Testes com helicóptero IH-18 ampliam capacidades operacionais da Marinha ao integrar sistemas de carga externa e resgate, reforçando o Projeto TH-X e a modernização da Aviação Naval com foco em missões embarcadas, logística vertical e busca e salvamento em diferentes cenários.
O Airbus H125 N-5104, designado IH-18 na Marinha do Brasil, avançou em uma nova etapa de testes ao operar com gancho de carga e guincho de resgate, dois equipamentos previstos para ampliar o emprego da aeronave em missões logísticas e de salvamento.
A avaliação reforça o andamento do Projeto TH-X, programa criado para renovar a frota de instrução da Aviação Naval e ampliar a capacidade operacional dos helicópteros que passarão a atuar a partir de meios embarcados e da Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro.
Testes com gancho e guincho ampliam missões do IH-18
De acordo com informações do portal Defesa Aérea e Naval, os ensaios realizados com o H125, o foco esteve sobre dois sistemas que têm aplicação direta em missões de rotina da força.
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O gancho, conhecido no setor como Cargo Hook, é empregado em tarefas de VERTREP, sigla usada para o reabastecimento vertical entre meios navais.
Já o guincho, chamado de Hoist, é voltado sobretudo para ações de busca e salvamento, em cenários nos quais o resgate exige içamento de pessoal ou retirada de cargas em áreas de difícil acesso.

A realização dessa fase de voos indica que a Marinha não trata o IH-18 apenas como um helicóptero de formação básica, mas também como uma plataforma com possibilidades de emprego mais amplas.
Embora o programa tenha sido concebido para substituir aeronaves de instrução mais antigas, os requisitos definidos para a nova frota incluem recursos que aumentam a flexibilidade de uso, sobretudo em operações embarcadas, apoio logístico e tarefas de resgate.
Projeto TH-X e modernização da Aviação Naval
O Projeto TH-X prevê a incorporação de 15 aeronaves H125 pela Marinha do Brasil, dentro de uma encomenda maior compartilhada com a Força Aérea Brasileira.
No caso da Aviação Naval, a prioridade é substituir os veteranos IH-6B Jet Ranger III, helicópteros usados há décadas na formação de aviadores navais e que já se aproximam do fim de seu ciclo operacional nesse papel.
A modernização não envolve apenas a troca de célula ou motorização.
De acordo com informações oficiais divulgadas pela Marinha, oito das 15 aeronaves destinadas à força serão alocadas ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução, unidade sediada em São Pedro da Aldeia, responsável pela preparação de pilotos para a Aviação Naval.
Essa distribuição mostra que o IH-18 foi incorporado com foco central na formação, mas preservando margem para tarefas de emprego geral em ambiente marítimo.

Na prática, a chegada do H125 eleva o padrão tecnológico da instrução.
A Marinha e o Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo já destacaram, em etapas anteriores do programa, que a nova aeronave agrega aviônicos mais modernos, maior potência e recursos que aproximam o treinamento inicial das exigências encontradas em helicópteros militares de gerações mais recentes.
Esse salto reduz a distância entre a fase de aprendizagem e a futura operação em esquadrões de primeira linha.
Operações VERTREP e busca e salvamento no ambiente naval
A instalação de equipamentos como flutuadores, gancho, guincho e maca mostra que a configuração naval do H125 foi pensada além do uso escolar clássico.
Em meios embarcados, o gancho amplia a capacidade de transporte externo de materiais, suprimentos e pequenas cargas entre navios ou entre navio e terra, função relevante em cenários de apoio logístico, sustentação de força e reabastecimento vertical.
No caso do guincho, o ganho operacional aparece com mais nitidez em missões de SAR, especialmente quando o pouso não é viável ou quando o resgate precisa ser feito com rapidez sobre água, convés ou área restrita.
Para uma aviação voltada ao ambiente marítimo, essa versatilidade pesa porque amplia o leque de respostas disponíveis em emergências, adestramentos e tarefas de apoio a navios em comissão.
A escolha do H125 para esse pacote de missões também se relaciona ao histórico do modelo no mercado civil e parapúblico brasileiro, onde a família Esquilo construiu reputação de robustez, simplicidade de manutenção e ampla versatilidade.
Ao adaptar a plataforma às exigências da Aviação Naval, a Marinha busca reunir em uma mesma aeronave requisitos de instrução, segurança, desempenho e capacidade de emprego complementar em tarefas operacionais que costumam exigir flexibilidade.
Enquanto os testes avançam, o 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução também conduz a qualificação de pilotos e equipes para o novo vetor.
Em fases já divulgadas oficialmente, militares do esquadrão participaram de treinamento teórico e de procedimentos ligados ao IH-18, em preparação para a incorporação progressiva das aeronaves.
Esse trabalho paralelo é decisivo porque a transição de frota não depende apenas da entrega física dos helicópteros, mas da formação de pessoal apto a operá-los e mantê-los com segurança.
O recebimento da primeira aeronave, formalizado em 2025 nas instalações da Helibras, foi tratado pela Marinha como um marco para a modernização dos meios dedicados à instrução aérea.
Desde então, o programa passou a combinar inspeções, voos técnicos, qualificação de tripulações e etapas de avaliação operacional, compondo um processo gradual de absorção do modelo pela força.
Os testes com o N-5104 se inserem nesse movimento de amadurecimento da futura frota.
Ao incorporar recursos voltados ao reabastecimento vertical e ao salvamento, o IH-18 reforça uma tendência da Aviação Naval brasileira de buscar meios de instrução que também dialoguem com exigências concretas do emprego embarcado.
Em vez de limitar o novo helicóptero ao treinamento elementar, a Marinha amplia as possibilidades de uso de uma aeronave que deverá acompanhar a formação de pilotos e, ao mesmo tempo, sustentar missões práticas ligadas ao cotidiano operacional da força no mar e em terra.


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