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Projeto de R$ 10,35 bilhões reaparece em Mato Grosso com fábrica de celulose de 2 milhões de toneladas, usina de 372 MW e obras previstas para 2027

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 01/10/2026 às 09:54 Atualizado em 01/10/2026 às 09:55
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Complexo industrial de celulose da Euca Energy em Alto Araguaia, Mato Grosso, com investimento previsto de R$ 10,35 bilhões
Arte Conceitual do Complexo industrial ligado ao projeto da Euca Energy, previsto para Alto Araguaia, com fábrica de celulose, geração a biomassa e infraestrutura logística.
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Complexo da Euca Energy volta ao radar sete anos após os primeiros anúncios e traz novo calendário para licitações, equipamentos e construção em Alto Araguaia

Um projeto bilionário que parecia ter esfriado pode, enfim, voltar ao canteiro de obras? Em Mato Grosso, todas as atenções agora se voltam para 2027. A virada apareceu em uma publicação de Leonardo Garcia Degrazia no LinkedIn.

No centro da história está a Euca Energy, que planeja investir cerca de US$ 2 bilhões, ou R$ 10,35 bilhões, em Alto Araguaia, no sul de Mato Grosso.

É um projeto de escala grande mesmo. A futura fábrica foi dimensionada para produzir 2 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto.

E não termina na linha de produção. O plano inclui uma central de biomassa de 372 MW, ramal ferroviário próprio e um terminal de cargas conectado aos trilhos.

Projeto de R$ 10,35 bilhões reaparece sete anos depois

Só que essa história não começou agora. Em 2019, o CPG já noticiava a licença prévia e investimentos próximos de R$ 10 bilhões.

Naquele momento, Alto Araguaia já aparecia como candidato a receber um novo polo industrial, capaz de mexer com logística, energia e toda a cadeia florestal.

O tempo passou. Sete anos depois, o valor permanece na mesma ordem de grandeza, mas o empreendimento retorna ao radar com decisões concentradas em 2027.

Pelo cronograma divulgado, as etapas ligadas ao licenciamento ambiental, aprovações governamentais e estrutura financeira devem avançar até janeiro de 2027.

É a partir daí que a coisa fica mais concreta. A aprovação do investimento aparece prevista para junho e as primeiras cotações de equipamentos, para agosto.

Cotações, licitações e construção entram no calendário de 2027

Outubro de 2027 surge como o mês previsto para os documentos de licitação. Dois meses depois, em dezembro, a construção poderia finalmente começar.

Se o planejamento se confirmar, a implantação estaria concluída em dezembro de 2028. É um calendário apertado para um complexo industrial desse porte.

Somente a fábrica é estimada em US$ 1,84 bilhão. Fora dela ainda estão estruturas essenciais de geração de energia, transporte e logística.

A AFRY Brasil aparece como consultora de engenharia, enquanto a Yama Engeambi é mencionada como responsável pelos trabalhos e estudos ambientais.

Já Valmet e ANDRITZ Brasil surgem como empresas de tecnologia em avaliação. Até aqui, porém, não há indicação pública de contratos definitivos assinados.

Documento da CMD Andritz 2019 - página 31.
Documento da CMD Andritz 2019 – página 31.

Fornecedores podem encontrar uma janela importante a partir de agosto

Agosto de 2027 merece atenção especial de construtoras e montadoras. É justamente quando o cronograma prevê o começo das cotações de equipamentos.

A partir dali, podem surgir oportunidades para fornecedores de processo, montagem eletromecânica, engenharia, construção e diferentes serviços industriais.

Tem outro número que chama atenção. A central de biomassa prevista para o complexo terá capacidade de geração de 372 MW, uma escala nada pequena.

Essa potência, aliás, não é novidade. No licenciamento de 2019, a Prefeitura de Alto Araguaia informou que 201 MW seriam consumidos pela própria fábrica.

Sob aquela configuração, outros 171 MW poderiam ser comercializados. Isso colocaria o projeto também como um ativo relevante de geração de energia regional.

Ferrovia volta ao centro da estratégia da Euca Energy

A ferrovia também acompanha o projeto há anos. Em 2022, o CPG mostrou que a Euca Energy tentava viabilizar cerca de 30 km de ferrovia.

Na época, a implantação do trecho era estimada em aproximadamente R$ 300 milhões, tendo Alto Araguaia como peça central da futura operação industrial.

Agora os trilhos aparecem outra vez. O cronograma menciona ramal ferroviário próprio e terminal de cargas, estruturas vitais para tirar a celulose da fábrica.

E a localização ajuda a explicar essa escolha. Alto Araguaia está perto de corredores rodoviários e ferroviários e ainda conta com base florestal de eucalipto.

Em 2019, a prefeitura dizia que o empreendimento demandaria cerca de 300 mil hectares comprados ou arrendados. Desses, 180 mil seriam para plantio.

Alto Araguaia acompanha o projeto desde 2019

O caminho burocrático também não começou ontem. O empreendimento já passou por audiência pública, análise de EIA-Rima e obtenção de licença prévia ambiental.

Isso não significa, contudo, que as obras estão garantidas. O calendário apresentado ainda depende de etapas importantes antes da decisão final de investimento.

Licenciamento, financiamento, engenharia e contratação precisam caminhar. Só depois disso o projeto poderá, de fato, colocar máquinas e equipes no terreno.

Mesmo assim, a retomada recoloca Alto Araguaia no radar de grandes investimentos em celulose, energia e infraestrutura logística. E isso pesa.

Se as etapas avançarem conforme o calendário divulgado, 2027 pode ser justamente o ano em que uma promessa antiga começa a ganhar forma concreta no município.

O CPG seguirá acompanhando essa movimentação, sobretudo licenças, decisão de investimento, contratos, fornecedores e abertura das primeiras cotações.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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