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Mar Mediterrâneo muda de cara e arquipélago da Espanha encontra planta invasora que parecia impossível aparecer por ali

Publicado em 20/03/2026 às 09:07
Planta invasora, Mar Mediterrâneo
Imagem: Ilustração
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Descoberta da Halophila stipulacea na baía de Palma, em área antes considerada improvável, reforça evidências de tropicalização, avanço de espécie invasora e risco para a posidônia no mar Mediterrâneo

Em outubro de 2023, mergulhadores encontraram na baía de Palma uma planta tropical enraizada no fundo marinho, a cerca de 3 quilômetros do porto. A confirmação do registro transformou o achado em marco da mudança ambiental no mar Mediterrâneo.

O achado ocorreu durante uma imersão na baía de Palma, onde mergulhadores identificaram uma planta marinha tropical em uma área de fundo arenoso.

A descoberta confirmou a presença de Halophila stipulacea nas águas das Ilhas Baleares.

Planta estrangeira avança

A Halophila stipulacea é uma fanerógama marinha, não uma alga. Ela possui raízes, caules e folhas e é menor que a Posidonia oceanica, espécie nativa com a qual divide espaço.

Sua origem está no oceano Índico, no mar Vermelho e no golfo Pérsico. A abertura do canal de Suez, em 1869, permitiu sua entrada no Mediterrâneo.

Ao longo de 150 anos, sua expansão havia sido registrada apenas na parte oriental. Nas Baleares, o quadro foi descrito como uma colonização completa.

Planta invasora, Mar Mediterrâneo
Imagem: Xataka

Aquecimento favorece a espécie

Segundo dados do MedECC, a temperatura superficial do mar Mediterrâneo subiu 1,3 °C entre 1982 e 2019, acima da média global de 0,6 °C.

No verão, as águas nas Ilhas Baleares chegam a cerca de 30 °C. Isso ajuda a explicar por que a espécie agora encontra condições favoráveis para sobreviver mais a oeste.

Para Andrés Arona, primeiro autor do estudo e pesquisador do Imedea, a presença da planta é um indício claro da tropicalização do Mediterrâneo.

Mudança no ecossistema

A Halophila stipulacea funciona como termômetro biológico da mudança no mar Mediterrâneo e da abertura de espaço para algumas espécies.

Esse processo fecha espaço para outras, como a posidônia e os corais. No Caribe, sua expansão reduziu biodiversidade e alterou o ecossistema em grandes áreas.

Esse precedente preocupa no Mediterrâneo oriental, onde efeitos semelhantes já estão em curso. A tmeperatura mais alta favorece esse avanço e reforça o alerta científico.

Risco para a posidônia

Em fundos arenosos degradados, a Halophila pode aumentar a complexidade estrutural, mas também pode deslocar a fauna típica desses ambientes.

O maior risco é uma disputa com fanerógamas nativas como a Posidonia oceanica. No Caribe, a espécie colonizou grandes áreas em menos de 20 anos.

Fiona Tomàs, pesquisadora do Imedea, resumiu a diferença: a posidônia é como uma sequoia, enquanto a Halophila é muito menor.

A posidônia sustenta habitats de reprodução para centenas de espécies e acumula carbono em outra ordem de magnitude. Uma mudança de dominância entre as duas alteraria profundamnete o ecossistema.

A detecção precoce amplia a margem para medidas. Ainda assim, por ter sementes, a planta impõe um desafio cuja solução definitiva exigiria reverter a tropicalização do Mediterrâneo e frear o aquecimento global.

Com informações de Xataka.

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Romário Pereira de Carvalho

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