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Mãe e filha saíram da cidade, viraram queijeiras e hoje vendem derivados de leite de ovelha no RS, segundo reportagem, com doce premiado, agroindústria própria e rotina pesada entre maternidade, animais, clima, produção e venda em mercado de nicho

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 16/05/2026 às 23:32
Atualizado em 16/05/2026 às 23:34
Assista o vídeoMãe e filha aparecem na rotina de Denise Nidermeer, que trocou a cidade pelo campo no RS e criou derivados de leite de ovelha com agroindústria e doce premiado.
Mãe e filha aparecem na rotina de Denise Nidermeer, que trocou a cidade pelo campo no RS e criou derivados de leite de ovelha com agroindústria e doce premiado.
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Reportagem da TV Cachoeira Novo Tempo mostra Denise Nidermeer, nutricionista que deixou a cidade em 2020, criou a Cabanha La Serrana, virou queijeira e hoje concilia mãe e filha, agroindústria, rebanho de 260 ovinos, derivados premiados e luta para valorizar leite de ovelha no Brasil em mercado especializado de nicho.

A história de mãe e filha aparece no centro da mudança de vida de Denise Nidermeer, nutricionista que deixou a cidade durante a pandemia, em 2020, para transformar o campo em negócio no interior do RS. A reportagem da TV Cachoeira Novo Tempo, publicada em 7 de maio de 2026, mostra Denise como produtora rural, queijeira, proprietária da cabanha, mãe de duas filhas e responsável por derivados de leite de ovelha na Cabanha La Serrana.

A virada aconteceu porque Denise queria unir sua formação em nutrição com a produção de alimentos e agregar valor à ovinocultura. O projeto inicial era trabalhar com ovelhas de corte, mas a família migrou para o leite de ovelha, mercado ainda pouco conhecido no Brasil. A rotina que parecia sonho rural virou uma operação pesada, com animais, clima, maternidade, produção, venda e educação do consumidor ao mesmo tempo.

Da cidade ao campo, o projeto mudou junto com as ovelhas

Mãe e filha aparecem na rotina de Denise Nidermeer, que trocou a cidade pelo campo no RS e criou derivados de leite de ovelha com agroindústria e doce premiado.

Denise Nidermeer contou à TV Cachoeira Novo Tempo que o encantamento começou ao visitar uma propriedade turística com ovelhas leiteiras. O contato direto com os animais, especialmente ao alimentar um cordeiro, reforçou a decisão de seguir com o projeto no campo.

A mudança para a produção de leite de ovelha veio como forma de gerar mais valor para a propriedade. Em vez de vender apenas animais ou carne, Denise passou a transformar o leite em derivados. Foi uma decisão de negócio, mas também uma escolha de vida: sair da cidade e assumir uma rotina sem separação clara entre casa, trabalho e criação.

Mãe e filha entram na rotina que mistura cuidado, produção e venda

Mãe e filha aparecem na rotina de Denise Nidermeer, que trocou a cidade pelo campo no RS e criou derivados de leite de ovelha com agroindústria e doce premiado.

O eixo de mãe e filha aparece na dificuldade de conciliar maternidade com agroindústria, cabanha e produção rural. Denise é mãe de duas filhas e relatou que precisa dividir o tempo entre a família, os animais, a fabricação dos produtos e a gestão da propriedade.

Esse ponto impede uma leitura romantizada do campo. A produtora descreve o trabalho como difícil, afetado por clima, acesso à propriedade, manejo dos ovinos e responsabilidades administrativas. O campo não aparece como fuga simples da cidade, mas como um negócio que exige presença todos os dias.

Leite de ovelha ainda precisa ser explicado ao consumidor

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Um dos maiores desafios apontados por Denise é fazer as pessoas entenderem que ovelhas também produzem leite. No Brasil, o consumo é muito mais associado ao leite de vaca e, em menor escala, ao leite de cabra.

Por isso, parte do trabalho da Cabanha La Serrana é educativo. Denise precisa apresentar o produto, explicar o sabor, mostrar os derivados e vencer a estranheza inicial. Antes de vender queijo ou doce, ela precisa vender uma ideia: a de que o leite de ovelha pode ocupar espaço na mesa brasileira.

Sabor mais adocicado ajuda a abrir mercado de nicho

Segundo Denise Nidermeer, o leite de ovelha tem mais sólidos totais do que o leite de vaca, com composição mais rica em gordura e proteína. Ela descreve o sabor como suave e adocicado, inclusive mais leve em comparação com o leite de cabra.

Essa característica favorece a produção de derivados de maior valor agregado, como queijos, iogurtes e doce de leite. O nicho existe justamente porque o produto não compete só por volume; ele tenta competir por cremosidade, sabor e diferenciação.

Agroindústria própria permitiu transformar leite em produto final

A trajetória da Cabanha La Serrana começou em 2020 com 25 ovelhas e um carneiro. Em 2021, Denise procurou a Emater para desenvolver a planta da agroindústria. A estrutura foi inaugurada em 2024 e formalizada no ano seguinte.

A existência da agroindústria mudou o patamar do negócio. Com ela, Denise passou a beneficiar o leite e produzir derivados dentro da própria estrutura. Sem essa etapa, o valor ficaria preso na matéria-prima; com ela, o leite de ovelha vira queijo, doce e marca própria.

Doce premiado levou visibilidade ao interior do RS

O doce premiado virou um dos principais cartões de visita da produção. Denise afirmou à TV Cachoeira Novo Tempo que o doce de leite feito com leite de ovelha foi reconhecido em 2025 como o melhor doce de leite artesanal do Rio Grande do Sul.

O produto também recebeu medalha de prata no Prêmio Queijo Brasil e ficou em segundo lugar em concurso na Expointer, segundo a reportagem. Para um mercado pouco conhecido, premiação não é detalhe: é prova pública de qualidade e uma forma de quebrar resistência do consumidor.

Rebanho cresceu para 260 ovinos

A propriedade hoje conta com 260 ovinos, conforme a reportagem da TV Cachoeira Novo Tempo. Os animais lactantes ficam em um celeiro e fornecem o leite usado nos produtos da Cabanha La Serrana.

Cada ovelha passa cerca de 200 dias em lactação e rende em média 1 litro por dia. A estrutura de beneficiamento tem capacidade para trabalhar até 500 litros diários. Esses números mostram que o negócio ainda é de nicho, mas já opera com escala suficiente para sustentar uma agroindústria própria.

Produzir o próprio milho virou parte da conta

Para tornar a propriedade mais viável, Denise também passou a produzir o milho usado na alimentação dos animais. A Emater contribuiu com o desenvolvimento de um silo secador, modelo citado na reportagem como alternativa de menor custo e adaptável ao tamanho da necessidade do agricultor.

Esse detalhe mostra que o negócio não depende apenas da sala de queijos. A operação envolve manejo alimentar, armazenagem, estrutura física, saúde animal e controle de produção. No campo, o lucro do derivado começa antes da ordenha, no custo de manter o rebanho.

Queijos especiais ampliam o valor do leite

Além do doce premiado, a Cabanha La Serrana produz queijos especiais. Denise apresentou à reportagem uma câmara fria de maturação, com queijos inspirados em estilos como pecorino italiano e parmesão.

A estratégia faz sentido porque o leite de ovelha tem alto teor de sólidos e favorece produtos de maior cremosidade. Em um mercado de nicho, os derivados ajudam a diferenciar a produção. O leite puro pode ser pouco conhecido, mas o queijo abre uma porta mais familiar para o consumidor.

Falta de regulamentação específica limita venda do leite puro

Denise explicou que a venda de leite de ovelha puro ainda não tem regulamentação específica no Brasil. Por isso, a produção da Cabanha La Serrana se concentra em derivados que seguem regras de produtos semelhantes feitos com leite de vaca ou de cabra.

Esse ponto é decisivo para entender o modelo de negócio. A opção por queijo, doce de leite e outros derivados não é apenas comercial; também responde ao ambiente regulatório. Quando a legislação não acompanha o produto, a agroindústria precisa encontrar caminhos seguros para existir.

Mãe, queijeira, vendedora e produtora rural no mesmo dia

A rotina de Denise reúne papéis que, em uma empresa urbana, poderiam estar divididos entre várias pessoas. Ela é mãe, esposa, administradora da cabanha, queijeira, vendedora e produtora rural.

Essa sobreposição ajuda a explicar por que a história de mãe e filha tem apelo social. Não se trata só de empreendedorismo rural, mas de uma tentativa de equilibrar maternidade, autonomia econômica e produção especializada. O sucesso do doce aparece na vitrine, mas o trabalho pesado fica antes, durante e depois da venda.

Mercado especializado cresce, mas ainda exige paciência

A produção de leite de ovelha no Brasil segue como mercado especializado, voltado a queijos finos e derivados de maior valor agregado. A vantagem está no diferencial do produto; a dificuldade está em formar público consumidor.

Denise afirma que quer ver seus produtos alcançando novos mercados, com reconhecimento crescente de qualidade. Esse avanço, porém, depende de degustação, informação, regularização e distribuição. Produto de nicho não cresce só porque é bom; cresce quando o consumidor entende por que ele custa, vale e se diferencia.

A história de mãe e filha, no caso de Denise Nidermeer, mostra uma mudança de vida que saiu da cidade em 2020 e virou negócio rural no RS. A Cabanha La Serrana começou pequena, estruturou agroindústria, chegou a 260 ovinos, criou derivados de leite de ovelha e ganhou visibilidade com doce premiado.

O caso também revela os limites do romantismo no campo: há clima, acesso difícil, legislação incompleta, custo de alimentação, manejo animal, venda direta e maternidade no mesmo pacote. Você acha que produtos de nicho como leite de ovelha têm espaço para crescer no Brasil ou ainda dependem demais de premiações e curiosidade do consumidor? Comente sua opinião.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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