1. Início
  2. Curiosidades
  3. Jovem sueco passa 3 anos completamente sozinho na floresta construindo cabana sem nenhuma experiência: com 18 anos, levou apenas mochila e ferramentas manuais e decidiu viver fora da rede elétrica e de forma sustentável
5 comentários 9 min de leitura

Jovem sueco passa 3 anos completamente sozinho na floresta construindo cabana sem nenhuma experiência: com 18 anos, levou apenas mochila e ferramentas manuais e decidiu viver fora da rede elétrica e de forma sustentável

Imagem de perfil do autor Débora Araújo
Escrito por Débora Araújo Publicado em 18/02/2026 às 12:26 Atualizado em 18/02/2026 às 12:30
Assista o vídeoJovem sueco passa 3 anos completamente sozinho na floresta construindo cabana sem nenhuma experiência: com 18 anos, levou apenas mochila e ferramentas manuais e decidiu viver fora da rede elétrica e de forma sustentável
créditos: Erik Grankvist
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
42 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Aos 18 anos, Erik Grankvist foi sozinho para a floresta sueca, construiu uma cabana do zero com ferramentas manuais e viralizou com 35 milhões de views.

Aos 17 anos, Erik Grankvist se sentia perdido. Vivia em Estocolmo, capital da Suécia, tinha amigos, frequentava a escola e seguia a rotina comum de um adolescente. Mas por dentro, algo não encaixava. Ele descreve aquele período como uma inquietação constante, uma sensação de desconexão e de falta de propósito. “Não me conectava com as pessoas. Procurava algo maior na vida”, relatou anos depois, ao relembrar o que antecedeu a decisão que transformaria sua trajetória.

Numa noite de 2017, Erik assistiu ao documentário Alone in the Wilderness, que conta a história de Dick Proenneke, um americano que construiu uma cabana sozinho no Alasca nos anos 1960 e viveu lá por décadas, filmando a própria rotina com uma câmera 16mm. O que para muitos era apenas um filme curioso, para Erik virou obsessão. Ele passou meses imaginando e planejando: e se tentasse repetir aquilo na Suécia, com as mãos, sem atalhos, sem depender de ferramentas elétricas?

A decisão de viver isolado

Aos 18 anos, após concluir o ensino médio em 2019, Erik tomou a decisão que a maioria consideraria imprudente. Encheu uma mochila com ferramentas manuais básicas, pegou um tripé e uma câmera, despediu-se da família e partiu sozinho para as florestas montanhosas da Suécia, em um terreno pertencente aos avós.

O detalhe que torna a história ainda mais improvável é simples e brutal: Erik não tinha experiência em construção. Nunca havia cortado uma árvore. Nunca havia erguido uma parede. Nunca havia feito nada remotamente parecido com o que estava prestes a tentar.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Durante cerca de três anos, ele viveu praticamente sozinho na floresta. Derrubou árvores com machado e serra manual. Descascou troncos no calor do verão. Ergueu paredes tronco por tronco, trabalhando com encaixes tradicionais. Construiu telhado com casca de bétula, instalou janelas e organizou o interior com mobiliário básico feito por ele mesmo.

E filmou tudo sozinho, com a câmera no tripé, repetindo enquadramentos, voltando e refazendo movimentos para registrar ângulos diferentes.

Quando publicou o vídeo “One Year Alone in Forest of Sweden – Building Log Cabin Like Our Forefathers” no YouTube, a história atravessou fronteiras. O vídeo chegou a 35 milhões de visualizações e transformou o jovem sueco em um fenômeno global. Hoje, ele soma mais de 1,6 milhão de inscritos, vende produtos artesanais de madeira, faz parcerias com marcas outdoor e sustenta uma rotina que, para milhões, parece uma mistura rara de disciplina antiga e estética contemporânea de internet.

O documentário Alone in the Wilderness e a influência de Dick Proenneke

Em 1967, Dick Proenneke partiu sozinho para a região do Twin Lakes, no Alasca, com ferramentas manuais e uma câmera. Ele construiu uma cabana de troncos completa, registrou cada etapa e viveu em isolamento por décadas, pescando, caçando e enfrentando o clima extremo. As filmagens viraram o documentário Alone in the Wilderness, que ainda hoje circula como referência cultural sobre vida simples e autossuficiência.

Quando Erik assistiu ao filme em 2017, enxergou algo além da aventura: viu método, disciplina e um tipo de liberdade que parecia impossível dentro do mundo urbano moderno. Ele não era um sobrevivencialista treinado nem tinha histórico de vida rural. Era um adolescente de Estocolmo em busca de sentido.

A partir daí, mergulhou em pesquisa. Leu livros sobre técnicas antigas de construção escandinava, consumiu vídeos de carpintaria tradicional, conversou longamente com o avô e estudou quadros do documentário, tentando entender cortes, encaixes e sequências de trabalho.

  • O avô Åke Nilsson e as técnicas ancestrais de carpintaria sueca

Erik não entrou na floresta completamente no escuro. O avô materno, Åke Nilsson, foi peça central. Carpinteiro tradicional, Åke dominava técnicas que eram comuns antes da eletrificação e da mecanização do campo.

Durante meses, ele ensinou Erik a escolher árvores adequadas, derrubá-las com segurança usando machado e serra, descascar troncos preservando a integridade da madeira e produzir encaixes que travam troncos com precisão, reduzindo dependência de pregos.

Foi o avô também que apresentou a técnica do telhado com casca de bétula, um recurso histórico escandinavo que, quando bem executado, cria uma camada naturalmente impermeável. Erik sempre reconheceu esse ponto: as bases vieram do avô; o resto foi aprendido na prática, errando e repetindo.

Verão de 2019 e o início real da construção da cabana

Erik concluiu o ensino médio em junho de 2019. Enquanto colegas planejavam universidade, viagens e empregos, ele preparou a mochila com o essencial: machado, serra manual, formão, plaina, martelo, pá, tripé, câmera, barraca, comida para as primeiras semanas e roupas para clima instável.

O que ele não levou era parte do projeto: nada de serra elétrica, nada de gerador, nada de ferramentas elétricas.

Construção da cabana – Reprodução/Youtube

A escolha do local exigiu critério. Ele procurava terreno relativamente plano, drenagem segura, proximidade de água e abundância de madeira útil por perto. Encontrou uma clareira natural, cercada por pinheiros e abetos, com um riacho de água limpa.

Ali começou o trabalho mais pesado: derrubar árvores. Para construir uma cabana de troncos, precisava de dezenas de peças robustas. Cada árvore levava horas. Depois vinha descascar o tronco, preparar e transportar até o canteiro, tudo sozinho.

A fundação foi tratada como etapa crítica. Ele cavou, posicionou pedras grandes como base e nivelou o perímetro com cuidado, porque qualquer erro ali comprometeria toda a estrutura. Só então as paredes começaram a subir, tronco após tronco.

Como Erik filmou tudo sozinho com um tripé

A filmagem é um dos pontos que tornam a história mais forte para internet. Não havia equipe escondida. Não havia operador de câmera. O tripé era o “companheiro” constante. O método era repetitivo: posicionar o tripé, ajustar enquadramento, caminhar até o local do trabalho, executar a tarefa, voltar para desligar, reposicionar, repetir.

Reprodução/Youtube

Isso multiplicava o tempo de execução. Para cada trecho curto que aparece no vídeo final, havia horas de preparação, regravação e mudança de ângulo. Em certos momentos, ele filmava a mesma ação duas ou três vezes, só para obter uma sequência visual mais clara. Nos intervalos em que visitava os avós para reabastecer suprimentos, ele editava material e publicava no YouTube, voltando depois para a floresta.

Nos primeiros meses, quase ninguém assistia. Erik seguia porque o projeto era pessoal, não uma estratégia de fama.

O primeiro inverno sueco e a decisão de não arriscar a sobrevivência

O primeiro inverno foi o limite prático do experimento. Temperaturas caíam para cerca de vinte graus negativos. A neve acumulava e o vento tornava o trabalho perigoso. A cabana ainda não estava completamente vedada, sem isolamento final e sem todas as soluções internas prontas. Permanecer ali, naquela fase, seria arriscar hipotermia e morte.

Por isso, ele voltou para a casa dos avós durante os meses mais extremos. Esse ponto gerou críticas na internet, mas Erik nunca negou. Ele explica que isolamento absoluto e contínuo é uma fantasia romântica: até Proenneke recebia suprimentos; até Thoreau mantinha vínculos.

O núcleo da história não é “não sair nunca”, e sim o volume de trabalho, a solidão cotidiana e o processo de construir com as próprias mãos ao longo de anos.

No inverno, ele planejava etapas, estudava técnicas, editava vídeos e esperava a primavera.

Primavera de 2020 e a aceleração do projeto

Quando a primavera chegou em 2020, o ritmo mudou. Erik voltou mais forte fisicamente e mais eficiente tecnicamente. Com mais domínio do processo, começou a transformar a estrutura em espaço habitável. Instalou janelas compradas prontas, porque reconhecia limites práticos. Fez uma porta de madeira maciça com dobradiças de ferro.

Construiu o piso com tábuas aplainadas à mão. Produziu cama, mesa e bancos. Instalou um fogão a lenha, essencial para aquecimento e preparo de comida.

A construção do telhado com casca de bétula tornou-se uma das cenas mais marcantes do projeto. É um método tradicional que exige sobreposição correta, preparação do material e cuidado com vedação. Ele trabalhava dez a doze horas por dia nos períodos de clima favorável, dormindo exausto e retomando ao amanhecer.

Verão de 2021 e a cabana completa em 24 m²

No verão de 2021, após três anos de trabalho distribuído conforme as estações, a cabana foi concluída. As dimensões finais ficaram em torno de 4 metros por 6 metros, cerca de 24 m². Pequena para padrões urbanos, mas funcional para vida minimalista.

A estrutura impressiona pela solidez: troncos empilhados com encaixes tradicionais, telhado em duas águas com casca de bétula e musgo integrando a construção ao ambiente, piso de madeira maciça aplainado, janelas que permitem luz, porta bem ajustada e fogão a lenha como centro do conforto térmico.

Ele também criou elementos complementares: uma pequena adega subterrânea para armazenar alimentos em temperatura mais constante, uma área externa de fogueira, um depósito de lenha e um sistema simples de coleta de água da chuva, somando ao riacho próximo.

Em alguns momentos, para troncos muito pesados, usou um trator antigo Ferguson TE20 de 1946 para arrastar peças. Erik sempre foi transparente sobre isso, dizendo que preferia um cavalo, mas não tinha acesso.

O vídeo que viralizou e o efeito hipnótico do trabalho manual

O vídeo que compilou um ano de trabalho foi publicado com uma estética diferente do padrão de internet: pouca fala, poucos efeitos, foco nos sons da natureza e no ritmo repetitivo do machado, da serra e do vento. A mudança de estações vira parte do enredo. O resultado é quase terapêutico para quem assiste.

Em 2021, o material explodiu. Circulou em fóruns, redes sociais e páginas de vida simples. As visualizações escalaram para dezenas de milhões. Comentários descreviam a experiência como “a melhor coisa já vista” e “um antídoto contra o caos digital”. O que viralizou não foi apenas a cabana, mas o contraste: um jovem sozinho, em silêncio, construindo algo real em um mundo saturado de conteúdo rápido.

O que Erik faz hoje e como o projeto virou trabalho

Hoje, aos 25 anos, Erik mantém um canal com 1,6 milhão de inscritos, publica vídeos sobre vida na floresta, técnicas de carpintaria tradicional, melhorias na cabana e rotinas por estação. Ele também criou a Grankvist Outdoors, loja online de produtos de madeira feitos por ele, como tábuas de corte, prateleiras e peças artesanais sob encomenda.

Ele também atua como embaixador de marca outdoor e monetiza o canal. Estimativas públicas variam, mas o ponto central é que a renda passou a existir como consequência da história, não como ponto de partida. Ele costuma reforçar que o objetivo era a vida que queria, não a fama.

Por que milhões se conectaram com a história de Erik Grankvist

Erik recebe mensagens de pessoas dizendo que os vídeos ajudaram com ansiedade, estresse e sensação de falta de propósito.

Parte do apelo é simples: o conteúdo mostra um processo longo, real e físico, em que o progresso é visível. Em vez de prometer transformações instantâneas, ele mostra repetição, erro, tentativa e construção lenta.

Ele não vende cursos caros e não faz promessas milagrosas. A narrativa que fica é a de alguém que começou sem experiência e transformou um projeto impraticável em algo concreto.

A história de Erik Grankvist não é sobre convencer todo mundo a abandonar a cidade. É sobre demonstrar, com evidência visual e trabalho acumulado, que experiência não é pré-requisito para começar. Ele pegou um machado, derrubou a primeira árvore e repetiu o processo por anos, até que uma cabana existisse onde antes havia apenas floresta.

O que viralizou não foi apenas a cabana. Foi a sensação de ver, em tempo real, que um sonho grande pode ser construído com pequenos atos repetidos, dia após dia, tronco após tronco, até virar realidade.

Inscreva-se
Notificar de
guest
5 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Mattos
Mattos
19/02/2026 12:31

Nesta foto tem coisas desenquadradas com a linda história. Primeiro os troncos estão todos cortados de forma uniforme o que revela maquina tipo motosserra e não um machado ou machada! Segundo, o tronco de cima terá um peso em verde entre os 500kgs e os 800kgs, e não estou vendo este jovem a cortar e o carregar para cima! Também nunca adoeceu, e não foi picado por mosquitos ou insetos vários. Linda história para o clicbite

Cris
Cris
19/02/2026 11:45

Como eles recarregavam a câmera e o celular?

Dam
Dam
19/02/2026 08:49

Engraçado que eles derrubam a floresta deles e depois vem cobra o Brasil pra preservar a sua kkk

Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
5
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x