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Casa modular de 3 andares criada pelo escritório de Richard Rogers pode ser montada em menos de 24 horas, reduz em até 90% a conta de energia e foi projetada para tornar a moradia muito mais acessível no combate à pobreza habitacional

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 16/05/2026 às 10:50
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casa modular de 3 andares
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Casa modular criada por Richard Rogers foi erguida em menos de 24 horas e prometia reduzir contas de energia em até 90%.

Em Londres, uma casa modular experimental criada pelo escritório Rogers Stirk Harbour + Partners, do arquiteto britânico Richard Rogers, chamou atenção internacional ao ser montada em menos de 24 horas usando um sistema industrializado de painéis leves e estrutura pré-fabricada. O projeto recebeu o nome de Homeshell e foi apresentado ao público na Royal Academy of Arts em 2013 como demonstração de uma nova abordagem para habitação acessível e construção de alta eficiência energética.

A estrutura possuía três andares e utilizava um sistema construtivo chamado Insulshell, desenvolvido pelo próprio escritório britânico para acelerar montagem, reduzir custo de obra e aumentar eficiência térmica. Segundo os criadores, a tecnologia tinha potencial para reduzir em até 90% os gastos com energia em comparação com casas convencionais.

Casa modular de Richard Rogers foi montada em menos de 24 horas no centro de Londres

A Homeshell foi construída no pátio interno da Royal Academy, em Londres, como peça central da retrospectiva “Richard Rogers: Inside Out”, dedicada aos 50 anos de carreira do arquiteto britânico vencedor do Prêmio Pritzker.

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Segundo o escritório Rogers Stirk Harbour + Partners, toda a estrutura foi transportada por caminhões até o local e montada em menos de um dia graças ao sistema modular de encaixes industrializados.

A construção utilizava painéis leves e componentes pré-fabricados produzidos anteriormente em fábrica. No canteiro, a obra se transformava basicamente em um processo de montagem.

O projeto chamou atenção porque mostrou que uma residência de múltiplos andares poderia ser erguida em ritmo mais próximo de uma instalação industrial do que de uma obra tradicional.

Sistema Insulshell prometia cortar até 90% da conta de energia

O principal diferencial técnico do projeto estava no desempenho térmico e energético. Segundo o escritório de Richard Rogers, o sistema Insulshell utilizava juntas patenteadas e painéis altamente isolantes para aumentar eficiência térmica e acústica da construção.

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A proposta era reduzir drasticamente perda de calor no inverno e entrada excessiva de calor no verão, diminuindo dependência de aquecimento e refrigeração artificial.

Os criadores afirmavam que a combinação entre isolamento avançado e leveza estrutural poderia reduzir em até 90% os custos de energia da residência.

Esse discurso ganhou força no Reino Unido porque o país enfrentava aumento crescente dos custos de eletricidade e aquecimento residencial.

Richard Rogers associou o projeto ao combate à pobreza habitacional

Um dos aspectos mais incomuns da Homeshell era o discurso social associado ao projeto. Segundo materiais apresentados pelo escritório, a intenção não era apenas criar uma casa rápida de montar, mas também uma moradia barata de construir e relativamente barata de manter ao longo dos anos.

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O argumento era que famílias de baixa renda frequentemente sofrem não apenas com aluguel ou financiamento elevado, mas também com contas de energia altas em construções pouco eficientes.

A proposta da Homeshell era transformar eficiência energética em ferramenta de redução de pobreza habitacional. O conceito ganhou destaque em um período de austeridade econômica e crise de moradia no Reino Unido.

Estrutura utilizava tecnologia já aplicada em outros projetos britânicos

O sistema usado na Homeshell não surgiu do zero. Segundo o escritório Rogers Stirk Harbour + Partners, a tecnologia Insulshell já havia sido aplicada anteriormente no projeto habitacional Oxley Woods, em Milton Keynes, desenvolvido em 2007.

A lógica era usar componentes industrializados para acelerar cronograma, reduzir desperdício e simplificar montagem em diferentes terrenos.

A empresa também afirmava que a tecnologia possuía flexibilidade suficiente para adaptação em áreas urbanas complexas e locais difíceis de construir.

Casa modular foi projetada para resistir a incêndios, água e até terremotos

Além da velocidade de montagem, o projeto também enfatizava resistência estrutural. Segundo descrições técnicas publicadas à época, os painéis leves usados na Homeshell possuíam características resistentes ao fogo e à água.

Os criadores também afirmavam que o sistema modular apresentava resistência estrutural compatível com situações de terremoto e furacões.

Embora o projeto fosse voltado principalmente ao mercado britânico, a ideia era desenvolver um modelo replicável internacionalmente para habitação rápida e eficiente.

Construção modular tenta transformar obras em processos industriais repetíveis

A Homeshell fazia parte de uma mudança maior dentro da engenharia e da arquitetura mundial. Em vez de depender exclusivamente de obras longas, manuais e expostas ao clima, empresas começaram a transferir parte crescente da construção para ambientes industriais controlados.

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Nesse modelo, paredes, módulos e sistemas inteiros passam a ser produzidos em fábrica antes de seguirem para montagem no terreno.

Isso reduz desperdício, acelera cronograma e melhora previsibilidade da obra. A construção modular tenta transformar edifícios em produtos parcialmente fabricados em linha industrial.

Reino Unido enfrenta pressão crescente por moradia mais barata e eficiente

A discussão levantada pela Homeshell continua atual no Reino Unido. O país enfrenta há anos forte pressão relacionada ao custo da moradia, baixa oferta habitacional e aumento das contas de energia doméstica.

Projetos modulares passaram a ganhar espaço justamente porque prometem reduzir tempo de construção e ampliar produção habitacional em áreas urbanas.

Ao mesmo tempo, exigências ambientais mais rígidas pressionam o setor da construção a reduzir emissões e melhorar eficiência energética dos edifícios.

Projeto ajudou a popularizar ideia de moradias modulares de alta eficiência

Embora a Homeshell tenha sido apresentada como projeto demonstrativo, ela ajudou a fortalecer o debate sobre habitação modular sustentável.

Nos anos seguintes, diferentes países passaram a investir em construções industrializadas voltadas para moradia popular, hotéis, residências estudantis e hospitais.

A lógica central permanece semelhante: fabricar parte significativa da construção fora do canteiro para acelerar entrega e reduzir custo operacional.

Hoje, o mercado global de construção modular movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano e continua crescendo impulsionado por urbanização, crise habitacional e pressão por eficiência energética.

Homeshell mostrou que rapidez de construção não precisava significar habitação precária

Durante décadas, casas rápidas e pré-fabricadas foram frequentemente associadas a soluções temporárias ou moradias de qualidade inferior.

A proposta de Richard Rogers tentou mudar essa percepção ao combinar design arquitetônico conhecido internacionalmente, eficiência energética elevada e industrialização avançada.

O projeto também reforçou uma ideia cada vez mais presente no setor: o custo real de uma moradia não depende apenas do preço de construção, mas também do gasto contínuo com energia, manutenção e operação.

A pergunta que continua crescendo dentro da engenharia urbana é direta: se casas completas já podem ser erguidas em menos de 24 horas e reduzir drasticamente contas de energia, quanto tempo falta para que construções industrializadas deixem de ser exceção e passem a dominar parte das cidades do futuro?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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