A Venezuela confirma o recebimento de US$ 300 milhões com a venda de petróleo ligada ao acordo de 50 milhões de barris anunciado por Donald Trump. Recursos devem fortalecer o câmbio e impulsionar reformas na lei petrolífera.
Em um momento de forte instabilidade política e financeira, o petróleo voltou a ocupar posição estratégica na economia da Venezuela. Nesta terça-feira (20), a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que o país já recebeu US$ 300 milhões provenientes da venda de petróleo.
Esse valor corresponde à primeira parcela de um acordo de fornecimento de 50 milhões de barris anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a prisão de Nicolás Maduro no início do mês.
Enquanto isso, surgem versões contraditórias sobre o destino desses barris. Ainda assim, o governo venezuelano aposta que os recursos iniciais poderão reorganizar o mercado cambial e fortalecer a economia interna, sobretudo em um cenário de escassez de moeda estrangeira.
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Disputa internacional e versões conflitantes sobre os barris
Ao mesmo tempo em que Caracas confirma a entrada de recursos, Washington apresenta outra narrativa. Donald Trump declarou separadamente, também nesta terça (10), que os Estados Unidos retiraram os 50 milhões de barris da Venezuela e que já estão vendendo parte deles no mercado aberto.
Entretanto, registros de embarque indicam que esse volume ainda não foi exportado, o que levanta dúvidas sobre a real destinação do petróleo. Dessa forma, cresce a incerteza entre analistas e investidores, sobretudo porque os dados logísticos não confirmam as afirmações feitas pelo governo norte-americano.
Na semana anterior, a agência Reuters revelou que quatro bancos venezuelanos foram notificados pelo governo de que dividiriam US$ 300 milhões em receitas de petróleo depositadas em uma conta no Catar. Esse mecanismo permitirá que as instituições vendam dólares a empresas locais que necessitam de moeda estrangeira para importar materiais.
Durante um evento em Caracas, Delcy Rodríguez declarou: “Gostaríamos de informar que recebemos fundos com a venda de petróleo e que já recebemos, dos primeiros US$ 500 milhões, US$ 300 milhões”. Em seguida, acrescentou: “Esses primeiros recursos serão utilizados no mercado cambial da Venezuela, por bancos nacionais e pelo banco central, para consolidar e estabilizar o mercado e proteger a renda e o poder de compra de nossos trabalhadores”.
Assim, o governo aposta que a entrada desses valores pode aliviar a pressão sobre o câmbio e reduzir a instabilidade monetária.
Reforma na lei do petróleo e novas parcerias
Paralelamente às movimentações financeiras, o Congresso venezuelano se prepara para discutir mudanças estruturais no setor energético. O deputado Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, afirmou que a reforma da principal lei petrolífera será baseada em um modelo de parceria criado durante o governo de Nicolás Maduro.
Segundo ele, essa reformulação deve considerar os chamados “contratos de participação produtiva”, introduzidos nos últimos anos como alternativa ao modelo tradicional de joint ventures controladas pela estatal PDVSA.
A própria Delcy Rodríguez já havia informado aos parlamentares que o governo apoia alterações na lei de hidrocarbonetos para atrair investimento estrangeiro. Atualmente, a legislação prevê um modelo único de contrato, porém as novas parcerias têm seguido regras menos transparentes, cujos termos ainda não foram totalmente divulgados.
Para Jorge Rodríguez, esses contratos representam “um elemento fundamental a ser abordado na reforma da lei”, reforçando a intenção do governo de redesenhar o setor petrolífero e ampliar a participação internacional no mercado de petróleo venezuelano.
Você acha que esse acordo entre os Estados Unidos e a Venezuela pode realmente melhorar a situação do país ou estamos diante de mais um capítulo do plano verdadeiro de Trump?

