Complexo inaugurado em 2023 mantém vigilância permanente, bloqueio de celulares e regras severas para impedir rebeliões, fugas e reorganização de gangues
Uma das prisões mais vigiadas do mundo virou símbolo da política de segurança de El Salvador e voltou a chamar atenção internacional.
O CECOT, Centro de Confinamento do Terrorismo, foi inaugurado em 2023 como parte da ofensiva do presidente Nayib Bukele contra o crime organizado.
O complexo foi projetado para abrigar até 40 mil detentos, muitos acusados de ligação com gangues violentas, como MS-13 e Barrio 18.
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Antes dessa política de repressão em massa, El Salvador era conhecido como a “capital mundial dos homicídios”.
O governo salvadorenho apresenta o CECOT como resposta direta ao poder das gangues.
Organizações de direitos humanos criticam as condições de detenção e apontam uma tensão crescente entre segurança pública e direitos fundamentais.
Iluminação permanente faz parte do protocolo de controle
Uma das regras mais marcantes do CECOT é simples e inflexível: as luzes nunca são apagadas.
De acordo com o documentário Richard Madeley on Murder Row, exibido pelo Channel 5, o sistema de iluminação funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Segundo o diretor da prisão, Belarmino García, a medida faz parte do protocolo interno.
A direção afirma que precisa conseguir ver o que os presos estão fazendo o tempo todo.
A justificativa está diretamente ligada ao controle permanente dentro das celas.
Richard Madeley perguntou se aquelas condições poderiam ser consideradas cruéis.
García respondeu que era necessário manter o controle.
Bloqueio eletrônico impede comunicação clandestina
O CECOT possui camadas rígidas de segurança.
Segundo o documentário do Channel 5, o complexo tem um bloqueio eletrônico que impede a entrada de sinal de celular.
A administração tenta evitar comunicação clandestina, contrabando e reorganização das gangues dentro do presídio.
O controle também inclui contagens diárias dos presos, mesmo com forte aparato de vigilância.
A lógica da prisão busca reduzir ao mínimo qualquer chance de rebelião, fuga ou comunicação externa.
Rotina dos presos é limitada e altamente vigiada
Dentro das celas, os detentos ficam em camas metálicas de vários níveis.
Eles não têm colchões, travesseiros ou cobertores.
O único item permitido nas celas é uma Bíblia.
Telas, livros e jornais não são liberados.
As conversas também devem ser mantidas ao mínimo, conforme as regras mostradas no documentário.
A rotina é calculada de forma rigorosa.
Os presos passam cerca de 23 horas e meia por dia dentro das celas.
Durante os 30 minutos fora delas, fazem exercícios calistênicos e ouvem leituras bíblicas.
A alimentação segue o mesmo padrão diariamente.
Os detentos recebem arroz e feijão duas vezes ao dia.
Cela de isolamento aumenta críticas ao complexo
O documentário também mostrou a cela de isolamento do CECOT.
Segundo Richard Madeley, o espaço foi descrito como um pequeno buraco de concreto, totalmente escuro e silencioso.
Presos considerados problemáticos podem permanecer ali por até 30 dias.
O apresentador afirmou que não há luz entrando pelo teto.
No escuro, segundo ele, seria necessário tatear até encontrar a pia de pedra e o vaso sanitário.
Essa estrutura reforça as críticas feitas por organizações de direitos humanos.
O governo salvadorenho defende o CECOT como parte central da queda do poder das gangues.
Prisão divide opiniões no mundo inteiro
Dentro do CECOT estão alguns dos criminosos mais temidos de El Salvador.
Muitos cumprem penas consecutivas que ultrapassam 700 anos.
Em uma entrevista exibida no documentário, um detento afirmou não ter arrependimento por matar 30 pessoas inocentes.
Ele também disse que faria o mesmo novamente caso fosse solto.
Esse tipo de relato fortalece o discurso oficial de controle extremo.
As condições da prisão mantêm o debate aberto no cenário internacional.
Para o governo salvadorenho, o CECOT representa a perda de força das gangues.
Para críticos, o presídio expõe uma fronteira perigosa entre combate ao crime e violação de direitos fundamentais.
Afinal, até onde um Estado pode ir em nome da segurança pública sem ultrapassar limites humanos básicos?

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