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US Navy está disparando laser de US$ 5 por tiro do convés de porta-aviões pela primeira vez na história e derruba 100% dos drones-alvo

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 11/05/2026 às 19:00
Atualizado em 11/05/2026 às 19:04
Porta-aviões USS George H.W. Bush (CVN-77) com sistema laser anti-drone LOCUST embarcado
Vista aérea do USS George H.W. Bush (CVN-77) com o sistema LOCUST embarcado. Foto: US Navy / AeroVironment.
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Em 5 de outubro de 2025, a Marinha dos Estados Unidos posicionou um sistema de laser anti-drone porta-aviões containerizado sobre o convés do USS George H.W. Bush (CVN-77), no Atlântico, e disparou contra múltiplos drones em sequência.

Segundo a Naval News, o teste foi revelado apenas em 21 de abril de 2026 e derrubou todos os alvos. Por isso, marca a primeira vez em que uma arma de energia direta foi montada e disparada do convés de um porta-aviões americano.

O sistema usado, chamado LOCUST, é fabricado pela AeroVironment, que comprou a BlueHalo por US$ 4,1 bilhões em 2025 para consolidar a tecnologia. Cada disparo custa entre US$ 1 e US$ 5 de eletricidade, contra US$ 2,1 milhões de um míssil interceptador SM-2.

Os números do teste, divulgados pela Marinha americana e pela fabricante, contam a história em cinco pontos:

  • 100% de taxa de sucesso nos drones-alvo neutralizados
  • 20 a 26 kW de potência operacional do feixe
  • US$ 1 a US$ 5 de custo por disparo (eletricidade)
  • Roll-on, roll-off: o sistema entrou e saiu do navio sem nenhuma modificação estrutural
  • 5 bases americanas já confirmadas para receber o LOCUST em 2026
Container LOCUST no convés do USS George H.W. Bush durante teste em 5 de outubro de 2025
O sistema LOCUST containerizado posicionado sobre o convés do USS George H.W. Bush durante o teste histórico de 5 de outubro de 2025. Foto: AeroVironment / US Navy.

O laser anti-drone porta-aviões em ação no convés do USS Bush

Segundo a AeroVironment, o LOCUST chegou ao porta-aviões num único contêiner padrão. Em seguida, foi amarrado ao deck com cintas comuns de plataforma e ligado direto na rede elétrica do navio.

O comunicado oficial da fabricante descreve o procedimento como “roll-on, roll-off”. Ou seja, o equipamento entra como uma carga normal e sai do mesmo jeito.

Durante a janela de teste, o sistema detectou, rastreou, engajou e neutralizou diversos drones-alvo em diferentes geometrias de aproximação. A taxa de sucesso registrada foi de 100%.

Conforme John Garrity, vice-presidente de sistemas de energia direta da AeroVironment, o resultado é “um divisor de águas para a Marinha e para a segurança nacional”.

O Atlântico estava com mar formado e o navio operava em deslocamento, fatores que historicamente atrapalham mira de laser. Mesmo assim, segundo o portal TWZ, o LOCUST manteve foco preciso no alvo apesar de motion induzido por ondas, vento e vibração das operações de voo.

Como funciona um laser de 26 kW que cabe num pallet

O LOCUST opera na faixa de 20 a 26 quilowatts. Para isso, usa óptica de precisão e software de inteligência artificial chamado AV_Halo PINPOINT, capaz de identificar e travar em alvos sem informação prévia.

A nova versão LOCUST X3, anunciada em março de 2026, escala para 35 kW dentro do mesmo formato containerizado.

O sistema vem com radar multibanda, varredura 360 graus, câmeras ópticas e sensores infravermelhos. Por isso, encontra o drone sozinho, calcula a melhor janela de tiro e dispara.

Conforme a AeroVironment, o treinamento básico de operador é medido em “dezenas de minutos”, não em semanas, como ocorre em sistemas tradicionais de defesa aérea.

A grande sacada de engenharia, contudo, é o módulo. O laser inteiro pode ser transportado num caminhão pickup, baixado por uma empilhadeira e ligado em qualquer fonte razoável, incluindo geradores portáteis.

No caso do USS Bush, segundo a Naval News, o sistema usou os dois reatores nucleares A4W do navio. Dessa forma, ganhou o que a Marinha chama de “fonte essencialmente ilimitada”.

Operadores AeroVironment ajustando o LOCUST Laser Weapon System em testes
O LOCUST em configuração de teste no White Sands Missile Range. O sistema opera entre 20 e 26 kW, e a próxima geração X3 chega a 35 kW.

Por que o convés de porta-aviões era o teste mais difícil

Lasers já tinham sido testados em outros navios. O LaWS, embarcado no USS Ponce em 2014, derrubou drones no Golfo Pérsico.

Em paralelo, o SSL-TM, instalado no USS Portland em 2020, abateu um drone no Golfo de Áden.

O HELIOS, no destróier USS Preble desde 2022, integra-se ao sistema Aegis e tem 60 kW de potência. Contudo, nenhum desses tinha conseguido operar de um porta-aviões.

O motivo é técnico. Porta-aviões são gigantes em movimento constante, com superfície vibrando por causa de catapultas, jatos pousando e decolando, e um campo eletromagnético denso entre radares, comunicações e sistemas de guerra eletrônica.

Por isso, cada um desses fatores degrada a precisão de um feixe de laser, que precisa pousar num ponto do tamanho de uma moeda a quilômetros de distância.

O CVN-77 desloca entre 101 mil e 104 mil toneladas, mede 333 metros, navega a mais de 30 nós e leva 5 mil tripulantes. Era o pior cenário possível, e o LOCUST resolveu sem nenhuma adaptação estrutural permanente do navio.

Essa lógica de drones embarcados em porta-aviões está em rota de colisão com a doutrina chinesa, descrita na cobertura do CPG sobre o GJ-21 que a China prepara para suas catapultas.

Comparação de custo: laser anti-drone porta-aviões LOCUST vs míssil interceptador SM-2
Cada disparo do LOCUST custa entre US$ 1 e US$ 5 de eletricidade, contra US$ 2,1 milhões de um míssil SM-2.

O abismo de custo que muda a guerra naval

A urgência por trás do teste vem do Mar Vermelho.

Desde o fim de 2023, drones lançados pelos houthis do Iêmen têm forçado a Marinha americana a queimar mísseis SM-2 e SM-6 contra ameaças que custam menos do que um carro popular.

Por exemplo, um Shahed-136 sai por US$ 20 mil. Já um SM-6, por US$ 4,9 milhões, uma assimetria insustentável a longo prazo.

Com o LOCUST, contudo, a equação muda. Cada engajamento custa o preço da eletricidade gasta para gerar o feixe, algo entre US$ 1 e US$ 5.

Dessa forma, a munição é, na prática, infinita enquanto o reator do navio estiver ligado.

Segundo a Axios, a economia ultrapassa 99% por engajamento, uma das maiores reduções de custo já vistas em defesa aérea.

O almirante Daryl Caudle defendeu publicamente a integração de lasers nos novos navios da Marinha. Por isso, vê o sistema como o caminho para tornar a frota americana sustentável em conflitos de longa duração.

Drone Shahed sobre destróier americano no Bab-el-Mandeb, Mar Vermelho
Estreito de Bab-el-Mandeb: a assimetria entre drones de US$ 20 mil e mísseis interceptadores de US$ 4,9 milhões está no centro da urgência por trás do programa LOCUST.

FAA libera laser anti-drone porta-aviões e bases no espaço aéreo civil dos EUA

Em paralelo ao teste no mar, a AeroVironment levou o LOCUST para o White Sands Missile Range, no Novo México, em março de 2026.

A demonstração, conduzida com a Joint Interagency Task Force 401 e a Federal Aviation Administration, validou que o sistema pode operar sem risco para a aviação civil americana.

Conforme o administrador da FAA, Bryan Bedford, “esses sistemas não apresentam risco aumentado para o público que voa”.

Por isso, a liberação é histórica: pela primeira vez, armas de energia direta ganham autorização formal para uso doméstico.

Em 7 de maio de 2026, o Pentágono divulgou as cinco primeiras bases militares americanas que vão receber sistemas LOCUST como parte de um piloto federal de defesa anti-drone.

Segundo o Defense News, a próxima fase do programa, batizada de IFPC-HEL, vai integrar lasers ainda mais potentes a veículos blindados Stryker.

O que muda depois do USS George H.W. Bush

O salto operacional é claro. Se o LOCUST funciona em qualquer porta-aviões, ele pode funcionar em qualquer navio com energia suficiente: destróieres, fragatas, navios anfíbios e até embarcações comerciais militarizadas.

Dessa forma, a barreira que sempre travou armas a laser na Marinha caiu. A necessidade de modificar a estrutura do navio era a principal trava, e agora ela deixa de existir.

Para a Marinha, isso significa equipar a frota inteira contra drones num horizonte de cinco anos, não duas décadas.

Em paralelo, o programa abre espaço para drones-tanque autônomos como o MQ-25A Stingray, recém-voado pela Boeing, que dependem de defesa de proximidade barata.

Para a indústria, contudo, significa que o contrato de US$ 4,1 bilhões pago pela AeroVironment para comprar a BlueHalo pode se pagar rapidamente.

Para os houthis e outros adversários que apostavam na assimetria de custo, o jogo começou a virar.

Atualização: este artigo será atualizado conforme a Marinha americana divulgue o vídeo oficial do teste, atualmente sob revisão de classificação. Vale ressaltar, contudo, que o nome dos cinco primeiros porta-aviões e bases beneficiados pelo programa LOCUST ainda não foi liberado oficialmente.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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