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Na última sessão de 2025, vereadores correm para aprovar em menos de dois minutos aumento de 70 por cento, elevam salário de secretário de 10 mil para 17 mil sem debate

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/12/2025 às 12:56
Na última sessão do ano, vereadores de Itapecerica da Serra aprovam aumento de 70% para secretários municipais e ampliam gasto público sem debate detalhado.
Na última sessão do ano, vereadores de Itapecerica da Serra aprovam aumento de 70% para secretários municipais e ampliam gasto público sem debate detalhado.
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Em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, vereadores aprovam em 18 de dezembro de 2025, por unanimidade e sem debate, projeto da Mesa Diretora que eleva salários de dez mil e cem para dezessete mil e cem reais, com impacto anual estimado em um vírgula três milhão de reais

Na manhã de 18 de dezembro de 2025, na última sessão do ano, vereadores de Itapecerica da Serra votaram em menos de dois minutos um projeto que aumenta em 70% os salários dos secretários municipais da cidade, elevando a remuneração de 10.100 para 17.100 reais. A votação relâmpago ocorreu na Câmara Municipal, na Grande São Paulo, em uma sessão que durou apenas sete minutos no total.

O projeto, de autoria da Mesa Diretora presidida pelo vereador Cícero Melo, do União Brasil, foi aprovado por unanimidade pelos 15 vereadores presentes, sem qualquer debate em plenário antes da votação e com tempo de deliberação de apenas 1 minuto e 38 segundos. A medida ainda depende de sanção do prefeito Ramon Pires Corsini, também do União Brasil, para entrar em vigor na mesma data base dos demais servidores.

Como o aumento foi aprovado em menos de dois minutos

Na prática, a sessão final de 2025 concentrou dois movimentos decisivos: a aprovação do orçamento municipal para 2026 e o reajuste dos subsídios dos secretários.

Os vereadores incluíram o aumento de 70% na pauta da última sessão do ano e concluíram a votação em ritmo acelerado, sem abertura de espaço para discussão pública no plenário, apesar do impacto direto nas contas da cidade.

O projeto elevou o salário de 16 secretários municipais de 10.100 para 17.100 reais, produzindo um impacto estimado de 112 mil reais por mês e 1,3 milhão de reais por ano no orçamento local.

Todos os 15 vereadores votaram a favor, o que encerrou a análise em menos de dois minutos e selou o avanço da proposta ainda em 2025, na virada de um ciclo legislativo para outro.

Quem são os autores do projeto aprovado pelos vereadores

A iniciativa partiu da própria cúpula da Câmara.

A proposta é assinada pelos quatro vereadores que compõem a Mesa Diretora do Legislativo municipal: o presidente Cícero Melo, do União Brasil, Gilberto Moraes Cardoso, do PSB, José Martins Filho, do PDT, e Valdemir dos Santos Oliveira, do PL.

Na justificativa anexada ao projeto, os vereadores afirmam que a revisão dos subsídios não representa privilégio, mas um instrumento de adequação legal e administrativa, alinhado às atribuições exercidas pelos secretários municipais.

Segundo o texto, a medida seria necessária para garantir coerência entre responsabilidades, remuneração e o que classificam como bom funcionamento da administração pública local.

Os autores também defendem que o reajuste ajuda a “adequar os subsídios à complexidade, à responsabilidade e à relevância das funções exercidas pelos Secretários Municipais” e que essa mudança contribuiria para “valorização do serviço público” e “atração de profissionais qualificados”.

Assim, os vereadores tentam enquadrar o aumento como política de gestão e não como benefício político imediato.

Impacto do aumento nas contas de Itapecerica da Serra

Pelos números apresentados, o aumento aprovado pelos vereadores gera um acréscimo de 112 mil reais por mês na folha de pagamento dos 16 secretários municipais, o que resulta em um impacto global de 1,3 milhão de reais a cada ano.

Os novos valores valerão na mesma data base dos demais servidores municipais, caso o prefeito sancione o projeto sem vetos.

Esse montante passa a disputar espaço com outras despesas obrigatórias do orçamento de Itapecerica da Serra, em um cenário de pressões típicas de municípios da Grande São Paulo, como custos com saúde, educação, transporte e manutenção urbana.

Ao aprovar o reajuste em sessão relâmpago, os vereadores assumem politicamente o aumento permanente dessa despesa, em um contexto em que não houve debate público detalhado na própria sessão que consolidou a decisão.

Histórico de tentativas de reajuste e resistência anterior

Segundo a própria Câmara, os secretários municipais estavam desde 2018 sem reajuste nos subsídios, o que é usado pelos autores do projeto como argumento para justificar a elevação de 70% em 2025.

Esse intervalo de sete anos sem correção é apresentado como sinal de defasagem acumulada, a ser compensada de uma só vez com o novo valor.

No entanto, este não foi o primeiro movimento para elevar os salários da cúpula do Executivo municipal.

No ano anterior, o prefeito Ramon Corsini tentou conceder um aumento de 48% por meio de decreto.

Diante da repercussão negativa, o decreto foi revogado, e a medida não chegou a ser consolidada, obrigando a busca de outro caminho político para o reajuste.

Agora, a iniciativa vem formalmente da Câmara, assinada por vereadores e submetida ao rito legislativo tradicional.

Papel político dos vereadores e expectativa pela sanção do prefeito

Com a aprovação unânime e acelerada, os vereadores se colocam no centro de uma decisão sensível do ponto de vista fiscal e político, já que o aumento de 70% beneficia diretamente o primeiro escalão do Executivo, subordinado ao prefeito do mesmo partido que preside a Câmara.

O movimento ocorre justamente na última sessão de 2025, em um momento em que a atenção da população costuma estar mais voltada às festas de fim de ano do que às votações legislativas.

A próxima etapa depende da sanção do prefeito Ramon Pires Corsini.

Se ele confirmar o texto sem alterações, o aumento passa a valer e os secretários municipais de Itapecerica da Serra terão o novo salário de 17.100 reais já na próxima data base.

Caso o prefeito opte por vetar total ou parcialmente o projeto, os vereadores terão de decidir se mantêm ou derrubam o veto em nova votação, o que pode reabrir o debate sobre prioridade orçamentária e responsabilidade política pelo reajuste.

Enquanto o governo municipal avalia o impacto e o ambiente político em torno da medida, a forma como os vereadores aprovaram o aumento em menos de dois minutos e sem discussão em plenário tende a alimentar questionamentos sobre transparência, timing e critérios de reajuste para o alto escalão, em contraste com a realidade salarial da maior parte da população.

Na sua opinião, os vereadores deveriam ter aprovado esse aumento de 70% para os secretários municipais na última sessão do ano ou o tema merecia mais debate público antes da votação?

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