Agência espacial norte-americana detalha uma das missões mais complexas já planejadas para o programa Artemis, que reunirá múltiplos lançamentos, espaçonaves de diferentes empresas e operações inéditas de acoplamento em órbita terrestre
A NASA anunciou oficialmente os integrantes da missão Artemis III, considerada uma das etapas mais importantes e tecnicamente desafiadoras do atual programa de exploração espacial dos Estados Unidos. O anúncio foi feito em 09 de junho de 2026 e marca mais um avanço na estratégia da agência para preparar futuras missões tripuladas à Lua e, posteriormente, a Marte.
Segundo informações divulgadas pela própria NASA, a missão Artemis III está programada para 2027 e terá como principal objetivo realizar uma série de testes em órbita baixa da Terra. Esses procedimentos serão fundamentais para validar tecnologias, sistemas de acoplamento e operações conjuntas entre a cápsula Orion e veículos lunares desenvolvidos pelas empresas Blue Origin e SpaceX.
Diferentemente de versões anteriores do programa, a Artemis III foi concebida como uma missão de testes altamente complexa, destinada a preparar o caminho para a Artemis IV, atualmente planejada para 2028 e apontada pela NASA como a primeira missão tripulada rumo à região do polo sul da Lua.
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Conheça os astronautas escolhidos para a Artemis III
A tripulação principal reúne profissionais com ampla experiência em operações espaciais, aviação militar e missões científicas.
O comando da missão ficará com Randy Bresnik, astronauta veterano da NASA e coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Esta será sua terceira viagem ao espaço. Bresnik já participou da missão STS-129 do ônibus espacial Atlantis e também integrou as Expedições 52 e 53 da Estação Espacial Internacional. Ao longo da carreira, acumulou mais de 7.000 horas de voo em 95 tipos diferentes de aeronaves.
Como piloto da missão foi escolhido Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia (ESA). A designação é histórica, já que ele se tornou o primeiro astronauta europeu oficialmente escalado para uma missão Artemis. Parmitano já realizou duas viagens espaciais e foi o primeiro italiano a comandar a Estação Espacial Internacional. Além da carreira espacial, possui experiência como piloto de testes da Força Aérea Italiana.
Entre os especialistas de missão está Frank Rubio, astronauta da NASA que ganhou notoriedade internacional após estabelecer o recorde de maior permanência contínua de um astronauta norte-americano no espaço. Entre setembro de 2022 e setembro de 2023, Rubio permaneceu 371 dias em órbita a bordo da Estação Espacial Internacional. Médico e aviador do Exército dos Estados Unidos, ele acumula mais de 28 anos de serviço militar.
A equipe também contará com Andre Douglas, que fará sua primeira viagem espacial. Engenheiro de formação, Douglas integrou anteriormente a equipe de apoio da Artemis II e possui experiência em sistemas autônomos, operações de resgate marítimo e projetos avançados de exploração espacial desenvolvidos pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.
Como integrante reserva foi anunciado Bob Hines, astronauta da NASA e ex-piloto da missão SpaceX Crew-4 para a Estação Espacial Internacional. Ele participará dos treinamentos e poderá substituir qualquer integrante da equipe principal caso seja necessário.
Missão exigirá coordenação inédita entre NASA, SpaceX e Blue Origin
De acordo com a NASA, a Artemis III será uma das missões mais complexas já realizadas porque envolverá múltiplos lançamentos de foguetes pesados em um curto intervalo de tempo.
O plano prevê que uma versão de testes do módulo lunar Blue Moon, desenvolvido pela Blue Origin, seja lançada primeiro e permaneça em órbita aguardando a chegada da tripulação. Em seguida, o foguete SLS lançará a cápsula Orion com os astronautas. Após alcançar a órbita terrestre, a nave realizará operações de aproximação, encontro e acoplamento com o veículo da Blue Origin.
Durante aproximadamente dois dias, os astronautas executarão testes de integração entre os sistemas, incluindo avaliações de interfaces, comunicações, software e procedimentos operacionais.
Posteriormente, a Orion se desacoplará e aguardará a chegada de uma versão de testes da Starship, desenvolvida pela SpaceX. Após um novo encontro orbital, as equipes realizarão mais um ciclo de verificações técnicas antes do retorno da cápsula à Terra.
Segundo a NASA, a missão deverá durar aproximadamente duas semanas, embora a duração exata dependa do desempenho das operações em órbita e das janelas de lançamento disponíveis.
Preparativos avançam para um dos projetos mais ambiciosos do século
Enquanto a tripulação inicia os treinamentos, engenheiros seguem trabalhando na preparação dos sistemas que serão utilizados na missão.
A NASA informou que a integração da cápsula Orion avança conforme o cronograma. Entre as atividades em andamento estão a instalação do sistema de acoplamento que estreará na Artemis III e os testes do escudo térmico responsável por proteger a nave durante o retorno à Terra.
O foguete SLS também passa por etapas importantes de montagem. Técnicos trabalham na integração da seção principal do veículo antes da instalação dos quatro motores RS-25. Paralelamente, segmentos dos propulsores laterais sólidos já chegaram ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
A Blue Origin continua desenvolvendo a versão tripulada do módulo lunar Blue Moon, enquanto a SpaceX trabalha na adaptação da Starship para futuras operações relacionadas ao programa Artemis. A NASA acompanha diretamente os trabalhos das duas empresas, fornecendo suporte técnico e experiência adquirida em décadas de missões espaciais.
Artemis III abre caminho para futuras missões à Lua e Marte
A missão representa mais do que um simples teste tecnológico. Para a NASA, ela será um passo decisivo para validar sistemas que poderão ser empregados em futuras operações tripuladas além da órbita terrestre.
Segundo Jared Isaacman, administrador da NASA, a Artemis III simboliza uma nova fase da exploração espacial, reunindo inovação norte-americana, cooperação internacional e tecnologias capazes de expandir a presença humana no espaço profundo.
A agência espacial afirma que o programa Artemis continuará promovendo missões cada vez mais complexas, com foco em ampliar o conhecimento científico, desenvolver novas capacidades tecnológicas e estabelecer uma presença humana sustentável na Lua. A experiência adquirida nessas operações também deverá servir como base para futuras missões tripuladas rumo a Marte.

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