no Sul do Brasil.

A operação reforça como parte importante da indústria cervejeira brasileira depende diretamente de uma engrenagem internacional envolvendo agricultura argentina, corredores marítimos e grandes terminais portuários brasileiros.

Navio transportou volume equivalente a mais de 1.600 caminhões carregados

O tamanho da operação fica ainda mais impressionante quando convertido para transporte terrestre. Considerando caminhões com capacidade média próxima de 30 toneladas, as 50 mil toneladas descarregadas pelo Mercury Island equivalem a mais de 1.600 caminhões totalmente carregados.

Isso ajuda a explicar por que os portos continuam sendo peças fundamentais para movimentação de granéis agrícolas em grande escala.

A descarga exigiu coordenação intensa entre terminal portuário, armazenagem, transporte rodoviário e distribuição industrial.

Como a cevada é um produto sensível à umidade e às condições de conservação, todo o processo operacional demanda controle rigoroso desde o desembarque até a chegada às maltarias e indústrias consumidoras.

Cada navio desse porte funciona praticamente como um corredor logístico flutuante, conectando lavouras argentinas diretamente ao parque industrial brasileiro em operações que movimentam dezenas de milhares de toneladas de uma só vez.

Movimentação de cevada cresce 34% nos portos paranaenses

Além do recorde operacional, a própria movimentação de cevada nos portos paranaenses apresentou crescimento expressivo em 2026. Segundo dados da administração portuária, o volume movimentado no primeiro bimestre do ano saltou de 123.404 toneladas em 2025 para 165.338 toneladas em 2026, crescimento de aproximadamente 34%.

Navio vindo da Argentina descarregou 50 mil toneladas de cevada no Porto de Paranaguá, bate recorde histórico no Paraná e reforça engrenagem que abastece cervejarias, maltarias e indústrias do Sul do Brasil
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Esse aumento acompanha a expansão do setor cervejeiro e maltador no estado. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam que o Paraná possuía 174 cervejarias registradas em 2024, número 3% superior ao registrado no ano anterior.

Entre 2020 e 2024, o setor investiu cerca de R$ 5 bilhões em expansão industrial, compra de insumos e modernização produtiva.

A alta na importação de cevada mostra que a expansão da indústria cervejeira brasileira continua puxando operações gigantescas dentro dos portos nacionais, especialmente nos terminais do Sul do país.

Investimentos em dragagem mudaram capacidade logística de Paranaguá

A administração do Porto de Paranaguá atribui diretamente esses recordes aos investimentos em dragagem e aprofundamento do canal de acesso.

O aumento do calado operacional permite que embarcações cheguem mais carregadas ao terminal, aumentando eficiência logística sem necessidade proporcional de ampliar número de viagens marítimas.

Navio vindo da Argentina descarregou 50 mil toneladas de cevada no Porto de Paranaguá, bate recorde histórico no Paraná e reforça engrenagem que abastece cervejarias, maltarias e indústrias do Sul do Brasil
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Segundo o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, os recordes consecutivos registrados em 2026 só se tornaram possíveis graças à capacidade do porto de receber navios maiores e mais pesados. A estratégia busca transformar Paranaguá em um terminal ainda mais competitivo no cenário portuário brasileiro e sul-americano.

Os ganhos de profundidade começaram a alterar diretamente a escala operacional do porto, permitindo operações cada vez mais próximas dos grandes corredores logísticos internacionais de granéis agrícolas e industriais.

Operação reforça transformação dos portos brasileiros em hubs industriais

Nos últimos anos, os portos brasileiros passaram a receber volumes cada vez maiores de fertilizantes, combustíveis, veículos, equipamentos industriais e granéis agrícolas.

Paranaguá aparece entre os terminais que mais ampliaram eficiência operacional nesse processo, consolidando posição estratégica dentro do comércio marítimo sul-americano.

A operação envolvendo o Mercury Island mostrou como os terminais deixaram de funcionar apenas como pontos de exportação agrícola e passaram a atuar também como grandes plataformas industriais de abastecimento interno. O fluxo de cevada vindo da Argentina sustenta cadeias inteiras ligadas à produção de malte, cerveja e derivados alimentícios no Sul do Brasil.

O recorde registrado em Paranaguá evidencia como enormes operações logísticas continuam acontecendo silenciosamente nos portos brasileiros, movimentando milhões de toneladas de produtos estratégicos que abastecem a indústria nacional diariamente.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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