Minérios sofrem retração no Brasil graças às chuvas em Minas Gerais e à redução das importações na China

Roberta Souza
por
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27-04-2022 22:14:08
em Mineração
minérios, Brasil, China Foto: Reprodução de Vlad Chețan, disponível no Pexels / Imagem ilustrativa de montanha de mineração




Queda de 20% no faturamento dos minérios no Brasil se deve aos impactos climáticos em Minas Gerais e às medidas de controle de preços e de combate à Covid empregadas pela China

Em decorrência de fatores climáticos, relacionados à alta das chuvas em Minas Gerais, e externos, ligados às restrições da China, a indústria de minérios no Brasil sofreu retração nos três primeiros meses deste ano. Quando comparados ao primeiro trimestre de 2021, a produção do setor mineral observou diminuição de 13%, enquanto o faturamento teve queda de 20% no primeiro trimestre de 2022, conforme informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A produção em questão equivale a 200 milhões de toneladas, e o ganho correspondente foi de R$ 56,2 bilhões.

O Instituto Brasileiro de Mineração afirmou, ainda, que a redução ocorrida no setor industrial de minérios pode ser atribuída ao grande número de chuvas no estado de Minas Gerais – segundo maior produtor mineral do Brasil -, que ocasionou declínio na produção de minério de ferro do país, e às ações de isolamento praticadas em múltiplas cidades da China em razão da Covid-19.

Segundo a matéria de Iuri Corsini para a CNN, publicada em 26/04, a China, principal parceira do Brasil na seção de minérios e que já comprou mais de 60% da produção, diminuiu em 12% a quantidade de minerais importados do Brasil, o que acarretou uma queda de 31% nos valores das importações nos três primeiros meses deste ano, quando comparados à mesma época do ano passado, e uma retração de 29% se levado em conta o último trimestre de 2021. Houve, por fim, redução de 22,8% nas exportações do Brasil durante esse período.

Ainda assim, o Brasil observou saldo comercial mineral positivo de US$ 6,2 bilhões, com recebimento de R$ 19,4 bilhões (20% inferior) em tributos e royalties.

Minério de ferro lidera em porcentagens de faturamento

O maior faturamento é devido ao minério de ferro, que corresponde a 58,1% de todo o ganho da indústria de minérios e somou R$ 32,7 bilhões (queda de 33% quanto ao primeiro trimestre de 2021 e de 43% em relação aos últimos três meses daquele ano). O segundo e o terceiro lugar pertencem, respectivamente, ao ouro e ao cobre, que são responsáveis por 11% (R$ 6,5 bilhões) e 9% (R$ 5 bilhões) de todo o faturamento. A respeito dos minérios importados pelo Brasil nos três primeiros meses de 2022, os mais importantes foram o potássio, que é fundamental para a produção de fertilizantes e foi equivalente a 46% das importações, e o carvão, que foi equivalente a 40%.

Além disso, o Ibram estabeleceu que as aplicações de capital esperadas pelos cinco anos seguintes – de 2022 a 2026 – no setor de minérios são de US$ 40,4 bilhões, dos quais US$ 36,2 bilhões são voltados para produção e infraestrutura e US$ 4,2 bilhões correspondem a investimentos socioambientais. Do valor total, 46% já está em andamento.

Diretor do Ibram destaca importância do setor mineral para a atividade econômica brasileira

Segundo o diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann, os dados exprimem que as grandes quantidades de investimentos evidenciam a relevância do setor industrial de minérios para a economia do Brasil, apesar das quedas observadas no que se refere ao ano anterior.

O diretor afirmou, ainda, que: “Mesmo quando há alguma queda nos resultados, as exportações de minérios geram divisas das quais o país não pode abrir mão. Daí ser muito conveniente ao país estimular a pesquisa mineral para que possa haver expansão planejada da mineração sustentável e, além disso, precisa haver a consciência de que essa indústria não pode estar exposta a seguidas tentativas de sangrar sua competitividade por meio da elevação de seus tributos e encargos, como se tem observado”.

Sobre a relação com a China, Jungmann ponderou se a dependência brasileira em relação ao país não seria excessiva, já que, quando a China altera suas políticas, a indústria mineral do Brasil é imediatamente afetada.

Mesmo que a China possivelmente permaneça com táticas para regular o valor dos minérios, o Ibram conta com uma leve retomada dos resultados durante o restante do ano. Isso porque, de acordo com o instituto, os impactos climáticos são mais comuns no começo do ano, de modo que a produção no Brasil não deve mais ser afetada por eles.

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Roberta Souza
Engenheira de Petróleo, pós-graduanda em Comissionamento de Unidades Industriais, especialista em Corrosão Industrial. Entre em contato para sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal. Não recebemos currículos