Infraestrutura recorde atravessa cordilheira histórica e transforma logística regional ao reduzir drasticamente o tempo de viagem entre áreas isoladas de Xinjiang, enfrentando desafios extremos de engenharia, clima severo e geologia complexa em uma das maiores obras rodoviárias da China.
O Túnel Tianshan Shengli, na região autônoma chinesa de Xinjiang, entrou em operação em 26 de dezembro de 2025 como o maior túnel de via expressa do mundo, com 22,13 quilômetros de extensão.
A estrutura atravessa a cadeia de montanhas Tianshan e reduziu para cerca de 20 minutos um deslocamento que antes consumia várias horas por estradas sinuosas e de circulação mais arriscada.
Túnel Tianshan Shengli reduz tempo de viagem em Xinjiang
Integrado à via expressa G0711, que liga Urumqi a Yuli, o túnel passou a funcionar como eixo estratégico para a circulação entre o norte e o sul de Xinjiang, a maior divisão administrativa da China em área.
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A abertura da rota ampliou a capacidade logística de uma região extensa, marcada por longas distâncias, trechos montanhosos e forte dependência do transporte rodoviário para o escoamento de cargas.
Cordilheira Tianshan era desafio logístico desde os anos 1950

A travessia das montanhas Tianshan é tratada na China como um problema de infraestrutura antigo.
Relatos publicados por veículos estatais chineses indicam que, desde a década de 1950, o país busca ampliar as conexões rodoviárias entre as duas porções de Xinjiang, mas o crescimento econômico e o aumento do fluxo de veículos passaram a pressionar a capacidade das ligações já existentes.
Essa limitação se tornou mais sensível com a expansão do transporte de mercadorias na região.
Antes da nova travessia, caminhões e outros veículos precisavam percorrer estradas estreitas, com curvas sucessivas e condições que elevavam o tempo de viagem, principalmente em trechos de montanha sujeitos a clima severo e operação mais complexa ao longo do ano.
Engenharia enfrentou clima extremo e falhas geológicas
A construção começou em abril de 2020 e foi concluída no fim de dezembro de 2024, depois de uma sequência de desafios técnicos em uma das áreas mais difíceis do projeto rodoviário em Xinjiang.
Segundo informações divulgadas pelo governo chinês e pela agência Xinhua, a obra avançou sob frio intenso, grande altitude, alta pressão geológica, atividade sísmica e exigências ambientais rígidas.
A cordilheira Tianshan é descrita por fontes oficiais chinesas como um “museu geológico”, devido à variedade de formações rochosas e zonas de falha encontradas no maciço.
O traçado do túnel cruza 16 dessas zonas, o que ajuda a explicar por que a escavação exigiu divisão da obra em frentes menores, com ajustes contínuos no método construtivo para manter segurança, ritmo e estabilidade estrutural.
Torre de ventilação de 706 metros impressiona pela escala

Entre os elementos mais impressionantes da infraestrutura está o poço de ventilação número 2, com 706 metros de profundidade.
O dado foi divulgado por fontes oficiais chinesas, que destacaram a comparação com a Torre de Xangai, o edifício mais alto do país, para dimensionar a escala da estrutura instalada no sistema de ventilação do túnel.
A função desse conjunto é decisiva para a operação de uma travessia tão longa.
Em túneis rodoviários de grande extensão, o controle da circulação de ar, da retirada de fumaça e da resposta a ocorrências é parte central do sistema de segurança, especialmente em um corredor que concentra transporte de carga e atravessa uma área remota, com condições ambientais duras no inverno e no verão.
Impactos logísticos e econômicos na região de Xinjiang
Com a abertura ao tráfego, o Tianshan Shengli passou a encurtar de forma expressiva o tempo de ligação entre polos urbanos e áreas produtivas dos dois lados da cordilheira.
A obra também integra um corredor mais amplo da infraestrutura chinesa em Xinjiang, desenhado para melhorar a conectividade interna da região e dar maior fluidez ao deslocamento de mercadorias em um território que ocupa mais de 1,6 milhão de quilômetros quadrados.
O impacto prático aparece sobretudo no transporte rodoviário pesado.
Ao substituir parte de um trajeto montanhoso demorado por uma passagem contínua e direta, a nova estrutura tende a reduzir desgaste operacional, incerteza logística e exposição a trechos mais perigosos, algo relevante para cadeias de abastecimento que dependem de regularidade e previsibilidade em uma região de longas distâncias.
Medidas ambientais e proteção da cordilheira Tianshan

Além das dificuldades geológicas, a construção precisou atender exigências ambientais em uma área sensível da cordilheira.
O governo chinês informou que foram adotadas medidas para conter águas residuais no canteiro e reaproveitar cascalho, com o objetivo de reduzir impactos sobre a geleira Tianshan No. 1 e sobre habitats associados à fauna local, incluindo o leopardo-das-neves.
Essas providências foram incorporadas a um projeto que buscava combinar velocidade de execução e controle de impacto.
Ainda segundo fontes oficiais, a segmentação da escavação em trechos menores ajudou a encurtar o cronograma original em mais de 25%, sem eliminar a necessidade de soluções específicas para ventilação, segurança operacional e adaptação às condições extremas do terreno.
Infraestrutura estratégica reforça integração regional na China
A conclusão do túnel reforça uma linha de investimentos chineses em obras de grande porte voltadas à integração territorial de Xinjiang.
Ao atravessar a principal barreira natural entre o norte e o sul da região, o Tianshan Shengli deixa de ser apenas uma façanha de engenharia e passa a operar como peça logística permanente, conectada a uma autoestrada que reorganiza tempos de deslocamento e amplia a capacidade de circulação na área.
Mais do que o recorde de extensão, a relevância da obra está no efeito direto sobre uma travessia que, por décadas, concentrou limitações técnicas, custos maiores e riscos operacionais.
Com 22,13 quilômetros, ventilação em escala incomum e ligação direta pela G0711, o túnel transforma um corredor historicamente difícil em uma passagem contínua entre duas partes centrais de Xinjiang.
