Com financiamento bilionário do Goldman Sachs, o Valencia reativa a construção do Novo Mestalla, estádio moderno para 70 mil torcedores que deve ser inaugurado em 2027 e pode sediar jogos da Copa de 2030
Após mais de 15 anos de paralisação, o chamado “estádio fantasma” do Valencia finalmente ganhou data para sair do papel. O clube espanhol anunciou que retomou as obras do Novo Mestalla, sua futura casa, graças a um financiamento de 322 milhões de euros — o equivalente a mais de R$ 2 bilhões.
O valor será emprestado pelo banco de investimentos Goldman Sachs. O clube planeja quitar o empréstimo com a venda do terreno onde hoje se encontra o antigo estádio Mestalla, que será desativado assim que a nova arena for inaugurada.
Nova casa com capacidade para 70 mil torcedores
O projeto prevê um estádio moderno, com mais de 70 mil lugares, sendo quase 10% destinados a camarotes.
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Além dos jogos de futebol, o Valencia pretende utilizar o espaço para eventos de entretenimento, o que pode gerar novas receitas e movimentar o turismo local.
O clube definiu 2027 como o ano da inauguração oficial. A expectativa é de que o Novo Mestalla receba partidas da Copa do Mundo de 2030, que terá a Espanha entre as sedes.

Obras em andamento e recomeço
Atualmente, as obras estão concentradas na fundação do primeiro anel das arquibancadas. Paredes antigas foram demolidas porque já não se encaixavam no projeto revisado, e novas estruturas começaram a ser erguidas.
Além disso, a construção das divisórias internas e das primeiras peças da fachada está em ritmo acelerado.
Depois de anos de abandono e dificuldades financeiras, o Valencia volta a ver seu sonho ganhar forma — tijolo por tijolo.
A história do estádio fantasma Mestalla
A história do Novo Mestalla é também a história de uma das maiores frustrações e esperanças do futebol espanhol. O projeto original nasceu em 2007, quando o Valencia vivia um período de estabilidade esportiva e financeira.
O plano era ambicioso: erguer um estádio ultramoderno, com design arrojado, estrutura sustentável e capacidade para mais de 75 mil pessoas — o maior estádio particular da Espanha.
As obras começaram com entusiasmo, mas poucos anos depois o cenário mudou drasticamente.
O clube sentiu a crise de 2008
A crise econômica global de 2008 atingiu em cheio o clube, que se viu incapaz de manter o ritmo de construção.
Dívidas se acumularam, patrocínios desapareceram e o canteiro de obras foi sendo tomado pela ferrugem e pelo mato.
O que deveria ser um símbolo de modernidade virou um esqueleto urbano no norte de Valência, cercado por tapumes e silêncio.
Surge o apelido “fantasma”
Foi nesse período que o estádio ganhou o apelido de “fantasma”. A estrutura inacabada passou a ser uma lembrança constante do colapso financeiro do clube.
Durante mais de uma década, o local recebeu apenas visitas esporádicas de curiosos, fotógrafos e torcedores nostálgicos que, entre o orgulho e a decepção, viam o concreto exposto como um retrato do que o Valencia poderia ter sido.
O projeto chegou a ser revisado várias vezes. Arquitetos e engenheiros precisaram adaptar o desenho original à nova realidade econômica.
O conceito grandioso deu lugar a uma proposta mais funcional, focada em eficiência energética e custo reduzido.
O design atual mantém linhas modernas, mas privilegia a sustentabilidade: placas solares, sistema de reaproveitamento de água e materiais recicláveis estão entre as prioridades.
A retomada recente, portanto, não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de identidade. O Novo Mestalla representa o desejo do Valencia de se reinventar após anos de turbulência.
Segundo o clube, o estádio deve se transformar em um centro multiuso, preparado para receber não só partidas de futebol, mas também grandes shows e eventos internacionais, consolidando Valência como uma das capitais esportivas e culturais da Europa.
Com o financiamento garantido e as máquinas de volta ao canteiro, o que antes era um símbolo de abandono agora volta a ser um símbolo de esperança. O “fantasma” finalmente está voltando à vida.
Com informações de NSC Total.

