Nos Estados Unidos, o gado virou uma indústria a céu aberto: são 700 mil pecuaristas e 91,9 milhões de cabeças, com o Texas liderando em pastagens. O sistema mistura cria, marcação tradicional, pasto livre e engorda com milho e grãos, antes do abate e processamento que molda a carne americana.
O gado nos Estados Unidos opera em escala continental: são 700 mil pecuaristas e 91,9 milhões de cabeças, com o Texas consolidado como potência graças a pastagens amplas e um modelo que combina tradição e eficiência.
Na prática, o plano que sustenta essa máquina junta cria em pasto aberto, marcação tradicional para identificação, rotinas conduzidas por cowboys e uma etapa de engorda com milho e grãos para elevar a qualidade da carne, num ritmo que parece uma indústria a céu aberto.
Texas vira potência do gado e puxa o cinturão pecuário

O Texas aparece como o grande símbolo do gado nos EUA por uma combinação que se repete há mais de 300 anos: condições climáticas favoráveis e pastagens extensas.
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Nesse cenário, o estado se destaca ao lado de Nebraska, Kansas e Oklahoma, citados como os estados com maior número de pecuaristas.
Essa base territorial ajuda a explicar por que o gado se espalha em rebanhos imensos e por que a criação se encaixa em rotinas diárias muito claras.
De manhã, cowboys liberam o gado para se alimentar nas pastagens, e à noite parte dos animais é levada de volta para descanso e para reduzir risco de predadores.
91,9 milhões de cabeças e um mapa de pasto que parece infinito
A escala do gado não depende só de fazendas individuais, mas do tamanho do território dedicado à pastagem.
Os EUA têm cerca de 614 milhões de acres de terra usados para pastagem de gado. Dentro desse total, o Texas sozinho tem 130 milhões de acres, o que representa 21% da área do país.
Esse mapa de pasto sustenta a lógica de uma pecuária espalhada, em que o gado se move, se alimenta e é manejado em áreas enormes.
É uma produção que acontece ao ar livre, com um ritmo constante, em vez de depender apenas de estruturas fechadas.
Mais de 70 raças e um nome que domina as pastagens
A diversidade genética é parte do desenho. Nos Estados Unidos, existem mais de 70 raças diferentes de gado, com destaque para Beefmaster, Longhorn, Hereford e Angus. Entre essas, a Angus é apontada como a raça mais vista nas pastagens do Texas.
Na prática, essa variedade permite que o gado seja selecionado conforme ambiente, objetivo de produção e preferência do mercado.
O resultado é um sistema flexível, capaz de abastecer cadeias diferentes sem abandonar a base do pasto.
O nascimento em massa: 35,8 milhões de bezerros por ano
O começo do ciclo é tão grande quanto o restante do sistema. A cada ano, cerca de 35,8 milhões de bezerros nascem nos Estados Unidos, e até 11 milhões desses nascimentos acontecem no Texas.
Ao nascer, os bezerros normalmente pesam entre 60 e 80 libras.
Em algumas fazendas do Texas, os bezerros ficam com a mãe por cerca de três meses antes do desmame.
Esse período inicial é parte do manejo que prepara o gado para as próximas etapas, já com foco em organização do rebanho e controle de identidade.
Marcação tradicional: o detalhe que mantém o gado rastreável
Entre um e três meses de idade, os bezerros passam pelo processo de marcação. A função é direta: permitir que fazendeiros identifiquem seu gado caso ele se misture ou se perca em outro rebanho enquanto pasta.
O ponto que chama atenção é a persistência cultural. Muitos fazendeiros do Texas ainda usam a marcação de gado da maneira tradicional, como faziam em 1800, tratada como parte da história do gado de pastoreio. É uma prática antiga sustentando uma operação moderna.
Pasto livre e engorda: quando milho e grãos entram no jogo
A alimentação começa nas pastagens, mas não termina nelas. Além de se alimentar livremente, milhões de bovinos também são alimentados com milho e grãos para aumentar a qualidade da carne.
É um complemento que reforça ganho de peso e padronização, aproximando o processo de uma linha de produção.
Há uma comparação que dimensiona o peso desse consumo: é relatado que a quantidade de milho e grãos consumidos pelo gado nos EUA poderia alimentar 800 milhões de pessoas a cada ano.
É um dado que escancara a escala e o custo alimentar do sistema.
Idade de abate e a virada para a indústria da carne
A maioria do gado no Texas é considerada totalmente madura e elegível para consumo de carne quando atinge a idade de dois a três anos.
Esse marco organiza decisões de manejo, logística e destino do animal.
Na ponta industrial, os números também são expressivos. Em 2020, o número de bovinos abatidos nos Estados Unidos foi de cerca de 33,3 milhões de cabeças, e a produção total de carne foi de 27,3 bilhões de libras.
É a confirmação de um ciclo que começa no pasto e termina em processamento de larga escala.
Austrália entra como contraste: exportação de gado em navios
A lógica de escala não é exclusiva dos EUA, e a comparação aparece com a Austrália. Todos os anos, fazendas de gado australianas exportam cerca de 1,3 milhão de cabeças, e 80% disso é enviado para a China.
A logística é descrita como operação coordenada: pastores usam helicópteros para levar milhares de animais à área de coleta, depois o gado é transportado de caminhão até o porto e carregado em navios para exportação. É outra forma de indústria a céu aberto, com foco em fluxo internacional.
Gado leiteiro: 9,4 milhões de vacas e 220 bilhões de libras de leite
Além do gado de corte, há um bloco específico do gado voltado ao leite. Os Estados Unidos são citados como o quarto maior país do mundo em termos de vacas leiteiras, com cerca de 9,4 milhões de cabeças e produção anual de 220 bilhões de libras de leite.
Depois do nascimento, bezerros são separados da vaca mãe e trabalhadores assumem cuidados.
Também aparecem números de risco no ciclo: a cada ano, cerca de 8 milhões de bezerros nascem e cerca de 500 mil morrem logo depois.
Além disso, 450 mil vacas morrem no processo de lactação. Animais com problemas de saúde são mantidos separadamente para atendimento médico, e no primeiro mês de vida os bezerros são mantidos inteiramente em ambientes fechados.
Onde o gado leiteiro se concentra e como a dieta funciona
Califórnia, Wisconsin, Idaho e Texas são citados como os quatro estados com maior número de vacas leiteiras, e só a Califórnia tem 1,7 milhão de vacas. As vacas são consideradas maduras quando atingem 13 a 15 meses de idade.
A dieta também derruba uma ideia comum: mais de 60% da alimentação do gado leiteiro nos EUA é capim e silagem de milho.
E a escala de insumo volta a aparecer: anualmente, fazendas de gado nos Estados Unidos consomem cerca de 315 milhões de toneladas de silagem.
Texas no leite: 351 fazendas e rotina de alimentação duas vezes ao dia
No Texas, existem atualmente 351 fazendas leiteiras, com cerca de 600 mil vacas e produção anual de 15,1 bilhões de libras de leite.
A rotina é descrita de forma objetiva: as vacas leiteiras são alimentadas duas vezes ao dia, de manhã e à noite.
Há ainda um detalhe de manejo citado: milhares de vacas leiteiras também são massageadas para relaxar, com a ideia de mantê-las sempre no melhor estado de espírito, o que afetaria a capacidade de produzir.
Ordenha em escala: 7,5 galões por dia e uma “linha de produção” de leite
Na produção diária, a vaca leiteira média nos EUA produz mais de 7,5 galões de leite por dia. Se estivesse produzindo apenas o suficiente para alimentar seus bezerros, produziria cerca de um galão por dia.
Em pequenas quantidades, uma máquina pode ser usada; em grandes quantidades, centenas de vacas são levadas para o local de ordenha, descrito como um processo que lembra pessoas sentadas em um estádio.
Depois disso, milhares de galões de leite são enviados para fábricas de processamento de leite ou fábricas de queijo. É o gado sustentando outra cadeia industrial, com logística diária.
Queijo: 13,25 bilhões de libras e liderança global
Em 2020, a produção total de queijo nos EUA foi de cerca de 13,25 bilhões de libras. Wisconsin lidera com 3,36 bilhões, seguido pela Califórnia com 2,5 bilhões de libras.
Os Estados Unidos também são citados como o país com a maior produção de queijo do mundo, com Alemanha, França e Itália aparecendo na sequência.
O gado, aqui, deixa de ser só carne ou leite e vira base de uma indústria alimentar completa.
Você acha que esse modelo de gado em escala continental, com pasto, marcação tradicional e engorda com milho, tende a definir o padrão global de carne nos próximos anos?

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