Entenda o papel do magnésio no sono, os riscos dos suplementos alimentares e o que a ciência afirma sobre saúde mental.
O magnésio, amplamente divulgado nas redes sociais como solução rápida para sono, insônia e até saúde mental, ganhou destaque nos últimos anos, especialmente entre pessoas que enfrentam dificuldades para dormir.
Médicos e pesquisadores, no entanto, alertam que essas promessas nem sempre refletem o que a ciência comprova até agora.
O debate envolve quem usa, como consome, quando recorre aos suplementos alimentares, onde buscar orientação e, sobretudo, por que o mineral não deve ser tratado como fórmula milagrosa.
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Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Mundo, a popularização do magnésio se apoia em mensagens simplificadas que circulam nas plataformas digitais, muitas vezes descoladas do contexto científico real.
Magnésio, insônia e a busca por soluções rápidas
Para a psicóloga do sono Nathalia Padilla, do Instituto de Medicina da Johns Hopkins University, é compreensível que o público se interesse por alternativas acessíveis.
“As pessoas podem passar anos com insônia, procurando diferentes saídas… e se sentem atraídas por soluções como o magnésio, que é tão acessível”, afirma.
No entanto, ela alerta que as redes sociais frequentemente transformam estudos pontuais em promessas universais.
“Eles podem pegar um único estudo… e vendem como algo milagroso”, diz. Até o momento, segundo Padilla, não há evidências científicas robustas para afirmar que o magnésio, por si só, combata a insônia.
O papel do magnésio no organismo e seus limites
Do ponto de vista fisiológico, o magnésio participa de processos relacionados ao relaxamento muscular e à estabilidade do sistema nervoso.
O nutricionista Ricardo Calle explica que o mineral “ajuda a reduzir a intensidade da excitação neuronal” e pode “diminuir a probabilidade de arritmias”.
Ainda assim, o efeito depende diretamente do nível prévio do mineral no organismo.
Se a pessoa já apresenta níveis adequados, o suplemento não gera benefícios adicionais, pois o corpo tende a eliminar o excesso.
Magnésio, sono e saúde mental: o que já se sabe
A relação entre magnésio, sono e saúde mental é estudada, mas ainda inconclusiva. Padilla destaca que a literatura científica permanece limitada. “Não se concluiu completamente que o magnésio irá ajudar a melhorar o sono, como se anuncia”, afirma.
O mineral atua no sistema GABA, um neurotransmissor com efeito calmante, e pode reduzir os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse.
Por isso, em pessoas com deficiência de magnésio, a correção dos níveis pode favorecer relaxamento e bem-estar.
Tipos de magnésio e por que o rótulo importa
Nas prateleiras, o consumidor encontra diferentes versões de suplementos alimentares, como citrato, bisglicinato e óxido de magnésio.
A principal diferença está na absorção e na tolerância.
“O corpo absorve melhor o citrato de magnésio do que o bisglicinato”, explica Calle.
Ainda assim, a tolerância varia entre indivíduos.
Por isso, os especialistas recomendam atenção ao rótulo e à quantidade de magnésio elementar, que é o valor real absorvido pelo organismo.
Quando suplementar magnésio pode ser um risco
O uso de magnésio não deve ocorrer sem avaliação médica.
Antes da suplementação, é essencial verificar os níveis do mineral e a função renal.
Embora os rins eliminem o excesso, doses elevadas podem sobrecarregar o organismo.
O valor de referência citado pelos especialistas é de cerca de 400 mg por dia de magnésio elementar, considerando também o que vem dos alimentos.
Em excesso, o suplemento pode causar náuseas, diarreia, alterações no ritmo cardíaco e queda da pressão arterial, especialmente em pessoas com problemas renais ou cardiovasculares.
Magnésio na alimentação: caminho mais seguro
A boa notícia é que, para a maioria das pessoas, uma dieta equilibrada é suficiente.
Verduras, frutas, legumes, nozes, folhas verdes como espinafre e peixes como o salmão fornecem magnésio em quantidades adequadas ao longo do dia.
Padilla sugere padrões alimentares como a dieta mediterrânea, enquanto Calle reforça que não há necessidade de buscar “superalimentos”.
Com variedade e equilíbrio, o organismo mantém níveis adequados de magnésio sem depender de suplementos.
