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Milhões de feixes de palha e bombas solares tomam o deserto da China após décadas de areia sufocarem; o plano é controverso, parece último recurso, irriga 200 mil árvores e ainda pode frear a desertificação agora

Publicado em 06/01/2026 às 22:49
Assista o vídeoNo deserto da China, milhões de feixes de palha e bombas de energia solar irrigam árvores e tentam frear a desertificação com engenharia ambiental ousada.
No deserto da China, milhões de feixes de palha e bombas de energia solar irrigam árvores e tentam frear a desertificação com engenharia ambiental ousada.
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No deserto da China, a areia que sufocava vilas e chegava a Pequim impulsionou um plano de última aposta: tabuleiros de palha estabilizam dunas, bombas solares puxam água a 100 metros e irrigam 200 mil árvores ao longo da rodovia de Tarim, freando a desertificação e abrindo debate global hoje.

No deserto da China, o que parecia um cenário sem saída ganhou um desenho repetido como um tabuleiro de xadrez: palha enterrada em quadrados de 6 metros para frear vento, segurar dunas e criar microclimas que mantêm a umidade por tempo suficiente para uma muda não morrer no primeiro dia.

A virada veio quando a escala do calor e da secura deixou de ser só paisagem e virou ameaça humana: verões perto de 50°C, invernos abaixo de 20°C negativos, tempestades que engolem vilas e uma poeira capaz de viajar milhares de quilômetros, empurrando o país para uma resposta que mistura palha, energia solar e plantio massivo.

Por que o deserto da China virou um problema que chegou até Pequim

O deserto de Taklamacan é descrito como um “mar da morte” com cerca de 337.000 km² de desolação. Entre as cordilheiras Tian Shan ao norte e Kunlun ao sul, a umidade fica bloqueada e o resultado é extremo: em alguns trechos, cada metro quadrado recebe apenas 5 litros de água por semana, como uma garrafinha.

Esse ambiente empurra a areia como um predador silencioso. Tempestades de areia podem engolir vilas sem aviso, fazendas são sufocadas, rios são pressionados e milhões de pessoas acabam afastadas de suas casas.

Nos anos 1990, Pequim sentiu o impacto direto: moradores chegaram a usar máscaras por mais de 80 dias por ano, não por vírus, mas por areia vinda de longe, viajando cerca de 2.000 km do deserto da China até a capital.

A Grande Muralha Verde: a aposta de décadas para frear a desertificação

A resposta ganhou nome e prazo. Em 1978, surgiu o projeto conhecido como Cinturão de Proteção das Três Nortes, que o mundo passou a chamar de Grande Muralha Verde.

A ambição é de 4.500 km de extensão e 35 milhões de hectares de árvores, com 72 anos de trabalho contínuo e previsão de conclusão em 2050.

A lógica é direta: criar uma barreira viva capaz de segurar areia, reduzir tempestades e mudar o microclima em áreas críticas.

Só que o deserto da China impõe a pergunta mais difícil: como plantar árvore onde praticamente não chove e onde o vento muda as dunas de lugar com frequência?

Milhões de feixes de palha e o tabuleiro de xadrez que prende as dunas

O método começou com algo simples e brutalmente repetido: palha comum de fazenda transportada em volumes enormes para o coração do deserto da China.

Com ela, equipes cavaram trincheiras rasas e montaram uma grade geométrica, um tabuleiro de xadrez em que cada quadrado tem 6 metros de lado.

O objetivo não é “enfeitar” a areia. As grades de palha freiam o vento, estabilizam as dunas e criam microclimas onde a umidade da madrugada fica presa por mais algumas horas. Esse tempo extra pode ser a diferença entre uma semente morrer no primeiro dia ou criar raiz.

Com o passar das semanas, a palha começa a apodrecer e vira fertilizante orgânico, enquanto as raízes buscam camadas mais profundas, onde a areia encontra argila.

Bombas solares no deserto da China: água a 100 metros para 200 mil árvores

Plantar sem água não fecha a conta. Bombear água do subsolo com combustível fóssil gera CO2 e, no limite, agrava a desertificação. A virada citada é usar a própria vantagem do deserto da China: sol em excesso.

O Taklamacan recebe cerca de 2.700 horas de sol por ano. Ao longo da rodovia do deserto de Tarim, foi descrita a instalação de 86 estações de bombeamento solar em um trecho de 436 km que corta o coração do deserto.

Cada estação tem centenas de painéis fotovoltaicos que geram eletricidade para bombear água de 100 metros de profundidade e alimentar 200.000 árvores ao longo da rodovia, com irrigação por gotejamento subterrâneo.

Os painéis também são instalados a cerca de 2 metros do chão para permitir que plantas cresçam sob a sombra, mantendo o solo mais frio e úmido. São citadas espécies como alcaçus, espinheiro e salgueiro vermelho brotando nesse “teto” artificial.

Espelhos, torre e sal derretido: energia que continua de noite

Além das bombas solares, aparece um segundo bloco de engenharia: milhares de espelhos helióstatos que rastreiam o sol e concentram luz em uma torre central.

Dentro da torre, sal derretido é aquecido a cerca de 540°C, gerando vapor sob alta pressão para mover turbinas.

A capacidade mencionada é de 50 MW, com custo citado de US$ 130 milhões. O ponto decisivo é o armazenamento: o sal derretido retém calor, então a usina continua gerando energia mesmo à noite ou com nuvens.

A narrativa descreve isso como um deserto que virou bateria solar, sustentando energia e parte do esforço contra a desertificação no deserto da China.

A rodovia de Tarim: 300 km de asfalto com camadas para não ser engolida

Nada disso funciona sem acesso. A China construiu uma estrada no meio do nada: 300 km de asfalto cortando o coração do Taklamacan.

A rodovia do deserto de Tarim começou em 1993, enfrentou calor perto de 50°C, tempestades de areia e um processo de construção descrito como infernal.

A inauguração citada é em 4 de outubro de 1995, e o custo aparece como 1,75 bilhão, apresentado como equivalente a cerca de US$ 260 milhões, com camadas de engenharia sob o asfalto: cascalho, esteiras de palha, geotêxteis e outras barreiras para impedir que a areia engula a estrada.

Hoje, essa rodovia é descrita como eixo que conecta fazendas solares, estações de pesquisa e até turismo, com bordas do deserto da China virando destino de ecoturismo e passeios por dunas.

Resultados anunciados: hectares recuperados e queda nas tempestades de areia

Após décadas, os números citados são grandes. Fala-se em 30 milhões de hectares recuperados e em um salto da cobertura florestal do país: de 10% em 1949 para mais de 25% hoje.

Também aparece uma queda expressiva nas tempestades: 82% a menos desde os anos 1980, além de redução de dias com poeira em regiões citadas, de 100 para 30 por ano.

Há ainda a menção de que essas florestas absorvem mais de 20 mil toneladas de CO2 por ano, reforçando a ideia de “pulmões verdes” em áreas antes dominadas por areia.

O ponto controverso: monocultura, água subterrânea e o risco de repetir o erro em verde

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O próprio plano é descrito como controverso. A crítica central é monocultura, com predominância de choupos e salgueiros: crescem rápido e impressionam, mas têm vida curta e podem sugar água subterrânea intensamente.

Em um surto de doença, é citado que mais de um bilhão de árvores morreram no norte da China, apagando anos de trabalho.

Também é mencionado que estudos internacionais apontam expansão contínua da desertificação em algumas áreas, apesar do aumento de área florestada em relatórios.

As causas listadas incluem árvores erradas, chuva insuficiente e irrigação excessiva drenando ainda mais o lençol freático.

A proposta defendida por especialistas é mudar o foco: parar de “contar árvores” e restaurar ecossistemas completos, com florestas mistas, espécies nativas, gramíneas e arbustos, em vez de apenas pintar o deserto da China de verde.

Se você tivesse um grande orçamento para enfrentar o deserto da China, apostaria em palha, bombas solares e plantio massivo, ou priorizaria restauração com espécies nativas mesmo que o resultado demorasse mais?

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Ivan Scire Fransese
Ivan Scire Fransese
10/01/2026 00:07

Las orejas de elefante son muy resistentes tambien

Mario Matta
Mario Matta
08/01/2026 14:17

En Nazca Perú. En los años 600 los nazcas poblaron el desierto de Nazca con sistemas hidráulicos subterráneos que aún hoy funciona en Cantalloc en Oncogalla y otros. En Cahuachi en pleno desierto debajo de las pirámides de barro tenían depósitos de alimentos para las ceremonias religiosas En Chaucilla cementerio con tumbas y mantos originales. Esto además de la Líneas de Nazca y Palpa.

Manuel Antonio
Manuel Antonio
08/01/2026 10:38

Debe haber MUCHAS otras opciones para restaurar el desierto, como lo que hacen en África, por ejemplo. Lo importante es aprender de todos los errores y recuperar los desiertos del mundo, transformando sus océanos de arena en terrenos fértiles. La Ciencia tiene la palabra, las culturas poseen recetas que sólo están olvidadas, no obsoletas.

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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