A tuneladora gigante acionada em abril no Lesoto marca uma nova fase do megaprojeto hídrico de Polihali, que agora avança com duas máquinas ao mesmo tempo no túnel de 38,5 km, enquanto a barragem principal supera 53% do volume total de aterro e segue rumo à operação em 2029
A tuneladora gigante usada no túnel de transferência de Polihali entrou em destaque em abril de 2026 no Lesoto e elevou o ritmo de uma das obras de água mais ambiciosas da região. Com cerca de 423 metros de comprimento e cabeça de corte de 5,38 metros, a máquina se juntou à primeira escavadora já em atividade para abrir simultaneamente, pelos dois lados, o túnel de 38,5 quilômetros que vai ligar os reservatórios de Polihali e Katse, nas montanhas Maluti.
O avanço chama atenção pelo tamanho da estrutura e pelo impacto esperado quando a obra for concluída. O túnel por gravidade vai transportar água do reservatório de Polihali até Katse, ampliando a segurança hídrica regional e fortalecendo a geração hidrelétrica no Lesoto. Ao mesmo tempo, a barragem de Polihali já atingiu 7.756.980 metros cúbicos de enrocamento, equivalente a 53% do volume total do aterro, e continua subindo em direção à altura final de 165 metros acima do leito do rio Senqu.
O que aconteceu em abril com a tuneladora gigante de Polihali
Em abril, a segunda tuneladora gigante passou a simbolizar a entrada do projeto em uma fase mais intensa de escavação. A nova máquina será oficialmente apresentada por autoridades da África do Sul e do Lesoto, em um movimento tratado como um marco para a Fase 2 do Lesotho Highlands Water Project, o LHWP.
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Com isso, o túnel de transferência de Polihali passou a ser escavado simultaneamente a partir das duas extremidades. Essa mudança acelera uma etapa decisiva da obra e reforça a transição do projeto da preparação para a execução em grande escala.
Os números que explicam o tamanho da tuneladora gigante e do túnel
A nova tuneladora gigante usada em Polihali mede cerca de 423 metros de comprimento e opera com uma cabeça de corte de 5,38 metros. Segundo o Departamento de Água e Saneamento, a máquina foi projetada para trabalhar continuamente mesmo nas condições subterrâneas mais duras.
O túnel de transferência de Polihali terá 38,5 quilômetros de extensão. Ele foi concebido como um túnel por gravidade, o que significa que a água do reservatório de Polihali seguirá até o reservatório de Katse sem depender de bombeamento constante. Durante a escavação, a máquina também instala segmentos pré-moldados de revestimento de concreto, transformando a rocha bruta em estrutura final em um processo contínuo.
Quanto cada máquina já avançou na obra

A tuneladora de Polihali chegou ao local em julho de 2025 e iniciou a escavação em janeiro de 2026. Em meados de fevereiro de 2026, ela já havia alcançado 235,8 metros de avanço, segundo a Lesotho Highland Development Authority.
A primeira tuneladora, lançada no lado da barragem de Katse em fevereiro de 2025, já vinha abrindo o túnel havia mais tempo. Em meados de janeiro de 2026, essa máquina havia atingido 614,5 metros. Agora, com as duas em atividade e com o novo marco registrado em abril, a obra ganha velocidade em uma etapa crítica.
O que muda na prática quando o túnel estiver concluído
Quando o túnel de Polihali estiver pronto, ele permitirá a transferência de volumes significativamente maiores de água. Esse é o ponto central da obra. O projeto foi desenhado para reforçar a segurança hídrica regional e, ao mesmo tempo, impulsionar a geração de energia hidrelétrica no Lesoto.
Na prática, a água seguirá do reservatório de Polihali pelo túnel até o reservatório de Katse e, depois, continuará em direção à África do Sul. Isso amplia a capacidade de entrega de água e consolida o papel estratégico do sistema dentro da integração hídrica regional.
A barragem de Polihali já passou de 7,7 milhões de m³
Enquanto o túnel avança por baixo da montanha, a barragem de Polihali segue crescendo em ritmo forte. A obra já chegou a 7.756.980 metros cúbicos de enrocamento lançado, o que representa 53% de todo o volume previsto para o aterro.
No ritmo atual, com mais de 20 mil metros cúbicos por dia, a estrutura continua subindo rumo à altura final de 165 metros acima do leito do rio Senqu. A crista da barragem terá 921 metros de extensão, e o reservatório criado por ela terá capacidade total de armazenamento de 2.325 milhões de metros cúbicos, mais que o dobro da capacidade da barragem de Mohale, construída na Fase 1 do projeto.
Por que essa obra virou uma das mais ambiciosas da região
A barragem de Polihali é um dos principais componentes da Fase 2 do LHWP. Além dela, o pacote inclui o túnel de transferência e a ponte Senqu, estrutura essencial para manter o acesso à região quando o reservatório for enchido.
O projeto da barragem foi implantado a jusante da confluência dos rios Khubelu e Senqu-Orange. Seu papel vai além do armazenamento de água. A estrutura é a base física que viabiliza o novo arranjo de transferência hídrica e sustenta a ampliação da capacidade regional do sistema.
As próximas etapas após o avanço registrado em abril
Outras frentes do projeto também avançam. A construção do plinto externo da barragem principal estava 95% concluída no fim de fevereiro. O concreto da base da torre de tomada d’água foi concluído em 21 de fevereiro, e a escavação do vertedouro chegou a 97%.
A obra segue no cronograma para comissionamento em 2029. Outro marco previsto ainda nesta semana é a inauguração conjunta da ponte Senqu, em Mokhotlong, pelo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, pelo rei Letsie III e pelo primeiro-ministro do Lesoto, Samuel Matekane.
A ponte Senqu mostra que o projeto vai além do túnel e da barragem
A nova ponte Senqu foi construída para substituir a estrutura atual, que ficará submersa quando o reservatório de Polihali for enchido. Isso garante acesso contínuo a Mokhotlong, Sani Pass e áreas vizinhas, evitando que a nova barragem isole a região.
Construída por cerca de R2,4 bilhões, a ponte é a maior de três grandes pontes previstas para cruzar o reservatório de Polihali. Ela mede cerca de 825 metros de comprimento e 90 metros de altura, o que mostra a dimensão do pacote de infraestrutura em andamento.
Por que a tuneladora gigante virou símbolo do avanço da obra em abril
A entrada da segunda máquina foi descrita pelo Departamento de Água e Saneamento como um símbolo poderoso do progresso do projeto. Em abril, esse movimento ganhou ainda mais peso político e técnico, porque marca a aceleração efetiva da escavação do túnel que vai conectar dois grandes reservatórios.
No conjunto, o projeto reúne uma tuneladora gigante de 423 metros, um túnel de 38,5 quilômetros, uma barragem de 165 metros de altura, um reservatório com capacidade de 2.325 milhões de metros cúbicos e uma ponte de 825 metros. É essa soma de números que explica por que o Lesoto trata a obra como estratégica para reforçar água e energia no sul da África.
Você acredita que obras desse porte, aceleradas já em abril com tuneladora gigante e barragem em alta velocidade, devem virar prioridade em regiões que precisam garantir mais água e energia no futuro?

Sim ! Tanto para o Lesotho quanto para outros países do Sul da África.