Projeto usando o satélite TESS encontrou mais de 10 mil candidatos a exoplanetas em apenas um ano com apoio de inteligência artificial.
Em 2026, a busca por mundos fora do Sistema Solar entrou em uma nova escala após pesquisadores do projeto T16 Planet Hunt relatarem a identificação de 11.554 candidatos a exoplanetas em dados do Transiting Exoplanet Survey Satellite, o TESS, missão da NASA lançada para procurar planetas ao redor de estrelas próximas por meio do método de trânsito. O avanço aparece no estudo “The T16 Planet Hunt”, publicado em 20 de abril de 2026 no arXiv, ainda sem revisão por pares, no qual a equipe afirma ter usado busca semiautomatizada e aprendizado de máquina para examinar curvas de luz de 83.717.159 estrelas observadas no primeiro ciclo da missão.
O número impressiona porque a humanidade levou cerca de três décadas para confirmar pouco mais de 6 mil exoplanetas, enquanto o novo levantamento encontrou 10.091 candidatos inéditos em apenas uma análise ampla dos dados do TESS. Segundo a reportagem da Space.com, publicada em 8 de maio de 2026, o método vasculhou estrelas até 16 vezes mais fracas do que os alvos normalmente priorizados, captando sinais de trânsito que antes passavam despercebidos em meio ao volume gigantesco de informações astronômicas.
Satélite TESS foi criado para procurar mundos fora do Sistema Solar
O Transiting Exoplanet Survey Satellite foi lançado em 2018 para ampliar drasticamente a busca por exoplanetas.
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Diferentemente de telescópios anteriores que observavam regiões mais específicas do céu, o TESS foi projetado para monitorar enormes áreas celestes simultaneamente.
A missão utiliza quatro câmeras de grande campo capazes de acompanhar milhões de estrelas em busca de pequenas variações de brilho. O foco principal do satélite é identificar planetas relativamente próximos do Sistema Solar, aumentando as chances de estudos detalhados no futuro.
Método usado pelo TESS procura pequenas sombras em estrelas distantes
O sistema de detecção utilizado pelo TESS é conhecido como método do trânsito. Ele funciona observando pequenas quedas periódicas no brilho de uma estrela.
Quando um planeta passa diante da estrela do ponto de vista do telescópio, parte da luz é bloqueada temporariamente. Essa diminuição extremamente sutil pode indicar presença de um planeta orbitando o astro.
O problema é que esses sinais costumam ser minúsculos e frequentemente misturados com ruídos instrumentais ou outros fenômenos espaciais.
Inteligência artificial analisou 83 milhões de estrelas
O salto recente aconteceu porque pesquisadores começaram a aplicar inteligência artificial em larga escala sobre os dados coletados pelo TESS.
Segundo as informações divulgadas pelos cientistas envolvidos no projeto, os algoritmos analisaram sinais associados a aproximadamente 83 milhões de estrelas.
O volume de dados é tão gigantesco que seria praticamente impossível de ser processado manualmente em tempo razoável. Os sistemas automatizados passaram a identificar padrões extremamente sutis escondidos em quantidades colossais de informação astronômica.
Mais de 10 mil candidatos surgiram em apenas um ano
O resultado mudou completamente a velocidade das descobertas. Em apenas um ano, o projeto identificou mais de 10 mil candidatos a exoplanetas.
Isso não significa que todos os objetos encontrados já sejam oficialmente considerados planetas confirmados. Ainda serão necessárias análises adicionais para validar muitos dos sinais detectados.
Mesmo assim, o volume encontrado impressionou porque supera rapidamente décadas inteiras de descobertas anteriores.
Humanidade levou cerca de 30 anos para confirmar 6 mil exoplanetas
As primeiras descobertas modernas de exoplanetas ocorreram nos anos 1990. Desde então, telescópios terrestres e espaciais passaram décadas acumulando observações, refinando técnicas e confirmando novos mundos.
Até recentemente, o número total de exoplanetas oficialmente confirmados girava em torno de 6 mil. Agora, a nova leva de candidatos encontrada pelo TESS sugere que a quantidade de mundos ainda não catalogados pode ser muito maior do que se imaginava.
Exoplanetas são planetas que orbitam estrelas diferentes do Sol. Alguns são gigantes gasosos maiores que Júpiter.
Outros possuem tamanho semelhante ao da Terra. Também existem mundos extremamente quentes, planetas congelados, sistemas compactos com vários planetas e corpos localizados em zonas potencialmente habitáveis.
Parte dos candidatos pode ser composta por mundos rochosos
Um dos principais objetivos científicos dessas buscas é encontrar planetas semelhantes à Terra. Isso inclui mundos rochosos localizados em regiões onde temperaturas poderiam permitir presença de água líquida.
Embora os novos candidatos ainda precisem de confirmação detalhada, parte deles pode pertencer justamente a essa categoria.
Mesmo com inteligência artificial identificando sinais promissores, confirmar um exoplaneta continua sendo um processo complexo.
Astrônomos precisam usar observações complementares para descartar fenômenos que imitam trânsitos planetários.
Entre eles:
- estrelas binárias;
- oscilações estelares;
- ruídos instrumentais;
- interferências luminosas.
Por isso, muitos dos novos candidatos ainda passarão por anos de verificação.
Via Láctea pode conter bilhões de mundos
A Via Láctea possui centenas de bilhões de estrelas. Hoje, muitos pesquisadores acreditam que planetas podem ser mais comuns do que estrelas na galáxia.
As descobertas recentes reforçam justamente essa hipótese. Quanto mais a tecnologia avança, mais o universo parece revelar que sistemas planetários são extremamente abundantes.

Antes do TESS, outra missão da NASA revolucionou a astronomia planetária: o telescópio espacial Kepler. Kepler demonstrou que exoplanetas eram comuns e ajudou a confirmar milhares de mundos.
O TESS foi criado justamente para expandir essa busca em escala ainda maior e focar estrelas mais próximas e brilhantes.
Inteligência artificial está transformando astronomia moderna
O caso do TESS mostra como inteligência artificial começa a mudar profundamente a ciência espacial. Telescópios modernos produzem quantidades gigantescas de dados diariamente.
Sem automação avançada, boa parte dessas informações demoraria décadas para ser processada. Agora, algoritmos conseguem detectar padrões invisíveis para análises humanas convencionais e acelerar descobertas em velocidade inédita.
Encontrar um exoplaneta não significa encontrar vida extraterrestre. Mas cada novo mundo potencialmente habitável amplia o número de alvos disponíveis para futuras observações atmosféricas e estudos químicos.
Próximas gerações de telescópios poderão analisar atmosferas desses planetas em busca de gases associados a processos biológicos.
Novo salto mostra que exploração planetária entrou em outra era
O crescimento explosivo do número de candidatos detectados pelo TESS mostra que a astronomia planetária está entrando em uma nova fase.
Durante décadas, encontrar exoplanetas era raro e extremamente difícil. Agora, sistemas automatizados e inteligência artificial permitem vasculhar milhões de estrelas em busca de mundos desconhecidos em velocidade sem precedentes.
E talvez o dado mais impressionante seja justamente este: a humanidade levou cerca de 30 anos para confirmar 6 mil exoplanetas, mas a nova geração de ferramentas espaciais já começou a encontrar potenciais novos mundos em números que podem transformar completamente o tamanho conhecido do universo planetário ao nosso redor.


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