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Moradores vivem a menos de 400 jardas de um data center da Meta e dizem que a rotina rural virou poeira, barulho, água com sedimento e conta de luz mais alta; a corrida da IA expõe quem pode estar pagando o preço fora das telas

Escrito por Carla Teles
Publicado em 18/06/2026 às 15:48
Atualizado em 18/06/2026 às 15:51
Assista o vídeoMoradores vivem a menos de 400 jardas de um data center da Meta e dizem que a rotina rural virou poeira, barulho, água com sedimento e conta de luz mais alta; a corrida da IA expõe (3)
Data center da Meta mostra data centers, inteligência artificial, conta de luz e água com sedimento em disputa rural.
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Em Mansfield, na Geórgia, Beverly e Jeff Morris relatam que a vida ao lado de um data center da Meta mudou desde a construção iniciada em 2018. A menos de 400 jardas da casa, o projeto virou símbolo de uma disputa sobre água, energia, silêncio e custos da inteligência artificial.

Um data center da Meta em Mansfield, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, virou o centro de uma discussão que vai muito além da tecnologia. Beverly e Jeff Morris, moradores da região, afirmam que vivem a menos de 400 jardas da instalação e que a rotina rural passou a incluir poeira, barulho, luz intensa à noite, água com sedimento e contas de energia mais altas.

O caso ganhou repercussão em uma reportagem em vídeo do More Perfect Union, usada como fonte principal desta matéria. A transcrição disponível não informa a data exata da gravação, mas situa os fatos em uma sequência iniciada em 2016, quando o casal comprou a casa, e em 2018, ano apontado como início da construção do complexo.

Uma casa rural diante de uma infraestrutura gigante

Data center da Meta mostra data centers, inteligência artificial, conta de luz e água com sedimento em disputa rural.
Imagem: Canal More Perfect Union

Beverly e Jeff Morris compraram a propriedade em 2016, a cerca de uma hora de carro do centro de Atlanta. No relato apresentado no vídeo, Beverly afirma que foi criada a poucos quilômetros dali e que o local representava uma espécie de retorno para casa. A promessa era de sossego, espaço aberto e vida no campo.

Essa percepção começou a mudar quando o data center da Meta passou a ocupar a área vizinha. A instalação é descrita no vídeo como um complexo de cerca de 2 milhões de pés quadrados, usado para sustentar serviços digitais e ferramentas associadas à inteligência artificial. Para quem usa aplicativos, buscas e sistemas de IA, essa estrutura costuma parecer invisível. Para os moradores do entorno, ela tem endereço, barulho, luz e impacto no cotidiano.

Poeira, luz forte e água com sedimento entraram na rotina

Segundo Beverly, a construção removeu árvores, alterou a paisagem e trouxe poeira para a frente da casa. Ela relata que a iluminação do complexo passou a ser tão intensa que os moradores conseguem circular pela residência à noite sem acender luzes internas. O que antes era um ambiente rural escuro e silencioso teria se transformado em uma vizinhança industrial.

A reclamação mais sensível envolve a água. O casal afirma que passou a notar sedimentos na água do poço e baixa pressão nas torneiras. Jeff relata a substituição de equipamentos como aquecedor de água, máquinas de lavar e lava-louças, atribuindo os danos ao material acumulado nas tubulações. Eles dizem que a troca do poço poderia custar cerca de US$ 20 mil, sem contar linhas, vasos sanitários e outros reparos.

O debate saiu do quintal e chegou à conta de luz

Data center da Meta mostra data centers, inteligência artificial, conta de luz e água com sedimento em disputa rural.
Imagem: Canal More Perfect Union

O caso dos Morris se conecta a uma discussão maior sobre data centers, energia e inteligência artificial. Essas instalações precisam de grande capacidade elétrica para manter servidores funcionando, refrigerados e conectados. A reportagem aponta que a Geórgia se tornou um polo atraente para esse tipo de projeto por combinar energia industrial relativamente barata e incentivos fiscais.

No vídeo, Patty Durand, apresentada como defensora do consumidor e especialista em política energética, questiona se moradores residenciais devem arcar com parte dos custos de infraestrutura exigidos por data centers.

O debate chegou ao Legislativo estadual por meio do SB 34, proposta apresentada em 2025 para impedir que custos associados ao fornecimento de energia a data centers fossem repassados a consumidores residenciais e pequenos negócios. O projeto, no entanto, não avançou para votação no prazo legislativo daquele ano.

Outros moradores também relatam pressão no entorno de data centers

Data center da Meta mostra data centers, inteligência artificial, conta de luz e água com sedimento em disputa rural.
Imagem: Canal More Perfect Union

A reportagem também mostra moradores de Fayette County, outra região da Geórgia, afetados por um campus de data center ligado à QTS, empresa pertencente à Blackstone. Jean e Joe Marschall, que vivem em uma propriedade de oito acres, relatam obras ao redor da casa, luzes durante a madrugada e barulho constante em horários como 2h, 3h e 4h da manhã.

Em Fayette County, o vídeo afirma que autoridades votaram em 2022 pela anexação e rezoneamento de mais 412 acres para um campus de data center. Também cita que a área foi comprada pela QTS por US$ 153,8 milhões. Para moradores contrários ao projeto, a sensação é de que as decisões já estavam encaminhadas quando as audiências públicas ocorreram.

Autoridade local defende benefícios econômicos do projeto

A reportagem ouviu Niki Vanderslice, chefe da Fayette County Economic Development Authority. Ela defendeu que houve transparência no processo e argumentou que data centers podem trazer ganhos para a comunidade, mesmo quando parte dos moradores sente diretamente os impactos negativos. O ponto central, segundo ela, é equilibrar incômodos locais com benefícios econômicos mais amplos.

Entre os exemplos citados no vídeo, está o aumento de arrecadação de impostos sobre uma propriedade em Fayette County: de US$ 36 mil em 2021 para US$ 1,13 milhão em 2024, ainda em terra bruta. Desse valor, US$ 760 mil teriam sido destinados ao conselho local de educação. A fala mostra como o tema divide opiniões: de um lado, moradores impactados; do outro, autoridades que enxergam expansão econômica e receita pública.

O que a Meta diz e o que ainda não está comprovado

A relação direta entre o data center da Meta e os problemas de água relatados pelos Morris é contestada. Em reportagem da People, a empresa afirmou que um estudo independente apontou que o centro não usa água subterrânea para suas atividades e que o fluxo da água seguiria direção oposta ao poço dos moradores, o que tornaria improvável a responsabilidade da instalação.

Por isso, o texto não pode afirmar como fato comprovado que o data center da Meta causou a água com sedimento. O que está documentado é que moradores relatam problemas desde o avanço da construção, que associam os danos à instalação vizinha e que a Meta rejeita essa ligação. A disputa está justamente entre a experiência cotidiana de quem mora ao lado e a versão técnica apresentada pela empresa.

A corrida da IA também ocupa território físico

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A inteligência artificial costuma ser apresentada como algo digital, rápido e distante da vida comum. Mas data centers mostram que a tecnologia depende de terra, energia, água, redes, obras, permissões e infraestrutura pesada. Para usuários, a IA aparece em uma tela. Para comunidades vizinhas, ela pode aparecer como caminhões, poeira, ruído e pressão sobre serviços locais.

O caso de Mansfield expõe uma pergunta que tende a crescer com a expansão da IA: quem deve pagar pelos custos físicos de uma infraestrutura usada por milhões de pessoas? Empresas de tecnologia, concessionárias, governos e moradores locais ainda disputam essa resposta. O avanço tecnológico pode ser inevitável, mas a forma como ele chega às comunidades não deveria ser invisível.

O preço invisível da inteligência artificial chegou ao quintal dos moradores

A história de Beverly e Jeff Morris mostra que a expansão dos data centers não é apenas uma pauta de tecnologia. É também uma pauta de território, energia, água, vizinhança e responsabilidade. O data center da Meta em Mansfield virou exemplo de uma tensão cada vez mais comum: a infraestrutura que sustenta a vida digital pode mudar profundamente a vida de quem mora perto dela.

Na sua opinião, empresas de tecnologia deveriam pagar integralmente pela energia, pela infraestrutura e pelos impactos locais de seus data centers, ou esses custos fazem parte do preço coletivo da inteligência artificial? Deixe seu comentário e participe da discussão.

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Carla Teles

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