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Apelidado de Pemba, um robô humanoide desafiou o frio extremo e a altitude para cravar o topo do vulcão Chimborazo a mais de 6 mil metros, de olho no Everest, ainda que tenha precisado ser carregado pela equipe nos trechos mais íngremes da subida

Publicado em 08/06/2026 às 15:33
Atualizado em 08/06/2026 às 15:44
O robô humanoide Pemba, da Unitree, encarou o frio e a altitude e chegou ao topo do Chimborazo; agora a equipe mira o Everest, mas esbarra na lei do Nepal.
O robô humanoide Pemba, da Unitree, encarou o frio e a altitude e chegou ao topo do Chimborazo; agora a equipe mira o Everest, mas esbarra na lei do Nepal.
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O robô humanoide Pemba, um modelo G1 da Unitree adaptado, chegou ao cume do vulcão Chimborazo, no Equador, a mais de 6 mil metros de altitude, a expedição histórica veio a público em junho de 2026. O feito abre um projeto que sonha levar a máquina ao Everest, embora a equipe tenha carregado o robô nos trechos difíceis.

Um robô humanoide acaba de fazer história ao alcançar o topo de uma das montanhas mais altas das Américas. Apelidado de Pemba, ele chegou ao cume do vulcão Chimborazo, no Equador, a mais de 6 mil metros de altitude, enfrentando frio extremo e terreno hostil.

O feito, divulgado pelo site Humanoids Daily e pelo próprio criador do projeto, tem um asterisco importante: a escalada de 16 horas não foi totalmente autônoma. Pemba, um modelo G1 da Unitree modificado, caminhou sozinho nos trechos mais suaves, mas precisou ser carregado pela equipe nas partes mais íngremes. O próximo alvo é nada menos que o Everest.

A escalada do Chimborazo e o asterisco da autonomia

O projeto Pemba está testando se robôs humanoides podem operar em alguns dos ambientes mais hostis do mundo.
O projeto Pemba está testando se robôs humanoides podem operar em alguns dos ambientes mais hostis do mundo.

Segundo a equipe do projeto, o robô humanoide caminhou de forma independente apenas nos trechos com inclinação inferior a 30 graus. Nas seções mais íngremes e tecnicamente difíceis da subida de 16 horas até o cume do Chimborazo, os integrantes da expedição precisaram carregar a máquina. Ou seja, foi uma conquista importante, mas ainda longe de uma escalada autônoma do começo ao fim.

É justamente essa autonomia que a equipe quer ampliar daqui para frente, usando sistemas de aprendizado por reforço treinados para encarar terrenos cada vez mais complicados. A ascensão é descrita como a primeira etapa de uma ambiciosa jornada apelidada de Tríplice Coroa, que pode, no futuro, levar o robô humanoide a tentar o ponto mais cobiçado do montanhismo, em meio à grande altitude do Himalaia.

Por que mandar um robô humanoide para a natureza selvagem

video: redes sociais

O projeto não nasceu para fazer acrobacias. Liderado pelo engenheiro Pablo Berlanga Boemare, fundador da Geologic Dome, que já atuou em iniciativas de conservação com o Fundo Mundial para a Natureza, o WWF, na Bacia do Congo e na Amazônia, o robô humanoide foi concebido para responder a uma pergunta prática: essas máquinas podem virar ferramentas úteis em lugares remotos e perigosos para humanos?

A lógica é a seguinte: muitas áreas protegidas dependem de redes de câmeras e sensores fixos para monitorar a vida selvagem, a extração ilegal de madeira e a caça furtiva. A proposta é que um robô humanoide equipado com câmeras, sensores, conexão via satélite e inteligência artificial possa patrulhar grandes áreas sozinho, coletando dados. O plano prevê versões futuras movidas a energia solar e ligadas a redes como a Starlink, oferecendo uma alternativa mais flexível aos equipamentos parados em um só ponto.

O desafio do frio extremo em grande altitude

Levar eletrônicos a esse tipo de ambiente é um teste duríssimo. Em grande altitude, as baterias e os componentes enfrentam temperaturas congelantes, variações bruscas de calor e frio e refrigeração menos eficiente. Para contornar isso, os engenheiros criaram sistemas próprios de controle térmico e ventilação, integrados às vestimentas de proteção que o robô humanoide usa, quase como roupas de montanhismo.

Essas adaptações têm origem em testes anteriores feitos no frio. Na região de Altay, na China, o G1 da Unitree teria operado em temperaturas tão baixas quanto -47°C, dando mais de 130 mil passos sobre a neve com a ajuda de sensores LiDAR e câmeras de profundidade. Foi essa experiência em clima severo que ajudou a preparar a máquina da Unitree para encarar a altitude e o frio do Chimborazo.

O Everest é o próximo, mas esbarra na lei

O grande sonho da equipe fica no Himalaia. De acordo com o jornal The Kathmandu Post, a Geologic Dome e a Fourteen Peaks Expedition, sediada no Nepal, propuseram uma expedição de pesquisa de 52 dias para levar um robô humanoide ao Everest, testando a máquina entre o Acampamento Base e altitudes próximas de 8 mil metros. A ideia é medir desempenho de bateria, locomoção e estresse nas articulações, além de avaliar usos futuros como coleta de lixo, monitoramento de geleiras e operações de resgate.

O problema é burocrático. O Nepal ainda não tem uma legislação que regule expedições robóticas no Everest, e, segundo Himal Gautam, diretor do Departamento de Turismo, as autoridades pediram a criação de regras, taxas e diretrizes para “alpinistas não humanos” antes de liberar a missão.

Por isso, a tentativa no Everest foi adiada. Enquanto isso, a façanha no Chimborazo já mostra que a próxima fronteira do robô humanoide pode estar em alguns dos terrenos mais hostis do planeta, e não apenas em fábricas e armazéns.

Ver um robô humanoide encarar o frio e a altitude do Chimborazo, mesmo precisando de ajuda nos trechos mais difíceis, mostra até onde a robótica quer chegar.

Conte nos comentários se você acredita que máquinas como a Unitree vão mesmo conquistar o Everest e ambientes extremos.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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