A montanha Pilatus, perto de Lucerna, abriga a ferrovia mais inclinada do planeta e oferece uma combinação rara de engenharia, paisagens alpinas e tradições que seguem encantando viajantes de diversas regiões
Localizada abaixo da Cordilheira dos Alpes, a Suíça combina verões amenos e invernos rigorosos porque está cercada por montanhas imponentes. Esse cenário mistura cidades modernas e natureza preservada, criando um dos ambientes mais admirados da Europa. O país reúne tradição, inovação e obras emblemáticas. Entre elas está a ferrovia mais íngreme do planeta, instalada no monte Pilatus. Ela funciona há mais de um século e recebe visitantes de diversas regiões.
A imponência do monte Pilatus
Pilatus é uma das montanhas mais procuradas da Suíça Central. Fica próxima de Lucerna e alcança 2.132 metros em seu ponto máximo.
O maciço possui vários picos. Entre eles estão o Tomlinson, com 2.128 metros, e o Weidenfeld, com 2.076 metros. Essas estruturas formam um conjunto impressionante que atrai viajantes durante todo o ano.
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A região também ficou marcada por histórias antigas. Uma lenda afirma que o corpo de Pôncio Pilatos teria sido lançado no lago de Oberalp. Por isso, o local foi considerado assombrado durante séculos.
O conselho de Lucerna proibiu o acesso ao Pilatus em 1837. A restrição durou dois séculos e reforçou a ideia de que a montanha guardava segredos perigosos.
Outra narrativa popular diz que dragões benevolentes viviam em cavernas no topo do maciço. Eles teriam poderes de cura e ajudaram um jovem ferido que subiu ao local por engano, segundo a tradição.
Essas histórias ainda movimentam a imaginação de quem visita a montanha.
A criação da ferrovia impossível
No fim do século XIX, o engenheiro Eduard Locher decidiu criar uma ferrovia capaz de vencer a grande inclinação do Pilatus.
Muitos duvidaram do plano porque os sistemas tradicionais não suportariam o ângulo acentuado. Ele, portanto, desenvolveu uma solução inédita para tornar a obra possível e evitar acidentes.
Locher apresentou um projeto com bitola padrão e inclinação de 25%, mas ele não era viável economicamente.
Para seguir adiante, o engenheiro criou um mecanismo que cortava a roda ao meio e permitia ampliar a inclinação para 48%, algo inovador para a época.
Ele instalou um rack duplo horizontal entre os trilhos, com dentes voltados para os dois lados. As rodas dentadas dos eixos verticais se encaixavam no sistema, garantindo aderência e segurança.
Além disso, o método eliminou o risco de tombamentos durante o trajeto.
A linha que virou símbolo suíço
A construção levou 400 dias. A inauguração ocorreu em 4 de junho de 1889 e marcou o início de um percurso de 4.618 metros ligando Alpnachstad Lucerna ao topo do Pilatus.
O trajeto tinha inclinação média de 38% e chegava a 48% nos trechos mais íngremes.
As primeiras locomotivas a vapor viajavam entre 3 e 4 Km/h. Elas levavam mais de uma hora para alcançar o cume.
O sistema, portanto, exigia paciência dos passageiros, mas entregava uma vista espetacular por toda a extensão do caminho.
A ferrovia ainda opera com o sistema original. A manutenção é frequente para preservar a segurança. Os vagões a vapor foram substituídos em 1937 por trens elétricos que viajam a 9 Km/h e reduzem o tempo do percurso.
O trajeto fica disponível entre maio e novembro. A viagem se tornou um dos passeios mais tradicionais da Suíça e segue encantando quem deseja conhecer o Pilatus de perto.
A experiência que conquista viajantes
Os visitantes sobem a montanha porque querem observar a paisagem única formada pelos lagos e pela cadeia alpina.
Muitos aproveitam para registrar fotos no alto do maciço, além de caminhar pelos mirantes espalhados na região.
A experiência combina história, engenharia e natureza. Portanto, o passeio integra diferentes perfis de turistas.
Alguns preferem apenas descansar nos pontos de observação, enquanto outros buscam explorar trilhas curtas.
A estrutura foi planejada para receber esse fluxo variado e garantir conforto durante toda a permanência. Assim, o roteiro permanece entre os favoritos.
Com informações de Amantes da Ferrovia.

