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Arca de Noé tinha 3 andares? Estrutura de 157 metros na Turquia intriga cientistas e pode virar a descoberta do século

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Escrito por Carla Teles Publicado em 30/09/2026 às 10:37 Atualizado em 30/09/2026 às 10:41
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Formação Durupınar, próxima ao Monte Ararat, tem dimensões incomuns, anomalias detectadas por radar e concentração elevada de matéria orgânica, mas cientistas ainda buscam descobrir o que realmente existe sob o solo

Vista do alto, é difícil passar os olhos pelo lugar e simplesmente seguir adiante. No leste da Turquia, uma formação com cerca de 157 metros de comprimento aparece desenhada no terreno com contornos que lembram, de maneira quase desconfortável, o casco de uma enorme embarcação.

Décadas se passaram desde que aquele desenho no solo chamou atenção pela primeira vez, mas a pergunta continuou ali, praticamente intacta. Agora ela voltou com força.

Pesquisadores retornaram ao local levando radar, LiDAR, equipamentos geofísicos e sondas capazes de investigar aquilo que a superfície não deixa enxergar tão facilmente.

Bear Grylls esteve no local, confirma no vídeo abaixo:

O formato impressiona logo de cara, mas é o que pode estar escondido alguns metros abaixo do terreno que realmente colocou Durupınar novamente sob os holofotes.

A questão atravessa gerações, religião e ciência: aquela formação poderia ter alguma relação com a Arca de Noé descrita nos textos bíblicos? A reportagem da FOX NEWS no ultimo dia 24 de setembro retomou o caso após o avanço das novas pesquisas.

A investigação entrou numa fase bem diferente em 2026. O governo turco autorizou formalmente um novo programa científico na Formação Durupınar, localizada no distrito de Doğubayazıt, na província de Ağrı.

O projeto é dirigido pelo professor Cenker Atila, da Sivas Cumhuriyet University, em cooperação com o Noah’s Ark Scans. A autorização não significa que pesquisadores encontraram a Arca. Nem perto disso.

Arca de Noé Turquia
Arca de Noé Turquia

Ela significa algo bem mais concreto: existe agora permissão oficial para investigar, com novos métodos, uma formação que desperta controvérsia há mais de seis décadas.

Segundo o Noah’s Ark Scans, o trabalho reúne novas técnicas de análise para tentar separar aquilo que pode ser apenas um fenômeno geológico da possibilidade, ainda não comprovada, de existir algo diferente sob o terreno.

É aí que essa história muda de tom.

A Turquia, afinal, não é estranha a descobertas que surgem quando ninguém esperava encontrar algo debaixo do solo. Na cidade de Aspendos, arqueólogos encontraram uma escultura romana de cerca de 1.800 anos.

Em Istambul aconteceu algo ainda mais curioso. Durante as obras do Marmaray, escavações acabaram revelando um antigo porto bizantino e dezenas de embarcações, transformando uma obra de infraestrutura numa descoberta arqueológica enorme.

Durupınar segue outro caminho. Antes de imaginar uma embarcação preservada sob as montanhas, os pesquisadores precisam responder algo bem mais básico: o que exatamente formou aquilo?

Formação foi identificada em fotografias aéreas e tem formato que lembra um enorme barco

A história moderna de Durupınar começou em 1959. Naquele ano, o capitão İlhan Durupınar analisava fotografias aéreas da região quando percebeu uma estrutura alongada que destoava completamente do terreno ao redor.

O desenho chamou atenção rapidamente.

Vista de cima, a formação apresenta linhas que lembram um casco gigantesco apoiado entre as montanhas, detalhe suficiente para alimentar décadas de especulações.

As medições indicam aproximadamente 157 metros de comprimento. Esse tamanho acabou ganhando ainda mais repercussão porque se aproxima de algumas interpretações feitas a partir das dimensões bíblicas atribuídas à Arca.

Isso, claro, não transforma semelhança em prova.

A estrutura está na região de Doğubayazıt, relativamente próxima ao Monte Ararat, montanha historicamente associada em diferentes tradições religiosas às narrativas do Dilúvio.

Essa proximidade ajudou a construir o fascínio em torno do lugar. Mas associação cultural e coincidência geográfica não funcionam, sozinhas, como evidência arqueológica.

Durante muito tempo, praticamente tudo girava em torno do formato observado na superfície. A tecnologia mudou essa situação e permitiu olhar abaixo dela.

Entre 2014 e 2021, pesquisadores utilizaram tomografia de resistividade elétrica e radar de penetração no solo para investigar partes da formação.

Os equipamentos registraram estruturas lineares e alguns padrões angulares abaixo da superfície. Depois veio mais um elemento.

Uma análise realizada em 2023 sobre dados de radar coletados em 2019 identificou feições que os pesquisadores descreveram como semelhantes a corredores e compartimentos, segundo o Noah’s Ark Scans.

O radar revelou padrões onde antes havia apenas terra e rocha, mas transformar essas imagens em corredores de um navio exigiria evidências muito mais fortes.

Esse detalhe faz toda diferença.

Radar de penetração no solo não tira uma fotografia de uma embarcação enterrada. O equipamento registra contrastes físicos entre diferentes materiais existentes abaixo da superfície.

Esses contrastes podem ter várias causas. Rocha, sedimento, vazios naturais, água e mudanças de densidade podem produzir respostas diferentes nos equipamentos.

A parte difícil começa justamente depois da medição: interpretar o que cada anomalia representa de verdade.

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Missionário Cleiton Santos detalha o processo desta descoberta

Solo dentro da formação apresentou quase três vezes mais matéria orgânica

Então surgiu outro dado que fez o debate crescer.

Segundo o Noah’s Ark Scans, análises realizadas em 2024 indicaram que amostras coletadas dentro da formação apresentavam quase três vezes mais matéria orgânica do que aquelas retiradas de áreas externas usadas para comparação.

Ao mesmo tempo, levantamentos geofísicos registraram padrões geométricos em profundidades próximas de nove metros.

O resultado chama atenção. Mas tem limites claros.

Encontrar mais matéria orgânica dentro da formação parece intrigante, só que matéria orgânica não é sinônimo de madeira antiga e muito menos de um navio preservado.

Ela pode surgir a partir de diferentes processos naturais. Vegetação antiga, solos enterrados, atividade biológica e mudanças ambientais também conseguem alterar a composição de determinadas camadas.

O mesmo vale para as anomalias geofísicas. Processos tectônicos, movimentações de terra, sedimentos e diferenças entre tipos de rocha conseguem gerar padrões que parecem artificiais numa primeira leitura.

É justamente por isso que o próprio projeto evita apresentar o caso como resolvido.

Em sua documentação, o Noah’s Ark Scans afirma que os resultados são sugestivos, mas ainda não conclusivos. A intenção agora é cruzar diferentes métodos antes de estabelecer qualquer explicação definitiva.

E é mais ou menos assim que a ciência trabalha.

Uma anomalia chama atenção, outro instrumento encontra algo parecido e, só depois de várias análises independentes, começa a surgir uma explicação confiável.

No caso de Durupınar, esse processo ainda está acontecendo.

Pesquisa autorizada em 2026 colocou cientistas de cinco países no local

O passo mais concreto veio em 2026.

O projeto recebeu autorizações oficiais entre maio e junho, envolvendo órgãos turcos responsáveis tanto pela proteção ambiental quanto pela preservação da área.

Os trabalhos de campo começaram em 29 de junho. De acordo com os responsáveis pelo estudo, cerca de 20 cientistas e estudantes de cinco países participaram dessa nova etapa.

Depois de décadas de fotografias, teorias e debates, pesquisadores voltaram ao terreno com autorização oficial para medir aquilo que realmente existe sob a formação.

Segundo o Noah’s Ark Scans, a primeira etapa envolveu o estabelecimento de coordenadas precisas e a produção de modelos digitais do terreno em duas e três dimensões.

Depois vieram novas medições utilizando GPR, ERT e LiDAR.

Essas tecnologias trabalham de maneiras diferentes, mas possuem um objetivo em comum: revelar alterações escondidas dentro do solo sem transformar toda a área numa gigantesca escavação.

Isso também protege o local enquanto os pesquisadores decidem onde uma intervenção física realmente faz sentido.

O plano científico inclui ainda a retirada de testemunhos de sondagem, pequenos cilindros extraídos verticalmente do terreno e que funcionam quase como páginas de um livro geológico.

Cada camada conta alguma coisa.

Esses materiais permitem observar diretamente composição, idade relativa, presença de matéria orgânica e mudanças ocorridas no terreno ao longo do tempo, conforme explica o projeto internacional de pesquisa em Durupınar.

As análises laboratoriais deverão continuar nos próximos meses. Pelo cronograma divulgado, o trabalho científico pode avançar até 2027, quando os responsáveis pretendem apresentar resultados para avaliação acadêmica e publicar estudos sobre a formação.

Portanto, ainda tem chão pela frente.

A imagem parece pronta para uma conclusão extraordinária, mas os dados ainda estão sendo retirados do solo, medidos, comparados e colocados à prova nos laboratórios.

A resposta simplesmente não chegou.

Existe uma explicação geológica para o formato de navio

E existe um detalhe que não pode ser deixado de lado nessa história.

Muito antes das pesquisas atuais, geólogos já haviam estudado Durupınar e apresentado explicações completamente naturais para o formato que lembra uma embarcação.

Um trabalho publicado em 1996 no Journal of Geoscience Education, assinado por Lorence Gene Collins e David Franklin Fasold, revisou materiais apresentados anteriormente como possíveis evidências de um navio.

Os pesquisadores concluíram que estruturas interpretadas como madeira, paredes ou componentes metálicos poderiam ser explicadas por minerais, rochas e processos geológicos naturais.

O estudo está disponível no TandF Online.

Em 2007, outro trabalho relacionou Durupınar ao chamado fluxo de terra de Telçeker, colocando a estrutura dentro de um contexto marcado por movimentos de massa e transformações naturais do relevo.

Estudos posteriores também apontaram para deslizamentos, erosão e deformações nas camadas rochosas como possíveis responsáveis pela aparência incomum daquela área.

A natureza consegue produzir formas surpreendentemente organizadas, inclusive linhas, curvas e ângulos que, vistos isoladamente, parecem construídos por mãos humanas.

Esse ponto pesa bastante na discussão.

Uma publicação científica de 2026, dedicada ao patrimônio geológico do Monte Ağrı, também descreveu Durupınar como uma estrutura natural formada pela combinação de processos tectônicos, erosão, fluxos de lama e materiais acumulados nas encostas.

A análise está disponível nos arquivos acadêmicos da Istanbul University.

E aí aparece o verdadeiro conflito científico dessa história.

De um lado estão décadas de estudos geológicos capazes de explicar a formação por processos naturais. Do outro aparecem equipamentos modernos encontrando anomalias que pesquisadores querem compreender com mais precisão.

Uma coisa não elimina automaticamente a outra.

Mistérios geológicos costumam permanecer assim durante anos, especialmente quando novos instrumentos revelam detalhes que estudos anteriores simplesmente não conseguiam enxergar.

Algo parecido acontece em outros fenômenos que desafiam pesquisadores há décadas, como o pulso sísmico registrado na Terra a cada 26 segundos, cuja origem continua despertando interesse científico.

Então, a Arca de Noé foi encontrada?

Até agora, não.

E essa distinção é essencial.

Nenhuma análise disponível comprova que exista uma embarcação de madeira enterrada dentro da Formação Durupınar. Muito menos permite afirmar que qualquer estrutura encontrada seja a Arca descrita na Bíblia.

Mas também seria simplificar demais dizer que nada existe ali para ser investigado.

O que os cientistas possuem hoje é uma formação de 157 metros, anomalias abaixo do solo e diferenças químicas suficientes para justificar uma investigação mais profunda.

É isso que está sendo estudado.

A reportagem da GZH colocou novamente o caso em evidência justamente porque as novas análises devolveram Durupınar ao centro dessa discussão antiga.

Agora entram em cena as perfurações, os testemunhos retirados do solo e as análises laboratoriais capazes de comparar cada camada encontrada com a geologia existente ao redor.

Se o material revelar apenas rochas e sedimentos compatíveis com os processos naturais já descritos, a explicação geológica ganhará ainda mais força.

Mas existe outro cenário que os pesquisadores também precisam testar.

Se surgirem materiais trabalhados por pessoas, madeira realmente antiga ou estruturas cuja origem natural não possa ser explicada, a investigação muda de tamanho na hora.

Não seria automaticamente a Arca de Noé. Seria, porém, uma descoberta arqueológica que exigiria novos estudos, datação independente e uma revisão cuidadosa do que existe naquela montanha.

Até lá, Durupınar permanece exatamente no ponto em que ciência e imaginação costumam se encontrar.

Vista do céu, a formação continua fazendo o mesmo que faz desde 1959: parecer um enorme navio parado entre as montanhas da Turquia e deixar uma pergunta difícil de ignorar.

Talvez a resposta esteja ali embaixo. Talvez seja apenas geologia fazendo aquilo que a natureza faz muito bem: criar formas capazes de enganar nossos olhos por décadas.

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Carla Teles

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