Complexo da Euca Energy volta ao radar sete anos após os primeiros anúncios e traz novo calendário para licitações, equipamentos e construção em Alto Araguaia
Um projeto bilionário que parecia ter esfriado pode, enfim, voltar ao canteiro de obras? Em Mato Grosso, todas as atenções agora se voltam para 2027. A virada apareceu em uma publicação de Leonardo Garcia Degrazia no LinkedIn.
No centro da história está a Euca Energy, que planeja investir cerca de US$ 2 bilhões, ou R$ 10,35 bilhões, em Alto Araguaia, no sul de Mato Grosso.
É um projeto de escala grande mesmo. A futura fábrica foi dimensionada para produzir 2 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto.
-
Obra usa 25,5 toneladas de gelo para lançar concreto a cerca de 30 metros de profundidade na ETE Barueri, a maior estação de esgoto da América do Sul
-
Enfermaria de 100 leitos feita em 33 dias na pandemia vira vitrine da construção industrializada em feira de SP, e advogados alertam que redução de 50% no imposto pode valer só para quem fabrica e monta
-
Moinho de bolas de 700 toneladas só “entra” depois de fundação com 2.000 m³ de concreto, chumbadores de mais de 2 metros e tolerância milimétrica em usina de cobre de 4 milhões de toneladas por ano no Pará
-
Apartamento mostrou elétrica sem quebrar paredes, usou blocos de concreto e teve parte da alvenaria pronta em oito horas durante feira no Brasil
E não termina na linha de produção. O plano inclui uma central de biomassa de 372 MW, ramal ferroviário próprio e um terminal de cargas conectado aos trilhos.
Projeto de R$ 10,35 bilhões reaparece sete anos depois
Só que essa história não começou agora. Em 2019, o CPG já noticiava a licença prévia e investimentos próximos de R$ 10 bilhões.
Naquele momento, Alto Araguaia já aparecia como candidato a receber um novo polo industrial, capaz de mexer com logística, energia e toda a cadeia florestal.
O tempo passou. Sete anos depois, o valor permanece na mesma ordem de grandeza, mas o empreendimento retorna ao radar com decisões concentradas em 2027.
Pelo cronograma divulgado, as etapas ligadas ao licenciamento ambiental, aprovações governamentais e estrutura financeira devem avançar até janeiro de 2027.
É a partir daí que a coisa fica mais concreta. A aprovação do investimento aparece prevista para junho e as primeiras cotações de equipamentos, para agosto.
Cotações, licitações e construção entram no calendário de 2027
Outubro de 2027 surge como o mês previsto para os documentos de licitação. Dois meses depois, em dezembro, a construção poderia finalmente começar.
Se o planejamento se confirmar, a implantação estaria concluída em dezembro de 2028. É um calendário apertado para um complexo industrial desse porte.
Somente a fábrica é estimada em US$ 1,84 bilhão. Fora dela ainda estão estruturas essenciais de geração de energia, transporte e logística.
A AFRY Brasil aparece como consultora de engenharia, enquanto a Yama Engeambi é mencionada como responsável pelos trabalhos e estudos ambientais.
Já Valmet e ANDRITZ Brasil surgem como empresas de tecnologia em avaliação. Até aqui, porém, não há indicação pública de contratos definitivos assinados.

Fornecedores podem encontrar uma janela importante a partir de agosto
Agosto de 2027 merece atenção especial de construtoras e montadoras. É justamente quando o cronograma prevê o começo das cotações de equipamentos.
A partir dali, podem surgir oportunidades para fornecedores de processo, montagem eletromecânica, engenharia, construção e diferentes serviços industriais.
Tem outro número que chama atenção. A central de biomassa prevista para o complexo terá capacidade de geração de 372 MW, uma escala nada pequena.
Essa potência, aliás, não é novidade. No licenciamento de 2019, a Prefeitura de Alto Araguaia informou que 201 MW seriam consumidos pela própria fábrica.
Sob aquela configuração, outros 171 MW poderiam ser comercializados. Isso colocaria o projeto também como um ativo relevante de geração de energia regional.
Ferrovia volta ao centro da estratégia da Euca Energy
A ferrovia também acompanha o projeto há anos. Em 2022, o CPG mostrou que a Euca Energy tentava viabilizar cerca de 30 km de ferrovia.
Na época, a implantação do trecho era estimada em aproximadamente R$ 300 milhões, tendo Alto Araguaia como peça central da futura operação industrial.
Agora os trilhos aparecem outra vez. O cronograma menciona ramal ferroviário próprio e terminal de cargas, estruturas vitais para tirar a celulose da fábrica.
E a localização ajuda a explicar essa escolha. Alto Araguaia está perto de corredores rodoviários e ferroviários e ainda conta com base florestal de eucalipto.
Em 2019, a prefeitura dizia que o empreendimento demandaria cerca de 300 mil hectares comprados ou arrendados. Desses, 180 mil seriam para plantio.
Alto Araguaia acompanha o projeto desde 2019
O caminho burocrático também não começou ontem. O empreendimento já passou por audiência pública, análise de EIA-Rima e obtenção de licença prévia ambiental.
Isso não significa, contudo, que as obras estão garantidas. O calendário apresentado ainda depende de etapas importantes antes da decisão final de investimento.
Licenciamento, financiamento, engenharia e contratação precisam caminhar. Só depois disso o projeto poderá, de fato, colocar máquinas e equipes no terreno.
Mesmo assim, a retomada recoloca Alto Araguaia no radar de grandes investimentos em celulose, energia e infraestrutura logística. E isso pesa.
Se as etapas avançarem conforme o calendário divulgado, 2027 pode ser justamente o ano em que uma promessa antiga começa a ganhar forma concreta no município.
O CPG seguirá acompanhando essa movimentação, sobretudo licenças, decisão de investimento, contratos, fornecedores e abertura das primeiras cotações.
