Exercícios noturnos, drones com sensores infravermelhos, navios de guerra e tropas de cinco países transformaram o Pantanal sul-mato-grossense em cenário da maior operação ribeirinha combinada da América Latina, mobilizando mais de 700 militares em ações integradas no Rio Paraguai durante cinco dias de treinamento multinacional.
A Marinha do Brasil coordenou, entre 20 e 25 de abril de 2026, a Operação “ACRUX XII”, exercício multinacional realizado em Corumbá (MS), no Pantanal sul-mato-grossense, com mais de 700 militares do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Considerada pela Marinha a maior operação ribeirinha combinada da América Latina, a atividade mobilizou meios navais, aeronavais e tropas de Fuzileiros Navais em um trecho de 60 quilômetros do Rio Paraguai, com foco em adestramento, integração operacional e cooperação regional.
Operação no Rio Paraguai reuniu forças de cinco países
Durante cinco dias, as forças participantes executaram ações de patrulhamento fluvial, batimento de margens, proteção da força-tarefa ribeirinha, controle de tráfego fluvial e apoio aéreo aproximado em uma área estratégica do Pantanal.
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A Marinha do Brasil atuou como anfitriã da comissão e empregou o Monitor “Parnaíba”, os Navios-Transporte “Almirante Leverger” e “Paraguassu”, os Navios-Patrulha “Pirajá” e “Piratini”, o Navio de Apoio Logístico Fluvial “Potengi”, o Aviso de Apoio Fluvial “Barão de Melgaço” e a Agência Escola Flutuante “Esperança do Pantanal”.
Também participaram cinco meios navais da Argentina, três da Bolívia, dois do Uruguai e dois do Paraguai, em uma estrutura voltada ao emprego integrado das forças em ambiente ribeirinho.
Uma aeronave UH-12 foi usada em missões de esclarecimento e apoio aos navios Monitor “Parnaíba” e Navio-Transporte “Paraguassu”, ampliando a capacidade de acompanhamento das ações no rio e nas margens.
Drones reforçaram vigilância noturna durante exercícios militares
A edição de 2026 incluiu o uso de drones em atividades de reconhecimento e vigilância, especialmente no período noturno, com câmeras equipadas com sensores infravermelhos capazes de detectar radiação de calor.
O emprego desses equipamentos reforçou a observação da área de operações e permitiu acompanhar deslocamentos em condições de baixa visibilidade, recurso relevante em um ambiente de navegação complexo como o Pantanal.
Na noite de 24 de abril, os militares realizaram um exercício de desembarque e assalto ribeirinho, com oito embarcações de transporte de tropa, duas lanchas tipo “Guardian”, um bote de assalto e dois pelotões de Fuzileiros Navais.
Após navegarem por cinco quilômetros, os militares desembarcaram e avançaram mais cinco quilômetros em terra até a base de assalto, em uma simulação de retomada de área controlada por inimigo fictício.
O cenário reproduziu uma base de treinamento e um posto de controle de trânsito, com o objetivo de testar procedimentos de deslocamento, coordenação, segurança e comando entre tropas de diferentes países.
Integração militar e defesa da hidrovia Paraguai-Paraná

Segundo o Comandante do 6º Distrito Naval, Contra-Almirante Emerson Augusto Serafim, o exercício foi organizado em ações coordenadas para permitir o emprego conjunto das forças e preparar respostas integradas em situações multinacionais.
“A Operação ‘ACRUX’ reforça a interoperabilidade entre as Marinhas participantes ao possibilitar o intercâmbio de procedimentos e o conhecimento mútuo das capacidades operativas”, afirmou o oficial.
Serafim também destacou que o Pantanal apresenta características específicas para operações ribeirinhas, o que contribui para aprimorar o adestramento em um ambiente considerado singular pela Marinha.
Para o Chefe do Estado-Maior Combinado da operação, Capitão de Fragata DEM Galeano, da Marinha do Paraguai, o exercício prepara as forças para atuar de forma conjunta na defesa da hidrovia Paraguai-Paraná.
De acordo com ele, a hidrovia é um dos principais eixos econômicos dos países envolvidos e representa uma rota essencial para a saída de produtos paraguaios rumo ao mar, além de apoiar o livre comércio regional.
Logística mobilizou navios e tropas estrangeiras no Pantanal
A presença de militares e embarcações estrangeiras exigiu planejamento logístico para deslocamento, atracação, coordenação operacional e integração das tripulações durante as atividades em Corumbá e Ladário.
O Capitão de Fragata J. Rivas, da Marinha Argentina, afirmou que a participação dos países contribuiu para a troca de experiências e ampliou o conhecimento sobre a área de operações.
Segundo ele, o ambiente do Pantanal é diferente daquele em que parte das forças está habituada a atuar, o que tornou o exercício relevante para adaptação operacional e cooperação entre as marinhas.
Navios de guerra receberam visitação pública em Corumbá
Antes da fase principal da operação, nos dias 17, 18 e 19 de abril, o Navio Multipropósito A.R.A. “Ciudad de Rosario”, da Argentina, e o Navio-Patrulha “Pirajá”, da Marinha do Brasil, foram abertos à visitação pública em Corumbá.
Mais de 800 pessoas visitaram as embarcações, conheceram instalações e receberam informações sobre capacidades dos navios empregados na região do Rio Paraguai.
O visitante José Alberto de Amorim relatou que a experiência teve valor pessoal, por ter sido tenente do Exército Brasileiro e trabalhado com navegação, inclusive em viagens pelo Rio Paraguai até a Argentina.
Viviane Amorim, filha de José Alberto, destacou a receptividade dos militares e a presença feminina a bordo, afirmando que mostrou à filha, de 10 anos, que mulheres também podem ocupar esses espaços.
Operação ACRUX terá nova edição em 2028 no Paraguai
A Operação “ACRUX” ocorre a cada dois anos desde 2001, com direção exercida de forma rotativa pelas marinhas dos países participantes.
Em 26 de abril de 2026, durante evento em Ladário (MS), representantes do Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia e Uruguai assinaram a ata de acordo da ACRUX XII.
O documento formalizou as atividades desenvolvidas, observações e resultados alcançados, além de estabelecer recomendações para a próxima edição, prevista para 2028, no Paraguai.
Assinaram a ata o Contra-Almirante Emerson Augusto Serafim, pela Marinha do Brasil; o Contra-Almirante Carlos Martin Barreto Gonzalez, pela Armada do Paraguai; o Contra-Almirante Damián Gabriel Orgiazzi, pela Armada da Argentina; o Capitão de Navio Cadmiel Mounzon Terán, pela Armada da Bolívia; e o Capitão de Fragata Diego Alberto Fros Boga, pela Armada do Uruguai.


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