Reportagem da TV Cachoeira Novo Tempo mostra Denise Nidermeer, nutricionista que deixou a cidade em 2020, criou a Cabanha La Serrana, virou queijeira e hoje concilia mãe e filha, agroindústria, rebanho de 260 ovinos, derivados premiados e luta para valorizar leite de ovelha no Brasil em mercado especializado de nicho.
A história de mãe e filha aparece no centro da mudança de vida de Denise Nidermeer, nutricionista que deixou a cidade durante a pandemia, em 2020, para transformar o campo em negócio no interior do RS. A reportagem da TV Cachoeira Novo Tempo, publicada em 7 de maio de 2026, mostra Denise como produtora rural, queijeira, proprietária da cabanha, mãe de duas filhas e responsável por derivados de leite de ovelha na Cabanha La Serrana.
A virada aconteceu porque Denise queria unir sua formação em nutrição com a produção de alimentos e agregar valor à ovinocultura. O projeto inicial era trabalhar com ovelhas de corte, mas a família migrou para o leite de ovelha, mercado ainda pouco conhecido no Brasil. A rotina que parecia sonho rural virou uma operação pesada, com animais, clima, maternidade, produção, venda e educação do consumidor ao mesmo tempo.
Da cidade ao campo, o projeto mudou junto com as ovelhas

Denise Nidermeer contou à TV Cachoeira Novo Tempo que o encantamento começou ao visitar uma propriedade turística com ovelhas leiteiras. O contato direto com os animais, especialmente ao alimentar um cordeiro, reforçou a decisão de seguir com o projeto no campo.
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A mudança para a produção de leite de ovelha veio como forma de gerar mais valor para a propriedade. Em vez de vender apenas animais ou carne, Denise passou a transformar o leite em derivados. Foi uma decisão de negócio, mas também uma escolha de vida: sair da cidade e assumir uma rotina sem separação clara entre casa, trabalho e criação.
Mãe e filha entram na rotina que mistura cuidado, produção e venda

O eixo de mãe e filha aparece na dificuldade de conciliar maternidade com agroindústria, cabanha e produção rural. Denise é mãe de duas filhas e relatou que precisa dividir o tempo entre a família, os animais, a fabricação dos produtos e a gestão da propriedade.
Esse ponto impede uma leitura romantizada do campo. A produtora descreve o trabalho como difícil, afetado por clima, acesso à propriedade, manejo dos ovinos e responsabilidades administrativas. O campo não aparece como fuga simples da cidade, mas como um negócio que exige presença todos os dias.
Leite de ovelha ainda precisa ser explicado ao consumidor
Um dos maiores desafios apontados por Denise é fazer as pessoas entenderem que ovelhas também produzem leite. No Brasil, o consumo é muito mais associado ao leite de vaca e, em menor escala, ao leite de cabra.
Por isso, parte do trabalho da Cabanha La Serrana é educativo. Denise precisa apresentar o produto, explicar o sabor, mostrar os derivados e vencer a estranheza inicial. Antes de vender queijo ou doce, ela precisa vender uma ideia: a de que o leite de ovelha pode ocupar espaço na mesa brasileira.
Sabor mais adocicado ajuda a abrir mercado de nicho
Segundo Denise Nidermeer, o leite de ovelha tem mais sólidos totais do que o leite de vaca, com composição mais rica em gordura e proteína. Ela descreve o sabor como suave e adocicado, inclusive mais leve em comparação com o leite de cabra.
Essa característica favorece a produção de derivados de maior valor agregado, como queijos, iogurtes e doce de leite. O nicho existe justamente porque o produto não compete só por volume; ele tenta competir por cremosidade, sabor e diferenciação.
Agroindústria própria permitiu transformar leite em produto final
A trajetória da Cabanha La Serrana começou em 2020 com 25 ovelhas e um carneiro. Em 2021, Denise procurou a Emater para desenvolver a planta da agroindústria. A estrutura foi inaugurada em 2024 e formalizada no ano seguinte.
A existência da agroindústria mudou o patamar do negócio. Com ela, Denise passou a beneficiar o leite e produzir derivados dentro da própria estrutura. Sem essa etapa, o valor ficaria preso na matéria-prima; com ela, o leite de ovelha vira queijo, doce e marca própria.
Doce premiado levou visibilidade ao interior do RS
O doce premiado virou um dos principais cartões de visita da produção. Denise afirmou à TV Cachoeira Novo Tempo que o doce de leite feito com leite de ovelha foi reconhecido em 2025 como o melhor doce de leite artesanal do Rio Grande do Sul.
O produto também recebeu medalha de prata no Prêmio Queijo Brasil e ficou em segundo lugar em concurso na Expointer, segundo a reportagem. Para um mercado pouco conhecido, premiação não é detalhe: é prova pública de qualidade e uma forma de quebrar resistência do consumidor.
Rebanho cresceu para 260 ovinos
A propriedade hoje conta com 260 ovinos, conforme a reportagem da TV Cachoeira Novo Tempo. Os animais lactantes ficam em um celeiro e fornecem o leite usado nos produtos da Cabanha La Serrana.
Cada ovelha passa cerca de 200 dias em lactação e rende em média 1 litro por dia. A estrutura de beneficiamento tem capacidade para trabalhar até 500 litros diários. Esses números mostram que o negócio ainda é de nicho, mas já opera com escala suficiente para sustentar uma agroindústria própria.
Produzir o próprio milho virou parte da conta
Para tornar a propriedade mais viável, Denise também passou a produzir o milho usado na alimentação dos animais. A Emater contribuiu com o desenvolvimento de um silo secador, modelo citado na reportagem como alternativa de menor custo e adaptável ao tamanho da necessidade do agricultor.
Esse detalhe mostra que o negócio não depende apenas da sala de queijos. A operação envolve manejo alimentar, armazenagem, estrutura física, saúde animal e controle de produção. No campo, o lucro do derivado começa antes da ordenha, no custo de manter o rebanho.
Queijos especiais ampliam o valor do leite
Além do doce premiado, a Cabanha La Serrana produz queijos especiais. Denise apresentou à reportagem uma câmara fria de maturação, com queijos inspirados em estilos como pecorino italiano e parmesão.
A estratégia faz sentido porque o leite de ovelha tem alto teor de sólidos e favorece produtos de maior cremosidade. Em um mercado de nicho, os derivados ajudam a diferenciar a produção. O leite puro pode ser pouco conhecido, mas o queijo abre uma porta mais familiar para o consumidor.
Falta de regulamentação específica limita venda do leite puro
Denise explicou que a venda de leite de ovelha puro ainda não tem regulamentação específica no Brasil. Por isso, a produção da Cabanha La Serrana se concentra em derivados que seguem regras de produtos semelhantes feitos com leite de vaca ou de cabra.
Esse ponto é decisivo para entender o modelo de negócio. A opção por queijo, doce de leite e outros derivados não é apenas comercial; também responde ao ambiente regulatório. Quando a legislação não acompanha o produto, a agroindústria precisa encontrar caminhos seguros para existir.
Mãe, queijeira, vendedora e produtora rural no mesmo dia
A rotina de Denise reúne papéis que, em uma empresa urbana, poderiam estar divididos entre várias pessoas. Ela é mãe, esposa, administradora da cabanha, queijeira, vendedora e produtora rural.
Essa sobreposição ajuda a explicar por que a história de mãe e filha tem apelo social. Não se trata só de empreendedorismo rural, mas de uma tentativa de equilibrar maternidade, autonomia econômica e produção especializada. O sucesso do doce aparece na vitrine, mas o trabalho pesado fica antes, durante e depois da venda.
Mercado especializado cresce, mas ainda exige paciência
A produção de leite de ovelha no Brasil segue como mercado especializado, voltado a queijos finos e derivados de maior valor agregado. A vantagem está no diferencial do produto; a dificuldade está em formar público consumidor.
Denise afirma que quer ver seus produtos alcançando novos mercados, com reconhecimento crescente de qualidade. Esse avanço, porém, depende de degustação, informação, regularização e distribuição. Produto de nicho não cresce só porque é bom; cresce quando o consumidor entende por que ele custa, vale e se diferencia.
A história de mãe e filha, no caso de Denise Nidermeer, mostra uma mudança de vida que saiu da cidade em 2020 e virou negócio rural no RS. A Cabanha La Serrana começou pequena, estruturou agroindústria, chegou a 260 ovinos, criou derivados de leite de ovelha e ganhou visibilidade com doce premiado.
O caso também revela os limites do romantismo no campo: há clima, acesso difícil, legislação incompleta, custo de alimentação, manejo animal, venda direta e maternidade no mesmo pacote. Você acha que produtos de nicho como leite de ovelha têm espaço para crescer no Brasil ou ainda dependem demais de premiações e curiosidade do consumidor? Comente sua opinião.


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