Em Salvador, o óleo de fritura usado que ia parar no ralo e na Baía de Todos-os-Santos virou dinheiro e combustível. Num programa da Prefeitura com a Petrobras, as baianas de acarajé vendem o resíduo a R$ 3 o quilo para cooperativas, que o repassam para virar biodiesel.
O tabuleiro da baiana frita acarajé o dia inteiro, e cada fritada deixa um problema para trás: o óleo usado. Antes jogado fora, esse óleo escorria pelo ralo e ajudava a sujar a Baía de Todos-os-Santos, entupindo encanamento e poluindo a água. Agora, esse mesmo resíduo virou uma pequena fonte de renda e a matéria-prima de um combustível mais limpo.
Segundo o Alô Alô Bahia, a Prefeitura de Salvador e a Petrobras Biocombustível lançaram em junho de 2026 um programa para coletar e reaproveitar óleo de fritura usado. No modelo, cooperativas compram o óleo das baianas de acarajé a R$ 3 por quilo e depois revendem o material à Petrobras. O destino final é a fabricação de biodiesel.
Como funciona o programa do óleo de fritura usado

No primeiro, a baiana de acarajé guarda o óleo de fritura usado em vez de descartá-lo na pia.
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Cooperativas cadastradas passam para recolher esse óleo e pagam R$ 3 por quilo coletado das baianas.
Restaurantes e outros comércios também entram no esquema, mas com pagamento de R$ 2 por quilo.
Depois, as cooperativas revendem todo o óleo de fritura usado à Petrobras Biocombustível.
O valor pago pela empresa varia com o mercado, mas gira em torno de R$ 7 por quilo do produto.
Assim, o que era lixo passa por várias mãos e gera renda em cada etapa da cadeia.
R$ 3 o quilo: a renda extra das baianas de acarajé
Para quem vive do tabuleiro, todo ganho a mais conta.
As baianas de acarajé são patrimônio cultural de Salvador e da Bahia, e agora têm uma receita extra.
Em vez de pagar para descartar ou simplesmente jogar fora, elas passam a vender o óleo de fritura usado.
No projeto piloto que antecedeu o lançamento, cerca de 100 baianas de acarajé já participavam do modelo.
O valor de R$ 3 por quilo não enriquece ninguém, mas transforma um custo em um pequeno faturamento.
Para as baianas de acarajé, é dinheiro que entra de um material que antes só dava trabalho.
A lógica é simples: o resíduo da fritura deixou de ser problema e virou um item à venda.
As cooperativas de catadores e a nova fonte de renda
Do outro lado da coleta estão as cooperativas, peça central do programa.
São cooperativas de catadores que ficam responsáveis por recolher o óleo de fritura usado pela cidade.
Para elas, o programa abre uma nova linha de renda, somada à reciclagem de outros materiais.
A Petrobras Biocombustível já trabalhava com cooperativas na Bahia e em Minas Gerais antes desse acordo.
A novidade é que esta é a primeira iniciativa da empresa em parceria direta com uma prefeitura.
Incluir os catadores na cadeia do biodiesel é o que dá ao programa um caráter social, e não só ambiental.
É a economia circular gerando trabalho em vez de apenas reaproveitar material.
De resíduo a biodiesel: o caminho do óleo

O óleo de fritura usado é recolhido, filtrado e enviado para a unidade da Petrobras em Candeias, na Bahia.
Lá, ele passa por um processo industrial que o converte em biodiesel, um combustível renovável.
O biodiesel é misturado ao diesel comum e ajuda a reduzir as emissões de poluentes nos veículos.
Usar óleo já descartado como matéria-prima evita gastar novas plantações só para fazer combustível.
É um caso em que o resíduo de uma ponta vira insumo valioso na outra, sem desperdício.
O mesmo óleo que fritou o acarajé pode acabar movendo um caminhão pelas estradas.
Por que tirar o óleo da Baía de Todos-os-Santos importa
O lado ambiental talvez seja o mais urgente da história.
Quando vai para o ralo, o óleo de cozinha contamina a água e é difícil de tratar.
Estima-se que um único litro de óleo descartado seja capaz de poluir milhares de litros de água.
Em Salvador, boa parte desse resíduo acabava na Baía de Todos-os-Santos, agravando a poluição marinha.
O óleo também gruda nas tubulações, causa entupimentos e aumenta o custo do saneamento.
Recolher o óleo de fritura usado antes que ele chegue à água protege a baía e a rede de esgoto.
É um ganho ambiental que começa numa atitude simples dentro de cada barraca de acarajé.
A meta: de 4 para 30 a 40 toneladas por mês
Os números mostram a ambição do programa.
No ano anterior ao lançamento, a coleta no modelo piloto somava cerca de 4 toneladas de óleo.
Com o programa oficial, a expectativa é ampliar a coleta para algo entre 30 e 40 toneladas por mês.
Esse salto depende de cadastrar mais baianas de acarajé, restaurantes e cooperativas pela cidade.
Para a Petrobras, o óleo de fritura usado é mais uma fonte para abastecer a produção de biodiesel.
O modelo conecta uma pauta global, a transição energética, ao dia a dia de uma barraca de acarajé.
É energia mais limpa saindo, literalmente, da cozinha baiana.
O que o caso do óleo de fritura usado de Salvador mostra
O programa é um bom exemplo de como juntar renda, reciclagem e energia numa só política.
Ele mostra que até o óleo de fritura usado de um tabuleiro de acarajé pode virar combustível e dinheiro.
Mas vale manter o pé no chão.
O programa foi lançado em junho de 2026, então as metas de 30 a 40 toneladas ainda precisam se concretizar.
Os R$ 3 por quilo são uma renda complementar modesta, e não uma transformação financeira para as baianas.
E o preço pago pela Petrobras varia com o mercado, o que pode mexer com a conta das cooperativas.
Ainda assim, poucos casos resumem tão bem como transformar resíduo em biodiesel pode gerar renda e limpar uma cidade.
De um tabuleiro de acarajé à unidade de Candeias, Salvador apostou que o óleo usado vale muito mais do que parece.
E você, sabe para onde vai o óleo de fritura usado da sua casa ou do seu bairro? Comenta aqui se a sua cidade deveria ter um programa para transformar óleo de fritura usado em biodiesel como o de Salvador.
