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Metal estranho de outro planeta é encontrado em antigo tesouro escondido

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/01/2026 às 01:59
Estudo de 2024 aponta que dois objetos do Tesouro de Villena foram feitos com ferro de meteoritos, redefinindo a cronologia da metalurgia ibérica.
Estudo de 2024 aponta que dois objetos do Tesouro de Villena foram feitos com ferro de meteoritos, redefinindo a cronologia da metalurgia ibérica.
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Análises químicas identificaram alto teor de níquel em dois artefatos do Tesouro de Villena, indicando uso de ferro meteórico entre 1400 e 1200 a.C., mais de cinco séculos antes do início da metalurgia do ferro terrestre na Península Ibérica, segundo estudo publicado em 2024

Um estudo publicado em 2024 identificou que dois objetos do Tesouro de Villena, encontrado em 1963 em Alicante, foram forjados com ferro de meteoritos, indicando metalurgia avançada há mais de 3.000 anos e resolvendo um impasse cronológico sobre a origem dessas peças no conjunto.

Um tesouro dominado pelo ouro e marcado por duas exceções

O Tesouro de Villena é composto por 66 objetos, em sua maioria de ouro, e é considerado um dos conjuntos de ourivesaria mais importantes da Idade do Bronze na Península Ibérica e na Europa.

Entre peças douradas e bem preservadas, dois objetos sempre destoaram do restante do acervo por sua aparência corroída e ferrosa: uma pulseira em forma de torque e um pequeno hemisfério oco decorado com ouro.

O hemisfério é interpretado como parte de um cetro ou de um cabo de espada, enquanto a pulseira apresenta características incomuns para o contexto metalúrgico do período associado ao tesouro.

O problema cronológico da presença de ferro

Na Península Ibérica, a Idade do Ferro, marcada pelo uso disseminado do ferro extraído da crosta terrestre, só teve início por volta de 850 a.C., segundo o consenso arqueológico.

Entretanto, os objetos de ouro do Tesouro de Villena foram datados entre 1500 e 1200 a.C., criando um conflito temporal difícil de resolver devido à presença das duas peças de aparência ferrosa.

Determinar se esses objetos pertenciam ao mesmo período do restante do tesouro ou se eram intrusões posteriores tornou-se um verdadeiro quebra-cabeça para os pesquisadores ao longo de décadas.

Ferro vindo do céu como alternativa tecnológica

O ferro terrestre não é a única fonte possível de material metálico maleável em períodos anteriores à Idade do Ferro, como demonstram artefatos produzidos com ferro de meteoritos em diversas regiões do mundo.

Um dos exemplos mais conhecidos é a adaga atribuída ao faraó Tutancâmon, além de outras armas da Idade do Bronze fabricadas com esse tipo de material altamente valorizado.

O ferro meteórico se distingue do ferro terrestre por apresentar teores significativamente mais elevados de níquel, característica que permite sua identificação por análises laboratoriais.

Análises químicas e resultados obtidos

Com autorização do Museu Arqueológico Municipal de Villena, os pesquisadores coletaram pequenas amostras da pulseira e do hemisfério para análises de composição.

O material foi submetido à espectrometria de massa, técnica que permite identificar os elementos químicos presentes e suas proporções, mesmo em artefatos com alto grau de corrosão.

Apesar das alterações causadas pela corrosão ao longo de milênios, os resultados sugerem fortemente que ambos os objetos foram produzidos com ferro de origem meteórica.

Reenquadramento do Tesouro de Villena

A identificação do ferro meteórico resolve de forma consistente o dilema cronológico, indicando que os dois objetos foram fabricados aproximadamente no mesmo período das peças de ouro.

Com base nos dados disponíveis, os artefatos são agora atribuídos a uma cronologia entre cerca de 1400 e 1200 a.C., correspondente ao Bronze Final na Península Ibérica.

Segundo os pesquisadores, a pulseira e o hemisfério seriam as duas primeiras peças atribuíveis a ferro meteórico identificadas na região ibérica até o momento, ampliando o entendimento sobre técnicas metalúrgicas locais.

Limitações e perspectivas futuras

Os autores do estudo destacam que o alto grau de corrosão dos objetos impede conclusões absolutamente definitivas, tornando os resultados sugestivos, mas não totalmente conclusivos.

Eles apontam que técnicas mais recentes e não invasivas poderão ser aplicadas futuramente aos artefatos, permitindo a obtenção de dados mais detalhados sem comprometer sua integridade.

As conclusões do estudo foram publicadas na revista científica Trabajos de Prehistoria, reforçando a relevância do Tesouro de Villena para a arqueologia europeia.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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