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“Navio fantasma”: embarcação com 3 mil vacas fica à deriva por dois meses, causando 48 mortes e 140 nascimentos

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 30/11/2025 às 18:33
Um navio com cerca de 3 mil vacas esteve à deriva por dois meses, com mortes, nascimentos e condições críticas a bordo; parte dos animais desembarcou na Líbia, segundo entidades de bem-estar animal.
Um navio com cerca de 3 mil vacas esteve à deriva por dois meses, com mortes, nascimentos e condições críticas a bordo; parte dos animais desembarcou na Líbia, segundo entidades de bem-estar animal.
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Um navio com cerca de 3 mil vacas esteve à deriva por dois meses, com mortes, nascimentos e condições críticas a bordo; parte dos animais desembarcou na Líbia, segundo entidades de bem-estar animal.

Um navio boiadeiro carregado com cerca de 3 mil vacas ficou à deriva por dois meses, enfrentando mortes, nascimentos e graves problemas de sanidade, antes de ser autorizado a descarregar parte dos animais em Benghazi, na Líbia.

A embarcação, chamada Spiridon II, saiu de Montevidéu em 20 de setembro e havia sido impedida pela Turquia de realizar o desembarque por irregularidades nos documentos sanitários e identificação das vacas.

A situação despertou protestos de organizações internacionais de proteção animal, que classificam o transporte como degradante e pedem medidas urgentes para proteger os animais.

Navio com 3 mil vacas: mortes, nascimentos e decomposição

De acordo com o relatório da Animal Welfare Foundation (AWF), durante a travessia ocorreram ao menos 48 mortes entre as vacas.

Além disso, cerca de 140 bezerras nasceram no navio, o que agrava ainda mais a situação, dado que esses animais recém-nascidos podem não sobreviver a nova viagem.

Fontes também relataram odores fortes, infestação de moscas e acúmulo de resíduos orgânicos em decomposição nos compartimentos onde ficam as vacas.

Fiscalização sanitária e rejeição na Turquia

O navio Spiridon II ancorou na Turquia em 22 de outubro, mas as autoridades locais negativaram o desembarque devido a falhas documentais: 146 vacas tinham brincos ilegíveis ou ausentes, e outras 469 não tinham registro correto.

Essas incongruências na identificação alarmaram os fiscais sanitários, que temem riscos epidemiológicos e falta de controle adequado sobre a origem dos animais.

Mudança de rota e chegada à Líbia

Após a rejeição turca, o navio rumou para o Estreito de Çanakkale e seguiu para Benghazi, na Líbia, onde foi finalmente autorizado a desembarcar parte das vacas.

Organizações como a Mercy For Animals (MFA) afirmam que alguns animais já teriam sido vendidos na Líbia, enquanto outros devem seguir para o Egito, onde existe acordo sanitário com o Uruguai para importação de gado vivo.

Riscos sanitários e bem-estar animal

Especialistas da AWF alertam para sérios riscos sanitários: vazamentos de fluidos corporais, decomposição de corpos e falta de ventilação adequada colocam em risco não apenas a vida das vacas, mas também a saúde pública.

A veterinária Lynn Simpson destaca que essas condições configuram perigo para doenças e contaminação cruzada entre os animais.

Além disso, a AWF teme que a superlotação e o estresse térmico coloquem as bezerras recém-nascidas em situação de vulnerabilidade crítica.

Debate sobre o transporte marítimo de vacas

O caso reacendeu críticas ao uso de navios boiadeiros, embarcações projetadas para transportar grandes quantidades de animais vivos, mas frequentemente alvo de denúncias por condições precárias.

Segundo relatórios de diversas entidades de bem-estar, a falta de fiscalização rigorosa favorece superlotação, mortes, contaminação e maus-tratos durante longas travessias.

O episódio também levanta questões sobre a responsabilidade dos países importadores e exportadores, como Uruguai, Líbia e Turquia, no controle da saúde animal e no respeito às normas internacionais.

Impacto para a pecuária brasileira

O navio Spiridon II trouxe atenção para o papel do Brasil na exportação de vacas vivas.

Conforme estimativas da MFA, o país deve ultrapassar 1 milhão de bovinos embarcados em 2025, número que poderia bater recorde.

No Congresso brasileiro, discussões em torno de projetos de lei como o PLP 23/2024 e o PL 786/2024 ganharam força após o episódio, propondo mais restrições, tributos e exigências sanitárias para exportação de gado vivo.

Organizações de proteção animal pedem investigação completa sobre os responsáveis pela embarcação, bem como responsabilização legal por maus-tratos e mortes.

Também há apelo para que governos enderecem políticas para banir ou regulamentar com mais rigor o transporte marítimo de animais vivos.

Por fim, a transparência nos acordos sanitários entre países exportadores e importadores é vista como chave para evitar novos episódios de sofrimento animal.

Fonte: Canal Rural

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Simone
Simone
01/12/2025 13:34

Coitados desses animais, imagino o quanto eles sofrem de sede, calor, medo e muita fome que vai matando aos poucos. Esse tipo de transporte precisa acabar. Um horror criado pelos **** humano.

Katrina Love
Katrina Love
30/11/2025 20:07

Do you not proof read? Two thousand nine hundred and one (2,901) cows (nearly 3 thousand/3,000/3k, not “nearly 3”.

Vessel docked in Beirut on 27 November and remains there.

The Uruguayan government issued a statement that all live animals and all dead bodies were offloaded in Benghazi, though I’m not suggesting that they are inscrutable tellers of truth.

Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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