O REEV flex, extensor de autonomia da Leapmotor, sócia da Stellantis, deve estrear junto com a produção nacional dos SUVs B10 e C10. Veja como o sistema funciona, quanto cada modelo roda hoje com bateria e tanque e o que ainda falta a marca contar.
O REEV flex da Leapmotor chega ao mercado brasileiro no fim de 2027. A data foi confirmada à Autoesporte por João Irineu Medeiros, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, grupo que controla a marca chinesa no país. Segundo a revista, a estreia do REEV flex deve coincidir com o início da produção nacional dos SUVs B10 e C10.
Até aqui, a Leapmotor só tinha dito que o projeto existia. Em 6 de abril de 2026, a Stellantis anunciou que o B10 e o C10 serão os primeiros Leapmotor feitos no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco. No mesmo comunicado, Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, revelou o início do desenvolvimento do sistema.
O que a Stellantis já confirmou sobre o REEV flex
O comunicado oficial traz quatro pontos que valem para o leitor:
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- Onde: a fábrica de Goiana (PE) passa por uma expansão para receber a área que vai montar o B10 e o C10.
- Quais modelos: os dois SUVs são os primeiros da Leapmotor com produção local anunciada.
- Quem desenvolve: o time de engenharia da Stellantis na região lidera o projeto do REEV flex.
- Onde entra: o sistema “estará presente na produção nacional da Leapmotor”, diz o texto.
A Stellantis chama o REEV flex de “primeira tecnologia REEV Flex do mundo”. Na prática, é o mesmo conjunto que a Leapmotor já vende aqui, com o gerador preparado para etanol e gasolina.
Como funciona o extensor de autonomia
REEV é a sigla em inglês para veículo elétrico de autonomia estendida. Quem move as rodas é sempre o motor elétrico. O motor a combustão vira um extensor de autonomia: ele só gera energia para a bateria ou para o motor de tração.

No B10 vendido hoje, esse gerador é um 1.5 16V a gasolina, com ciclo Atkinson e taxa de compressão de 15,3:1. Ele bebe de um tanque pressurizado de 50 litros, que reduz a perda de combustível por evaporação, segundo o comunicado de lançamento do B10. A central eletrônica controla o gerador e ajusta a rotação conforme o uso.
Como o motor a combustão não traciona as rodas, a resposta do acelerador é a de um elétrico. Quando a carga cai, o extensor de autonomia liga sozinho e o carro segue rodando. É isso que a versão flex vai manter, trocando apenas o combustível aceito pelo gerador.
O motorista escolhe como o extensor de autonomia trabalha em quatro modos de energia:
- EV+: usa a bateria ao máximo e liga o gerador só quando a carga chega ao nível mínimo.
- EV: indicado para a cidade, prioriza a bateria e aciona o gerador se precisar.
- Combustível: indicado para viagem, combina bateria e gerador para a maior autonomia. Dá para fixar um nível de carga que o gerador mantém.
- Power+: liga o gerador na hora, para garantir energia na bateria.
Quanto o B10 e o C10 rodam hoje com bateria e tanque
Os números abaixo são das versões a gasolina à venda agora. A Leapmotor ainda não divulgou dados do REEV flex.
| B10 Ultra-Híbrido | C10 Ultra-Híbrido | |
|---|---|---|
| Motor elétrico | 218 cv, tração traseira | 215 cv |
| Bateria | 18,8 kWh, LFP | não informada no site |
| Gerador | 1.5 16V a gasolina | motor a combustão a gasolina |
| Tanque | 50 litros, pressurizado | não informado no site |
| Autonomia combinada | até 900 km (WLTP) | 950 km (WLTP) |
| Autonomia só na bateria | não informada no comunicado | 111 km (PBEV-Inmetro) |
| Preço de tabela | R$ 179.990 | R$ 219.990 |
A bateria do B10 é de lítio-ferro-fosfato, sem cobalto nem níquel. Segundo a marca, ela vai de 30% a 80% de carga em até 18 minutos.
O C10 tem 50 km a mais de autonomia combinada que o B10 no ciclo WLTP, 950 km contra 900 km. Em troca, custa R$ 40.000 a mais na tabela.
Com o B10, a Leapmotor passou a oferecer a tecnologia em todos os modelos vendidos no Brasil. Hoje, todos rodam com gerador a gasolina.
O que ainda não se sabe sobre o REEV flex
A Leapmotor e a Stellantis não divulgaram consumo com etanol, autonomia com o tanque cheio de etanol, potência do gerador flex nem preço dos SUVs nacionais. Também não há data oficial para o início da produção em Goiana. A Stellantis só confirmou que o polo de Goiana está sendo ampliado para receber os dois SUVs. O prazo do fim de 2027 vem da entrevista do executivo à Autoesporte.
Quem pensa em comprar um B10 ou C10 agora deve levar isso em conta. O modelo atual é importado e usa só gasolina no extensor de autonomia. O REEV flex nacional ainda não tem números públicos para comparação.
A tabela acima serve de referência até a marca abrir os dados do novo conjunto. Quando a Leapmotor divulgar a ficha do REEV flex, o ponto a conferir é a autonomia combinada com etanol, já que o etanol rende menos por litro que a gasolina em motores flex.
