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Lei dos Safristas é aprovada na Câmara: trabalhador rural poderá assinar a carteira sem perder o Bolsa Família, caso seja sancionada pelo presidente

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 26/05/2026 às 17:06
Atualizado em 26/05/2026 às 17:11
A Lei dos Safristas foi aprovada na Câmara em 19/05. Renda do contrato de safra não conta mais para excluir famílias do Bolsa Família. Veja o que muda.
A Lei dos Safristas foi aprovada na Câmara em 19/05. Renda do contrato de safra não conta mais para excluir famílias do Bolsa Família. Veja o que muda. Imagem: Canva.
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A Lei dos Safristas foi aprovada na Câmara em 19/05. Renda do contrato de safra não conta mais para excluir famílias do Bolsa Família. Proposta agora aguarda sanção presidencial.

A aprovação da chamada Lei dos Safristas pela Câmara dos Deputados pode mudar a relação entre trabalho rural temporário e programas sociais no Brasil. O projeto aprovado em 19 de maio determina que o valor recebido por trabalhadores contratados durante a safra não seja considerado no cálculo da renda familiar usada pelo Bolsa Família. Segundo divulgado no site oficial da Câmara dos Deputados, a proposta já passou pelo Senado e aguarda sanção presidencial. A medida foi criada para impedir que famílias em situação de vulnerabilidade percam o benefício social após assumirem contratos temporários no campo.

Mudança tenta corrigir problema enfrentado por famílias rurais

Durante anos, trabalhadores rurais temporários enfrentaram uma situação considerada contraditória. Ao aceitar emprego formal no período da colheita, muitas famílias acabavam excluídas do Bolsa Família por causa do aumento temporário da renda.

O problema surgia porque o sistema identificava o salário da safra como crescimento permanente da renda familiar. Assim, o benefício podia ser cancelado poucos dias depois do início do contrato.

Quando a temporada agrícola chegava ao fim, o trabalhador deixava de receber o salário da colheita e também já não contava mais com o auxílio social.

O retorno ao programa dependia de novos procedimentos burocráticos, atualização no Cadastro Único e espera por nova análise. A Lei dos Safristas foi apresentada justamente para evitar esse ciclo.

Lei dos Safristas cria proteção para renda sazonal

O texto aprovado reconhece que o pagamento recebido por safristas possui caráter temporário. Por esse motivo, a remuneração não será usada como critério para retirada automática do Bolsa Família.

Na prática, o trabalhador poderá atuar formalmente durante a safra sem sofrer exclusão imediata do programa social.

A proposta altera a forma de interpretação dessa renda. Em vez de ser tratada como ganho fixo, ela passa a ser considerada sazonal, ligada apenas ao período agrícola específico.

A Lei dos Safristas foi aprovada na Câmara em 19/05. Renda do contrato de safra não conta mais para excluir famílias do Bolsa Família. Veja o que muda.
A Lei dos Safristas foi aprovada na Câmara em 19/05. Renda do contrato de safra não conta mais para excluir famílias do Bolsa Família. Veja o que muda. Imagem: Canva.

Segundo o texto aprovado no Congresso, essa adaptação busca tornar a política social mais compatível com a realidade do trabalho no campo.

Quem são os trabalhadores beneficiados pela nova regra?

Safristas são profissionais contratados por tempo determinado para atividades ligadas ao calendário agrícola. O período de contratação varia conforme a cultura produzida e as necessidades da propriedade rural.

Esses trabalhadores participam de diferentes etapas da produção, desde o preparo da terra até a colheita.

Entre as culturas mencionadas no projeto estão:

  • Café
  • Soja
  • Cana-de-açúcar
  • Laranja
  • Maçã
  • Tomate

Os contratos seguem regras previstas na Lei 5.889/73, que trata do trabalho rural temporário.

Após o encerramento da safra, o vínculo empregatício termina naturalmente.

Formalização no campo é um dos objetivos da medida

O Congresso apontou que o medo de perder o Bolsa Família ajudava a aumentar a informalidade rural.

Segundo relatos mencionados durante a tramitação do projeto, muitos trabalhadores recusavam vagas formais para evitar riscos de ficar sem renda após a colheita.

A situação criava um impasse:

SituaçãoConsequência
Aceitar trabalho formalPossível perda do Bolsa Família
Permanecer informalManutenção do benefício social

Com a nova regra, o governo tenta reduzir esse desincentivo à formalização.

Além disso, trabalhadores poderão ter acesso aos direitos garantidos por contratos formais, incluindo contribuição para a Previdência Social.

Relator afirmou que sistema ignorava realidade do campo

O deputado Evair de Melo, relator da proposta, criticou as regras anteriores por não levarem em conta a variação anual da renda de trabalhadores rurais temporários.

Segundo ele, a exclusão automática acontecia porque o sistema tratava ganhos sazonais da mesma forma que salários permanentes.

A avaliação apresentada no Congresso foi de que isso acabava prejudicando justamente famílias em situação de vulnerabilidade econômica.

A Lei dos Safristas foi aprovada na Câmara em 19/05. Renda do contrato de safra não conta mais para excluir famílias do Bolsa Família. Veja o que muda.
A Lei dos Safristas foi aprovada na Câmara em 19/05. Renda do contrato de safra não conta mais para excluir famílias do Bolsa Família. Veja o que muda. Imagem: Canva.

O texto aprovado entende que o trabalho agrícola temporário possui dinâmica diferente de empregos contínuos em outros setores.

Lei dos Safristas também altera obrigações no eSocial

Outra mudança prevista envolve o eSocial, plataforma usada para registrar vínculos trabalhistas no país.

Enquanto não houver campo específico para contratos de safra dentro do sistema, empregadores ficarão dispensados de informar determinados dados relacionados ao vínculo para manutenção dos benefícios sociais.

O projeto trata essa medida como transitória.

Segundo o relator, a intenção é permitir aplicação imediata da nova legislação sem depender de mudanças técnicas futuras no sistema federal.

Assim, empregadores não serão responsabilizados por limitações estruturais do próprio eSocial.

Retorno ao Bolsa Família terá prazo ampliado

O projeto também estabelece regra específica para famílias que eventualmente deixarem o programa após trabalho sazonal.

Nesses casos, o retorno poderá ocorrer em até 36 meses, desde que os critérios de elegibilidade sejam novamente atendidos.

O prazo é considerado mais amplo que o processo tradicional de reentrada no programa social.

A proposta reconhece que trabalhadores rurais temporários enfrentam períodos de renda instável ao longo do ano.

Por isso, o texto busca criar mecanismo mais adaptado às oscilações típicas da atividade agrícola.

Diferença entre a nova lei e a regra de proteção existente

Antes da aprovação da Lei dos Safristas, o Bolsa Família já contava com uma regra de proteção para famílias que conseguiam emprego formal.

Esse mecanismo permite manutenção de 50% do benefício por período limitado, desde que a renda mensal por pessoa não ultrapasse R$ 706.

Pelas regras citadas no texto:

  • O prazo geral é de até dois anos;
  • Para famílias incluídas a partir de junho de 2025, o período cai para um ano.

Mesmo assim, a nova legislação cria proteção adicional voltada especificamente para contratos de safra.

A principal diferença está no tratamento dado à renda temporária da colheita, que deixa de funcionar como motivo automático para exclusão do programa.

Falta de mão de obra no campo foi citada durante debate

O senador Jaime Bagattoli afirmou que a proposta pode ajudar a reduzir a deficiência de trabalhadores no setor agrícola.

Segundo ele, existe carência superior a 800 mil empregos no campo em diferentes regiões do Brasil.

O texto também destaca que a informalidade rural possui diversas causas, incluindo:

  • Trabalho sazonal;
  • Distância de centros urbanos;
  • Dificuldade documental;
  • Medo de perder benefícios sociais.

A expectativa é que a nova regra diminua parte dessa insegurança entre trabalhadores temporários.

Projeto aguarda sanção presidencial

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto em votação simbólica. Como o Senado já havia analisado o texto anteriormente, a proposta segue agora para sanção presidencial.

O presidente da República não possui prazo fixo determinado pela Constituição para assinatura da lei. Ainda assim, projetos considerados prioritários e com apoio parlamentar costumam avançar rapidamente.

O texto prevê que as novas regras entrem em vigor após a sanção, caso não exista definição diferente na versão final publicada oficialmente.

Nova legislação busca adaptar programas sociais ao trabalho rural

A Lei dos Safristas foi criada para lidar com uma característica específica da atividade agrícola: a renda variável ao longo do ano.

Ao impedir que contratos temporários provoquem exclusão automática do Bolsa Família, o projeto tenta aproximar proteção social e formalização do trabalho.

Além disso, a proposta busca reduzir um dos fatores apontados como responsáveis pela informalidade rural no país.

Com isso, trabalhadores poderão aceitar vagas temporárias na colheita sem o receio imediato de perder assistência social após o encerramento da safra.

Fonte: Meu Tudo e Câmara dos Deputados

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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