A história de Magda Hungria reúne pioneirismo, rotina familiar e desafios de uma profissão ainda marcada pela presença masculina, em meio à operação da BYD em Camaçari e à expansão dos veículos eletrificados no país.
Magda Hungria, de 39 anos, é apontada pelo Portal A TARDE como a primeira mulher a dirigir uma carreta elétrica da BYD no Brasil.
A trajetória da motorista foi tema de reportagem publicada em 08 de março de 2026, após visita à fábrica da montadora em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
Casada e mãe de três filhos, dois meninos e uma menina, Magda atua em uma área com predominância masculina.
-
Uma orelha dentro de uma história de contrabando, impérios e batalhas gigantescas: por que a Guerra da Orelha de Jenkins recebeu esse nome e virou um dos conflitos mais curiosos do século 18
-
A história real dos castores lançados de paraquedas em Idaho, uma missão criada após a Segunda Guerra Mundial que usou aviões, caixas adaptadas e testes com Geronimo para transportar 76 animais até uma das regiões mais isoladas dos Estados Unidos
-
Menino de 6 anos sai para recolher pedras em atividade escolar e encontra espada viking com mais de 1000 anos enterrada
-
A mãe que planejou o nascimento de uma filha genial, comandou cada detalhe de sua educação e entrou para a história após um crime que ainda intriga a Espanha
No setor em que trabalha na empresa, formado por 12 profissionais, ela é uma das duas mulheres que exercem a função, segundo a reportagem.
A motorista conduz um cavalo mecânico 100% elétrico na operação da BYD em Camaçari.
Em material divulgado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, com informações da empresa, Magda é apresentada como colaboradora lotada na fábrica de montagem final dos veículos elétricos e híbridos.
Magda Hungria começou a dirigir ainda jovem
A relação de Magda com a direção começou antes da entrada no transporte profissional.
Segundo relato dela ao A TARDE, a motorista aprendeu a dirigir ainda jovem e obteve habilitação aos 18 anos.
Aos 23, passou a trabalhar conduzindo ônibus.
“Eu comecei a dirigir com 18 anos. Na realidade, um pouco antes, mas me habilitei com 18. E aí, com os 23 anos, eu fui dirigir ônibus”, disse Magda.
A experiência em veículos de grande porte foi ampliada nos anos seguintes, até a entrada no transporte de cargas.
Antes de atuar com a carreta elétrica da BYD, Magda dirigiu ônibus urbano em Camaçari, trabalhou em empresas de fretamento e também fez linhas interestaduais.
Em uma dessas empresas, de acordo com a reportagem, ela se tornou a primeira mulher a dirigir ônibus em rotas interestaduais.
Depois, passou a conduzir carretas, atividade que exerce há cerca de dez anos.
“Era um sonho que eu tinha desde criança. E eu fui correndo atrás. Trabalhei com ônibus urbano, fretamento, interestadual e depois fui para a carreta”, afirmou.
Apoio da família acompanha a carreira no transporte
A profissão de motorista também está presente na família de Magda.
O marido e o irmão atuam como caminhoneiros há cerca de duas décadas e, segundo ela, acompanharam sua decisão de seguir no transporte de passageiros e de cargas.
“Meu esposo me apoia bastante, me incentiva. Meu irmão também é motorista carreteiro. Ambos me incentivam muito”, relatou.
Na rotina com os filhos, Magda afirma contar com o apoio da mãe, do marido e de outros familiares.
A organização familiar aparece no relato dela como parte da conciliação entre trabalho, maternidade e tarefas domésticas.
“Ser mãe, ser motorista, ser dona de casa, ser esposa, tudo isso requer bastante cuidado, bastante tempo. Mas eu amo tudo o que faço”, disse.
A filha de 10 anos também é citada por Magda como uma das pessoas que acompanham de perto sua atuação.
Segundo a motorista, a menina já demonstrou interesse em seguir a mesma profissão.
“Ela fala: ‘mãe, eu quero dirigir igual à senhora’. Isso me enche de orgulho”, contou.
Carreta elétrica da BYD muda rotina profissional
A entrada na operação da BYD acrescentou à trajetória de Magda a condução de um veículo pesado 100% elétrico.
Depois de trabalhar com ônibus, caminhões e carretas convencionais, ela passou a operar um modelo usado na estrutura da montadora em Camaçari.
Em publicação da SDE Bahia, Magda comparou a carreta elétrica com veículos tradicionais que já havia dirigido.
“Já dirigi outras carretas e caminhões, mas os elétricos são melhores. Mais silenciosa, muito confortável, ótima autonomia e segura”, declarou.
A fábrica da BYD em Camaçari integra a presença industrial da montadora chinesa no Brasil.
Segundo a SDE Bahia, o complexo ocupa uma área de 4,65 milhões de metros quadrados e é o maior da companhia fora da China.
A unidade tem capacidade inicial de produção de 150 mil veículos por ano, com meta de chegar a até 600 mil veículos anuais quando o projeto estiver completo.
O mesmo material informa que, na unidade baiana, são produzidos modelos eletrificados da marca, como BYD Dolphin Mini, BYD King e BYD Song Pro.
O investimento no complexo de Camaçari é estimado em R$ 5,5 bilhões, com previsão de 20 mil empregos diretos e indiretos, segundo a secretaria.
Preconceito na estrada aparece em relatos da motorista
Embora tenha acumulado experiência em diferentes áreas do transporte, Magda afirma que já enfrentou dificuldades relacionadas à presença de mulheres na estrada.
Os relatos incluem problemas de infraestrutura em viagens e comentários sobre o fato de uma mulher atuar como motorista de veículos pesados.
“Nem tudo são flores. Já enfrentei dificuldades na estrada, com banheiros, com estadias e também com algumas brincadeiras. Mas, a gente vai mostrando que o lugar da mulher é onde ela quiser”, declarou ao A TARDE.
A motorista também mencionou um episódio em que ouviu de um colega que lugar de mulher seria na cozinha.
Segundo Magda, a resposta foi dada por meio da continuidade no trabalho.
“Eu mostrei que lugar de mulher é onde ela quiser. Não importa fazendo o quê. O importante é fazer o que ama.”
Em outro depoimento divulgado pela SDE Bahia, ela relatou questionamentos sobre sua capacidade de dirigir por ser mulher.
“Sempre ouvi que era coisa de homem. As pessoas me perguntavam como eu iria dirigir sendo mulher e aqui eu estou provando que competência não tem gênero”, afirmou.
Presença feminina na operação da BYD em Camaçari
A história de Magda foi divulgada em março, mês em que empresas e órgãos públicos costumam publicar conteúdos relacionados ao Dia Internacional da Mulher.
No caso da BYD em Camaçari, a SDE Bahia reuniu relatos de colaboradoras que atuam em diferentes áreas da operação, incluindo produção, logística, tradução e gestão.
Na publicação oficial, a empresa cita mulheres em funções técnicas e administrativas no complexo industrial baiano.
Entre os nomes mencionados estão Magda de Hungria, na operação com carreta elétrica; Jéssica Siqueira, líder de produção na área de chassis; e Séuzia Bila, tradutora na fábrica de montagem final.
O caso de Magda também encerrou a série “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”, do Portal A TARDE.
A sequência apresentou trajetórias de mulheres em profissões nas quais, segundo o próprio veículo, a presença masculina ainda é predominante.
Além de Magda, a série trouxe histórias como as de Letícia Sacramento, motorista de ônibus intermunicipal; Elizabeth da França Lopes, operadora de trem; Madalena Paixão Costa, ajudante de hidráulica; Érica Soledade Mercês de Oliveira, operadora de empilhadeira; Tiele Medrado, operadora viária; Emilly Luiza dos Santos Dias, eletricista automotiva; e Maria Marli dos Santos Oliveira, pedreira.
No relato ao A TARDE, Magda afirmou que outras mulheres não devem deixar o medo impedir escolhas profissionais.
“Enfrentem os seus medos. A gente não pode deixar que o medo tome conta da gente. A gente tem mostrado dia após dia que o nosso lugar é onde a gente quiser estar”, disse.
A motorista também afirmou esperar que a capacidade profissional das mulheres seja reconhecida em diferentes áreas.
“Eu gostaria que a sociedade nos enxergasse com mais valor, mais respeito e mais credibilidade. Muitas vezes acham que a gente não é capaz, mas somos capazes de tudo”, declarou.

Seja o primeiro a reagir!