Pesquisadores encontram um pedaço perdido do fundo do mar, oculto no manto da Terra, próximo à Ilha de Páscoa. A descoberta levanta a expectativa de que muitas outras estruturas antigas ainda estão por ser encontradas.
A descoberta recente de uma antiga placa oceânica submersa sob o Oceano Pacífico está gerando grande interesse no campo da geologia e das ciências da Terra.
Cientistas encontraram o que eles chamam de “impressão digital fossilizada” de uma parte do fundo do mar que afundou há cerca de 250 milhões de anos, no início da era dos dinossauros.
Esse pedaço da crosta terrestre, localizado agora nas profundezas da zona de transição do manto, representa uma descoberta fascinante que pode ajudar a explicar algumas das características geológicas mais misteriosas do nosso planeta.
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A descoberta no manto da Terra
A equipe de cientistas, liderada por Jingchuan Wang, da Universidade de Maryland, fez essa descoberta utilizando ondas sísmicas para examinar as rochas situadas abaixo da Dorsal do Pacífico Leste, uma cadeia montanhosa submarina localizada a cerca de 3.200 quilômetros da costa da América do Sul.
Durante a análise, foi possível criar uma seção transversal digital da crosta terrestre e do manto. O estudo revelou uma região incomumente espessa na zona de transição do manto, uma área entre 410 e 660 quilômetros de profundidade.
Essa espessura anormal foi encontrada 350 quilômetros a leste de Rapa Nui, mais conhecida como Ilha de Páscoa.
Essa área espessa foi descrita como uma impressão digital fossilizada de uma antiga placa tectônica que se subduziu – processo em que uma placa tectônica é empurrada para baixo de outra, afundando no manto.
Normalmente, o material das placas tectônicas se desintegra no manto, sendo reciclado como magma devido às altas temperaturas.
No entanto, esse pedaço da crosta oceânica sobreviveu intacto, o que surpreendeu os cientistas. “Normalmente, placas oceânicas de material são consumidas completamente pela Terra”, comentou Wang.
Um vislumbre do passado da Terra

Wang et al. Science Advances, 2024. )
A placa encontrada pelos pesquisadores tem uma importância significativa por várias razões. Ela representa um pedaço da história geológica do planeta, oferecendo um vislumbre único de como a tectônica de placas funcionava no passado remoto.
Além disso, a posição da placa submersa sugere que ela se moveu de forma muito mais lenta do que o esperado.
Isso indica que a zona de transição do manto pode funcionar como uma barreira viscosa, retardando o movimento do material que está afundando, uma descoberta que desafia as expectativas dos cientistas.
Outro aspecto intrigante dessa descoberta é a possível conexão com uma área do manto chamada Pacific Large Low Shear Velocity Province (LLSVP). Nesta região, as ondas sísmicas desaceleram significativamente, sugerindo uma mudança nas propriedades do manto.
Os cientistas acreditam que a placa presa na zona de transição pode estar empurrando o limite inferior dessa área, criando uma lacuna no LLSVP. O deslocamento de material para acomodar o formato da placa afundada pode explicar essa estranha interrupção nas características sísmicas da região.
Um novo começo para a tectônica de placas
Embora a descoberta da placa submersa seja por si só fascinante, ela também tem implicações mais amplas para a compreensão da tectônica de placas e da história geológica da Terra. Wang e sua equipe acreditam que esse é apenas o começo de uma série de possíveis descobertas futuras.
“Acreditamos que há muitas outras estruturas antigas esperando para serem descobertas no interior profundo da Terra“, afirmou o pesquisador.
Cada nova descoberta pode oferecer novos insights sobre o passado geológico do planeta e contribuir para a compreensão de como o sistema de tectônica de placas moldou a superfície da Terra ao longo dos milênios.
Além disso, essas descobertas podem ajudar a melhorar o conhecimento sobre a geologia de outros planetas.
A compreensão da tectônica de placas e da dinâmica interna da Terra pode ser aplicada para estudar outros corpos celestes, como Marte, e ajudar a desvendar mistérios sobre a formação e evolução de planetas rochosos.

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