Tecnologias ecoeficientes e inteligência artificial ganham protagonismo na logística, setor responsável por parcela relevante das emissões globais de gases de efeito estufa
A logística entrou definitivamente no centro do debate climático global. Em meio à intensificação da crise climática, aprimorar serviços essenciais, como a entrega de última milha, tornou-se uma prioridade estratégica. Nesse cenário, o setor de logística e transporte responde por aproximadamente 14,4% das emissões globais de Gases de Efeito Estufa, segundo dados consolidados até 2023.
Apesar disso, menos da metade das empresas do setor mede ou ajusta seu impacto ambiental. Esse descompasso foi identificado em levantamento recente da SimpliRoute, líder em roteirização inteligente na América Latina, que acompanha a evolução operacional e ambiental do segmento.
Estudo revela baixa adoção de tecnologias ecoeficientes
Os dados do relatório State of Logistics, divulgado em 2024, mostram um avanço ainda limitado. Apenas 23% das empresas afirmam utilizar tecnologias ecoeficientes em suas operações logísticas. Além disso, somente 21% investem na compensação de emissões por meio de projetos ambientais estruturados.
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Nesse contexto, a otimização de rotas desponta como a principal estratégia sustentável adotada. Segundo Sérgio Simões, Growth Director da SimpliRoute no Brasil, a eficiência operacional é o ponto de partida para qualquer agenda ambiental consistente no transporte.
Roteirização inteligente reduz emissões na origem
Mesmo quando empresas recorrem a créditos de carbono, os gases continuam sendo emitidos. Por isso, a sustentabilidade logística precisa atuar na origem do problema. De acordo com Simões, a roteirização baseada em inteligência artificial pode reduzir em até 30% as emissões do transporte, conforme estimativas técnicas divulgadas em 2024.
Além da redução de emissões, a tecnologia permite diminuir o consumo de combustível, encurtar prazos de entrega e reduzir desperdícios operacionais. Assim, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de eficiência e passa a orientar decisões ambientais de forma estruturada.
Pressão de outros setores acelera mudanças na logística
Paralelamente, práticas sustentáveis adotadas por outros segmentos impactam diretamente a logística. Desde 2022, o varejo intensificou a redução do uso de plásticos e passou a priorizar materiais reciclados. Como consequência, operadores logísticos começaram a adotar embalagens eco-friendly, designs sustentáveis e programas de devolução.
Entretanto, essas iniciativas ainda avançam de forma lenta. Segundo o mesmo estudo, apenas 18,8% das empresas utilizam embalagens sustentáveis de maneira consistente, indicando que grande parte do setor ainda está em fase inicial de adaptação.
Integração entre tecnologia e ações ambientais define o caminho
Embora ações como embalagens sustentáveis e compensação de emissões sejam relevantes, elas se tornam mais eficazes quando integradas à roteirização por IA. Dessa forma, o planejamento logístico ganha precisão, reduz custos e amplia os benefícios ambientais.
Segundo Sérgio Simões, as empresas precisam reafirmar o compromisso com inovação e sustentabilidade, adotando soluções inteligentes para reduzir a pegada de carbono das operações de transporte. Assim, a combinação entre roteirização eficiente baseada em inteligência artificial e projetos ambientais, conforme práticas observadas em 2024, constrói um ecossistema logístico mais sustentável, mensurável e alinhado às exigências climáticas globais.
Diante desse cenário, o futuro da logística estará mais ligado à eficiência tecnológica ou à compensação ambiental tradicional, e qual dessas estratégias deve liderar a transformação do setor?
